Escrito por: Sindágua MG

Copasa admite risco de não privatização

TCE-MG estende prazo e concede mais três dias úteis para empresa se manifestar sobre as graves denúncias do Sindágua

Sindágua MG

As denúncias protocoladas pelo SINDÁGUA no Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), apontando irregularidades no processo de privatização da Copasa e pedindo a sua suspensão, obrigou a empresa admitir que há risco de a eventual venda atrasar ou até mesmo não ser realizada.

Por solicitação da estatal, o TCE-MG estendeu, na última sexta-feira (22 de maio), o prazo para que se manifeste nos autos da denúncia do Sindicato. Com isso, a Copasa terá mais três dias úteis, concedidos pelo relator da petição, o conselheiro Agostinho Patrus, para responder aos graves questionamentos.

Inicialmente, a Copasa tinha 72 horas, a partir de segunda-feira (18/5), para se pronunciar sobre as acusações feitas pelo SINDÁGUA, mas conseguiu, na quinta-feira, que o prazo fosse estendido, alegando que só teve acesso à integra da denúncia na última quarta-feira (20/5). No entanto, a empresa admitiu a complexidade técnica, jurídica e econômica das denúncias do Sindicato e a “necessidade de detida análise dos laudos técnicos apresentados pelo denunciante”.

A ação do SINDÁGUA prova que o fraudulento esquema estrategicamente montado para privatizar a Copasa direciona o resultado, criando barreiras de entrada abusivas que asfixiam a concorrência, tese reforçada por fatos recentes, como a saída da Sabesp da disputa, indicando que não fará proposta e deixando somente a Aegea como postulante à condição de sócio de referência para abocanhar 30% da estatal.

O pedido de extensão do prazo comprova que as graves denúncias do SINDÁGUA são consistentes, bem fundamentadas e possuem fortes elementos para suspender a privatização da Copasa ou então alterar toda a modelagem adotada pela empresa. No entanto, causa estranheza que o processo de privatização tenha sequência sem que as irregularidades e os fortíssimos indícios de fraudes sejam devidamente esclarecidos.

Na quinta-feira, após o TCE-MG ter autorizado mais uma etapa do processo, a Copasa lançou ao mercado a oferta de ações para a privatização, mas afirmou que a venda está sujeita a questionamentos de ordem judicial, administrativa e arbitral, que poderão “atrasar ou impedir a realização da Oferta e afetar a Companhia materialmente de forma adversa”.

Entre esses entraves, a Copasa menciona o monitoramento do TCE-MG e também a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) ajuizada por PT e Psol junto ao Supremo Tribunal Federal (STF). Os partidos questionam a validade da emenda constitucional que dispensou a obrigatoriedade de referendo popular para a venda da empresa.