• TVT
  • RBA
  • Rádio CUT
MENU

Manutenção dos postos da Cemig no interior é reivindicada em audiência pública

Deputados, trabalhadores, prefeitos e vereadores protestam contra decisão da empresa de fechar bases operacionais

Publicado: 13 Março, 2019 - 15h58 | Última modificação: 15 Março, 2019 - 17h30

Escrito por: ALMG

Ricardo Barbosa - ALMG
notice

Trabalhadores e sindicalistas do setor de energia elétrica e prefeitos e vereadores do interior reivindicam a manutenção das bases operacionais da Cemig em suas cidades. Em audiência pública da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta sexta-feira (15/3/19), eles protestaram contra a decisão da Companhia de Energia Elétrica do Estado de fechar as chamadas localidades da empresa (postos e agências) em cidades do interior sob a alegação de reduzir custos.

Segundo os participantes da reunião, a medida, que teria por objetivo preparar a empresa para a privatização, gera grandes prejuízos para a população, além de impactar a vida dos trabalhadores, alguns deles lotados nos postos há 30 anos.

Apagões constantes, queda na arrecadação dos municípios, perda de produção, sobretudo na pecuária leiteira, e falta de energia em hospitais, escolas e órgãos públicos foram alguns dos prejuízos relatados pelos participantes.

MP - O presidente da Câmara Municipal de Bom Jardim de Minas (Sul do Estado), Sebastião Flávio de Paula, anunciou que o legislativo local está entrando com uma ação no Ministério Público (MP) contra a decisão da Cemig e aconselhou todas as câmaras dos municípios prejudicados a fazerem o mesmo.

“Disseram que o fechamento do posto de Bom Jardim é definitivo a partir de segunda-feira (18). Isso é muito negativo para o desenvolvimento econômico da cidade”, protestou.

O vereador tem um filho com diabetes, que faz uso diário de insulina e sofre com as constantes quedas de energia, já que o medicamento precisa ser armazenado sob refrigeração. Segundo ele, outros moradores da região enfrentam problemas semelhantes. Sebastião teme que a situação piore com o fechamento do posto, pois, atualmente, há comunidades na zona rural que chegam a ficar até 72 horas sem energia.

Deslocamentos - O prefeito da cidade, Sérgio Martins, informa que, ao todo, 15 municípios serão afetados. Conforme informou, o posto de Bom Jardim conta com dois funcionários, os mesmos há 30 anos. Com a desativação, Bom Jardim e os demais municípios do entorno terão que se deslocar até Caxambu (Sul) ou Juiz de Fora (Zona da Mata), ambas cidades distantes mais de 100 quilômetros.

“O serviço da Cemig é caríssimo e de alto risco. A empresa teve lucro de mais de R$ 1,5 bilhão em 2018”, diz ele, argumentando que por isso mesmo não se justifica nem o fechamento das localidades, nem a intenção de privatização da empresa.

Outro que reclama é o prefeito de Campos Altos (Campos Altos), Paulo Almeida. Ele pediu o apoio da Assembleia de Minas e defendeu que a população e as autoridades locais se mobilizem para evitar o fechamento das bases operacionais.

Desmonte - Everson de Alcântara Tardeli, presidente da Federação dos Urbanitários de Minas Gerais, afirmou que o processo de desmonte das localidades não é novo. O sucateamento, segundo ele, começou no início da década de 2000. “Entrei para a empresa nos anos 1990; na época, a Cemig contava com 20 mil empregados; hoje, são apenas 6 mil funcionários próprios e 30 mil terceirizados”, denunciou.

O diretor-adjunto do Sindicato dos Eletricitários do Sul de Minas, Gleison Cardoso Bernardo, diz que a medida vai afetar mais de 200 municípios. “Cooperativas e produtores rurais dos pequenos municípios serão os mais prejudicados”, lamentou.

Jefferson Leandro Teixeira da Silva, coordenador do Sindieletro-MG, também aponta a tentativa de privatização como razão para o sucateamento. “O sindicato já propôs medidas que reduzem custos, mas o interesse é privatizar. São mais de 50 localidades que existem em todo o Estado, com mais de 150 trabalhadores. Vai impactar a vida desses trabalhadores e da população”, acrescentou.

Parlamentares apoiam mobilização

Autora do requerimento para realização da audiência, a deputada Beatriz Cerqueira (PT) lamentou a ausência de representantes da Cemig na reunião. “A audiência pública é o espaço da escuta, da negociação e dos encaminhamentos. O governo não pode decidir o que convém e o que não convém sem consultar a população”, disse, condenando também o desmonte da empresa e as ideias de privatização.

A deputada lembrou que já foi apresentada na Assembleia a proposta de criação da Frente Parlamentar em Defesa da Cemig e que o momento é propício para sua implementação.

A presidente da comissão, deputada Leninha (PT), compartilhou da mesma opinião. “Estado não é pra economizar, é pra investir e garantir a implementação e qualidade dos serviços públicos”, disse.

O deputado Zé Guilherme (PRP) afirmou que o assunto é sério porque envolve emprego e atendimento à população. “Estão fechando posto em Campos Altos, região de mais 60 mil pessoas. A população será impactada de forma negativa, até porque o terceirizado não pode operar esse tipo de equipamento”, apontou.

O deputado Betão (PT) disse que “é a velha prática de sucatear para depois privatizar”. Lembrou que Minas tem 853 municípios e algumas cidades são muito pequenas. Para ele, a tentativa de concentração dos serviços numa única cidade não vai funcionar. “A população vai ficar refém, dependendo de serviços em locais distantes”, criticou.

Providências

Ao final da reunião, a comissão aprovou requerimentos com pedidos de providências à estatal, solicitando que a empresa reveja a decisão de fechar os postos, informe os números de redução de custos estimados com o fechamento de postos e os números relativos à redução de custos obtidos com a prática de terceirização. Aprovou também manifestação de protesto pela ausência do presidente da Cemig, Cledorvino Belini, na audiência pública.

Cemig responde

Em resposta ao convite da comissão para participar da audiência, a Cemig enviou carta alegando não poder comparecer devido a compromissos previamente agendados. Diz a carta que a empresa está se adequando “aos requisitos regulatórios estabelecidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em especial para enquadrar as despesas operacionais à cobertura regulatória tarifária”.

 

Audiência começou a ser articulada em reunião com deputada Beatriz Cerqueira

 

No dia 25 de fevereiro a direção do Sindieletro se reuniu com representantes do governo e deputados da Assembleia Legislativa, para tratar da pauta do fechamento das localidades. Na ocasião, os assessores da deputada Beatriz Cerqueira assumiram o compromisso de encaminhar  o pedido de audiência na ALMG. Já assessores do deputado Inácio Franco (PV) informaram, na época,  que o parlamentar vai procurar o governo e à diretoria da Cemig para discutir o assunto.

 

carregando
carregando