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Análise de Conjuntura aponta unidade como meio de superar os ataques a trabalhadoras e trabalhadores

XVIII Confasubra acontece em Poços de Caldas e delibera sobre plano de lutas dos técnico-administrativos em educação

Publicado: 11 Maio, 2018 - 15h45

Escrito por: Sindifes

Resistência, unidade da esquerda e construção de um projeto único para enfrentar os ataques, este foi o tom das principais análises de conjuntura realizadas durante o debate do segundo dia do XXIII Confasubra, que acontece de 6 a 11 de maio em Poços de Caldas, Minas Gerais. Na parte da manhã foram realizadas as reuniões dos grupos políticos que integram a Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra).

“Capacidade para ir além das fronteiras, das picuinhas. Saber que nosso adversário não está neste plenário, não está nas assembleias de base. Está nas federações de indústrias, bancos e querem acabar com os trabalhadores”, afirmou Adalberto Tavares, representante da CTB na abertura da Mesa de Conjuntura. Ele aponta as intervenções americanas e europeias na América Latina, Oriente Médio e África como uma tentativa de impedir que estes países sejam soberanos e continuem subservientes politicamente e economicamente.

Valério Arcari, professor do Instituto Federal de São Paulo e membro do PSOL apontou a unidade como solução para enfrentar a conjuntura. “Todas as diferenças entre as teses são pequenas diante do antagonismo com nossos inimigos que são aqueles que criminalizam o PT, que mataram Marielle Franco, que tiraram nossos direitos e que são o poder hegemônico neste país.” Arcari ainda alerta para a importância de informar e formar a classe trabalhadora que acredita nas ideias, concordam com as causas, mas não se mobilizam porque não acreditam na vitória.

Bernadete Menezes, Técnica-Administrativa em Educação e integrante da Intersindical, lembrou que o nazismo começou aos poucos na Alemanha como está acontecendo no Rio de Janeiro. “Começam matando lideranças, como Marielle, impedindo passeatas, atacando movimentos sociais e trabalhadores”, afirmou. Bernadete também avalia que enquanto os capitalistas estavam ganhando muito dinheiro não se importaram com a ascensão dos trabalhadores, porém, após a crise de 2008, iniciou uma disputa do orçamento da União que culminou com o golpe. Como solução, ele aponta a unidade no processo eleitoral, “precisamos de um programa que unifique a Esquerda, que seja alinhado com a necessidade do povo. Precisamos ir para as bases e disputar corações e mentes”.

Beatriz Cerqueira, presidenta da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT-MG), afirmou que o que está acontecendo é uma ruptura democrática, um novo golpe de estado, só que em vez de usarem tanques, estão utilizando o congresso e o judiciário. “Não foi um ataque contra o PT, o golpe veio para eliminar todos nós que estamos neste Congresso, pois querem eliminar a resistência e este Plenário é uma resistência”. Para Beatriz, o projeto que está em curso no Brasil excluí a Classe Trabalhadora. “Estamos sendo expulsos do estado brasileiro, estão disputando o orçamento como nunca fizeram antes. Colocam contingenciamento (PEC 55), tentam fazer uma reforma da Previdência e revisam todos os benefícios da população mais vulnerável, da população que não tem capacidade de se mobilizar como nós. Eles não estão se importando com a legitimidade, estão se impondo e rasgando a Constituição de 88”.

Com a conjuntura adversa o caminho a seguir para Beatriz é o da unidade. “Não podemos fazer apenas a luta da Categoria, o enfrentamento hoje tem que ser amplo e hoje temos duas frentes importantes, a Brasil Popular e a Povo Sem Medo. É preciso compor frentes maiores que façam lutas gerais, pois no governo de Temer não haverá apenas falta de reajustes, mas demissões, privatizações, terceirizações, e precarização dos serviços públicos”, finalizou.

Unidade é desejo de todas as forças

Cerca de mil trabalhadores participam do XXIII Confasubra - Congresso da Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra) que começou no último domingo, dia 6 de maio, em Poços de Caldas, Minas Gerais. Como os períodos da manhã e tarde dedicados para o cadastramento dos delegados a abertura do Congresso foi feita às 20 horas no Cenacon (Centro de Convenções). Na mesa de abertura representantes das forças políticas de compõem a Federação saudaram as delegações e discursaram sobre a necessidade de unidade e fortalecimento da Categoria dos Técnico-Administrativos em Educação.

