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Ato público em solidariedade ao Sind-UTE/MG une movimentos sindical e sociais

Manifestações, ações e mobilizações são articuladas em atividade no Sindicato dos Bancários de BH e Região

Publicado: 23 Setembro, 2014 - 12h20

Escrito por: Rogério Hilário

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CUT Nacional, CUT/MG, CUTs Regionais, CUT Maranhão, federações, confederações, sindicatos, movimentos sociais e políticos se uniram na noite de segunda-feira (22) no auditório do Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte e Região, na Região Central da capital mineira, no ato público em solidariedade ao Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação do Estado de Minas Gerais (Sind-UTE/MG). Campanha do Sindicato sobre a situação calamitosa da educação do Estado foi suspensa pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), mediante pena de multa de R$ 100 mil a dirigentes da entidade por cada veiculação nos meios de comunicação e a proibição de qualquer crítica ao governo do Estado, sob alegação de que é uma propaganda  eleitoral negativa. Também os veículos da mídia estão sujeitos à punição. As ações são da coligação Todos por Minas, comandada  pelo PSDB.

Na atividade, coordenada pelo vice-presidente da CUT/MG, Carlos Magno de Freitas,  que contou com a presença do presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vágner Freitas, foram deliberados a realização de um grande ato no sábado (27) em apoio aos educadores, panfletagem em todo o Estado e feitas denúncias na sessão da Comissão de Direitos Humanos na Assembleia Legislativa, na manhã desta quarta-feira (24), e na Organização Internacional do Trabalho (OIT). Definiu-se, também, que todos os sindicatos e entidades se comprometessem a divulgar e denunciar os ataques ao Sind-UTE/MG e seus dirigentes, que foram cerceados nos direitos às práticas sindicais, à defesa de uma educação de qualidade no Estado e à liberdade de opinião e expressão.

A mesa foi composta pelo presidente da CUT Nacional, Vágner Freitas; a secretária de Combate ao Racismo, Júlia Nogueira; o secretário-geral da CUT/MG, Jairo Nogueira Filho; Carlos Magno de Freitas; a presidente do Sindicato dos Bancários, Eliana Brasil; e o integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens, Joceli Andrioli. Da CUT Nacional, estiveram presentes Shakespeare Martins de Jesus e Júlio Turra, da Direção Executiva; e José Celestino Lourenço, secretário de Formação. Participou também Maria Adriana Oliveira, presidente da CUT Maranhão. Pela CUT/MG, participaram do ato a secretária de Organização e Políticas Sociais, Lourdes Aparecida de Jesus Vasconcelos; o secretário da Juventude, Ederson Alves da Silva; o secretário de Comunicação, Neemias Rodrigues; o presidente da CUT Regional Sul, Antônio Amorim; Abdon Geraldo Guimarães e Thiago Ribeiro de Oliveira, da Direção Estadual.

“O Sind-UTE, que vem sendo atacado pelo governo, pode contar com a gente. A mídia pode falar tudo, o governo e seus candidatos podem propagandear que oferecem a melhor educação do país, mas não podem ser desmascarados pelos educadores. Estamos em campanha salarial, em que lutamos por mais conquistas, pelos nossos direitos, por aumento real. Mas vamos lutar também ao lado do Sind-UTE/MG pela educação pública de qualidade, por melhores salários e condições de trabalho para os educadores”, afirmou Eliana Brasil, presidente do Sindicato dos Bancários de BH e Região, que sediou o ato público.

“O que está acontecendo é muito grave. O Sind-UTE conseguiu fazer um debate com a sociedade sobre a educação e isto incomodou o governo do Estado, que processou sete diretores do Sindicato, alegando campanha eleitoral negativa. Mas o tiro vai sair pela culatra. Eles só conseguiram unir ainda mais o movimento sindical e os movimentos sociais, pois os educadores não estão sozinhos. Vamos mostrar em nível nacional quem é o PSDB e como ele trata a educação, a saúde, os servidores públicos, a produção de energia, o saneamento, as estatais e os trabalhadores em geral”, disse Jairo Nogueira Filho, secretário-geral da CUT/MG e coordenador-geral do Sindieletro-MG.

