O Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, celebrado em 21 de março, impõe à sociedade uma reflexão sobre as opressões históricas que ainda estruturam nosso país. Quando a questão racial se cruza com a violência contra as mulheres, os dados revelam a face mais cruel da desigualdade: as mulheres negras são, sistematicamente, as maiores vítimas do feminicídio, da agressão doméstica e do assédio.
No mundo do trabalho, essa dupla opressão, racismo e machismo, se traduz na precarização da vida. Mulheres negras, ocupam a base da pirâmide econômica, enfrentando as maiores taxas de desemprego, os menores salários e uma vulnerabilidade a violências morais e sexuais no ambiente de trabalho. O ciclo de violência que atinge a mulher transcende o espaço doméstico e se apresenta nas relações de trabalho.
A luta da CUT no combate ao racismo é para transformar o mercado de trabalho em um espaço de emancipação, proteção e dignidade. Nossa luta vai muito além das pautas estritamente econômicas; trata-se de um combate diário por igualdade de oportunidades, equiparação salarial e políticas de inclusão. A Central tem sido uma voz incansável na defesa de ambientes laborais seguros, exigindo medidas rigorosas contra o assédio e apoiando pautas fundamentais, como a ratificação da Convenção 190 da OIT, que visa eliminar a violência no mundo do trabalho.
Enfrentar a discriminação racial e a violência de gênero exige uma ação sindical combativa e permanente. Para a CUT, não existe justiça social, trabalho decente ou democracia plena enquanto a cor da pele ou o gênero determinarem o grau de cidadania das pessoas. A união da classe trabalhadora continua sendo a principal ferramenta para destruir essas barreiras e construir um Brasil onde a vida, os direitos e a dignidade das mulheres e da população negra sejam valores inegociáveis.