Nos próximos dias, o Confasubra  irá discutir e deliberar um plano de lutas para a Categoria dos Técnico-Administrativos em Educação e eleger a próxima direção da Federação. Em um contexto de ataque aos trabalhadores, o Congresso será um importante instrumento de resistência e construção de estratégias de enfrentamento aos ataques e retiradas de direitos.

Gibran Jordão, coordenador geral da Federação, abriu o Congresso saudando os trabalhadores e trabalhadoras que fazem parte da Categoria e que participam deste momento. “Estamos diante de um novo front e precisamos votar um calendário de lutas que unifique a Categoria, que unifique os Trabalhadores e que aponte para um greve que possa derrotar o Governo Temer”, disse. Ele lembrou que o Congresso tem um importante passo este ano, pois irá renovar a direção da Federação.

A coordenadora da Fasubra, Leia de Souza, lembrou que a Federação é respeitada nacionalmente porque é um entidade combativa e ativa e que o Congresso está sendo realizado em um momento em que nossos direitos estão sendo cortados. “Estamos indignados com a prisão ilegítima do presidente Lula. É um momento desafiante pois caiu a máscara do golpe, que não era apenas tirar a presidenta Dilma e sim acabar com a soberania nacional, com a democracia, retirar direitos e acabar com as universidades públicas. Precisamos retomar nosso projeto de universidade cidadã para os trabalhadores, nosso projeto de hospitais universitários e retomar nossos direitos”, discursou.

Para Rogério Mazola, também coordenador geral da Fasubra, o momento é único pois as universidade tem sido alvo de ataques. “Vivenciamos um golpe, construímos três greves na últimas gestão, em 2015 para um acordo salarial, em 2016 contra a PEC 55, do congelamentos dos gastos, e em 2017 para retomar as negociações e contra a reforma da previdência. A Categoria tem atendido o chamado e nossa base produziu uma luta enorme como nenhuma outra foi capaz.” Segundo ele, é necessário que a Fasubra se uma a outras Categoria do setor da Educação e do Serviços Públicos para enfrentar a conjuntura atual.

Representando a Andes, o Reitor da Universidade Federal de Alfenas, Sandro Amadeu Cerveira, saudou os participantes e reafirmou a importância da unidade na luta dos setores da Educação. “Temos que nos unir pela pauta da universidade pública de qualidade e pela democracia, pois ambas atacadas de forma vil e cruel em nosso país. Temos universidade públicas eficientes, que tem um papel social, que atende estudantes carentes e produz a maior parte do conhecimento científico deste país. O relatório do Banco Mundial não condiz com a realidade”.

A Secretária de Comunicação da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT/MG), Rosângela Gomes Soares da Costa, apontou a intensificação do golpe e a necessidade de uma unidade real que fortaleça a Categoria e seja capaz de fazer a resistência que os trabalhadores precisam. “Nossa tarefa aqui é levar a resistência para além de nós, além dos muros das universidade e Cefets. Precisamos retomar a democracia e esta retomada deve começar pelas universidades. Não sairemos da luta, não deixaremos as ruas e não arredaremos os pés enquanto não recuperarmos nossos direitos tomado pelo golpe. É necessário resistir com a energia e vigor que está luta exige!”

Falando em nome da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), João Paulo Ribeiro, disse estar vivendo uma das piores épocas das universidade públicas do Brasil. “Nem mesmo a ditadura, os fascistas e direitistas atacaram com tanta brutalidade e repressão as universidades. Estamos num momento em que caminhamos para não podermos mais realizarmos um Congresso como este. Temos que construir uma unidade e nos mantermos juntos para retomar o poder e nossos direitos”, discursou.

Pela Intersindical, Gabriel de Freitas, relembrou as lutas da Federação contra a PEC da Morte e contras a reforma da Previdência. Mesmo diante de um conjuntura ruim ele acredita que a unidade pode superar as dificuldades. “O golpe não era apenas tirar a presidenta Dilma, era vender a Eletrobrás, retirar direitos e acabar com a soberania. Sem a classe unida será difícil enfrentar esta conjuntura. Precisamos da unidade para defender os trabalhadores e as universidades”.

Fechando a mesa de abertura, David Lobão, em nome do CSP Conlutas afirmou que é necessário espaços democráticos para o construção da classe trabalhadora que pensa e constrói diferente, mas tem objetivos comuns. “Nossa luta é contra a direita e o Temer e para enfrenta-los é preciso uma frente ampla”, finalizou.

 

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