“Este bonito ato demonstra o quanto é importante a solidariedade aos educadores. Ela comprova a nossa força. A perseguição ao Sind-UTE não é um caso isolado. Que o diga o Renato (Barros), do Sind-Saúde. A mordaça e a opressão ao sindicalismo é uma prática do governo.  Me lembro do governo FHC. O trabalhador tem lado e sabe a quem precisa derrotar”, declarou a secretário de Combate ao Racismo da CUT, Júlia Nogueira.

“O Quem Luta Educa começou durante a greve de 116 da educação em 2011. A tucanada está desesperada. Tenta evitar que todos saibam o sucateamento que provocou no Estado, na educação, que não cumpre a lei. Aqui tem escola em motel, o professor não tem o direito de se alimentar na escola. Se enganam, achando que vão resolver tudo processando, criminalizando, judicializando. Nós vamos lutar, vamos para as ruas e usar de todos os nossos meios para denunciar”, afirmou Joceli Andrioli, do movimento Quem Luta Educa e do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

“Nós precisamos da solidariedade de classe. Nós estamos na luta de classes. Quando um de nós é arranhado e ofendido, todos nós somos atingidos. Se é guerra, é de todos. Não há especificamente um enfrentamento com o Sind-UTE em Minas Gerais. O enfrentamento é com o movimento social. Não é atoa que o escolhido para candidato é quem sucateou a educação no Estado. O Sind-UTE foi montando as peças e desmascarou tudo. O que o governo do Estado quer fazer é enganar a opinião pública. Dizer que o Sindicato faz uma campanha partidária. Está se escondendo atrás da questão eleitoral. Não sabe debater só criminalizar. Tenta impedir a livre expressão do Sindicato, atenta contra a organização do trabalho, e quer interferir na discussão do Sind-UTE com sua base”, disse o presidente da CUT, Vágner Freitas, durante o ato público no Sindicato dos Bancários.

“Vamos levar à OIT denúncia contra o governo do Estado de crime contra a organização do trabalho. Levaremos a nossa forma de fazer política para o mundo inteiro. Vamos desmascarar este governo em nível internacional, mostrar o que acontece aqui em Minas Gerais”, acrescentou o presidente da CUT.

Vágner Freitas, contudo, propôs que o enfrentamento seja feito também nas ruas. “A defesa do Sind-UTE e as denúncias contra os ataques aos movimentos sindical e sociais devem ser feitas nos boletins, nos jornais, nas manifestações, nos atos, nas panfletagens. Defender o Sind-UTE é defender o Estado, a educação, o movimento sindical. Isto deve estar na pauta diária de todas as categorias, de todos os sindicatos, todos os dias. Não vamos aceitar que quebrem o Sind-UTE, o Sind-Saúde, o Sindieletro, o Sindicato dos Bancários, ou a CUT, pois este é o objetivo deles. Quero que o governo do Estado tire as ações do TRE e venha para o debate sobre a educação.”

“A CUT está aqui para cumprir seu papel, para organizar os trabalhadores, a luta de classes, contra o capitalismo, pela transformação da sociedade. Estamos fazendo a disputa pelo direito de expressão e pela não intervenção na luta dos sindicatos. Estamos aqui para transformar Minas Gerais, que virou um campo contra a democracia, onde impera a intolerância. Viva o Sind-UTE, via os sindicatos, viva os trabalhadores”, concluiu o presidente da CUT.

“O Sind-UTE comemora 35 anos. Nós surgimos durante a ditadura militar e não conseguiram nos calar. Não vão nos calar nunca. Agradecemos a todos vocês pelo apoio e juntos vamos lutar por uma educação de qualidade, pela valorização dos servidores e do serviço público”, disse Mônica Maria de Souza, da Direção Estadual do Sind-UTE/MG.

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