Escrito por: Raony Salvador/Revista Fórum

Efeito Zema: Minas perdeu quase 40% das escolas de ensino integral em três anos

Especialistas associam retração ao aumento das desigualdades entre jovens

Zanone Fraissat/Folhapress

Minas Gerais viu despencar a oferta de Ensino Médio Integral durante o governo de Romeu Zema, depois de ter alcançado antecipadamente a meta nacional prevista para 2031.

Dados do Censo Escolar 2025 mostram que o percentual de escolas com vagas em tempo integral caiu de 50,4% em 2022 para 31,6% em 2025. Em números absolutos, o total de unidades com a modalidade passou de 1.223 para 813.

A queda acontece justamente após Minas ter atingido, ainda em 2022, a meta do Plano Nacional de Educação que previa ensino integral em metade das escolas públicas apenas no fim da década.

As matrículas também recuaram. O número de estudantes em tempo integral caiu de 127.656, em 2022, para 93.670 em 2025. O índice passou de 21,4% para 15,6% dos alunos da rede.

O movimento chamou atenção de setores da educação porque ocorre no sentido oposto ao observado em outros estados, sobretudo no Nordeste. O Piauí chegou a 100% das escolas estaduais em tempo integral. Ceará e Pernambuco ampliaram a rede e consolidaram indicadores educacionais entre os melhores do país.

Na avaliação de integrantes da área educacional, a redução da modalidade tende a atingir principalmente estudantes mais pobres, que dependem da escola pública para acesso a atividades culturais, esportivas, alimentação e formação complementar.

Há também preocupação com o impacto sobre evasão escolar, violência e inserção profissional dos jovens.

Entidades estudantis afirmam que parte das escolas estaduais enfrenta problemas estruturais, como ausência de laboratórios, limitações no ensino técnico e falta de equipamentos adequados.

Pesquisas sobre o modelo indicam melhora no desempenho escolar, aumento da empregabilidade e redução de desigualdades sociais entre alunos que passam pelo ensino integral.