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Enciclopédia traz registro histórico do processo do golpe no Brasil

Dois volumes são lançados no Sindipetro/MG e denunciam os desmandos que levaram ao impeachment de Dilma Rousseff e à pauta golpista

Publicado: 30 Abril, 2018 - 16h44

Escrito por: Rogério Hilário

Os dois volumes da Enciclopédia do Golpe, obra produzida pelo Instituto Defesa da Classe Trabalhadora (DECLATRA) que trata do papel das instituições na retirada de Dilma Rousseff da Presidência da República, foram lançados na noite desta segunda-feira (23). O evento, com apoio da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT/MG), sindicatos CUTistas, movimentos sindical,  sociais e populares aconteceu na sede do Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais (Sindipetro/MG). A mesa do debate do lançamento foi coordenada por Alexandre Finamori França Baptista, secretário do Sindipetro/MG e diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP). Participaram do evento diversos dirigentes sindicais, professores, estudantes e juristas, dentre eles os professores co-autores Leonardo Yaroshewsky, penalista, e Thomás Bustamante, constitucionalista.

A enciclopédia, segundo a diretoria do DECLATRA, terá seis volumes e é um registro histórico do golpe e um contraponto ao que a grande mídia vem publicando sobre o momento político brasileiro. A Enciclopédia do Golpe, em seus dois volumes, reúne artigos em forma de verbetes de intelectuais e acadêmicos de diversas áreas. Em cada texto a análise de um dos atores do Golpe de 2016. Os volumes podem ser adquiridos em livrarias ou por intermédio do site do instituto.  

“O lançamento dos primeiros volumes da enciclopédia é importante para registrar o golpe e aprofundar o debate com trabalhadoras e trabalhadores. Renova nossa esperança e nosso desejo que isto vai passar e que venceremos este momento. Os livros vão entrar para a história e, no futuro, estarão nas escolas para que as próximas gerações saibam o que aconteceu no país. A CUT/MG, a CUT Nacional, assim como toda a sua base, apoiam este projeto e parabenizam o Sindipetro por receber este lançamento, que é simbólico, sem dúvida, quando os golpistas propõem a privatização da Eletrobrás e do setor de produção de energia”, declarou Jairo Nogueira Filho, secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT/MG) e diretor do Sindieletro/MG.

“É simbólico e importante o lançamento dos livros sobre o golpe aqui no Sindipetro. Nesse momento, desqualificam a Petrobras e tentam privatizar o pré-sal. Um golpe que ataca o direito à soberania e à nossa democracia. Acredito que a leitura dos volumes da enciclopédia pode contribuir para a definitiva entrada do povo brasileiro na política, para participar da luta e acreditando no Lula. O povo brasileiro vai enxergar o golpe, com as perdas na qualidade da saúde, da educação. Estamos juntos na Frente Brasil Popular e no Congresso do Povo. Lula Livre, candidato e presidente”, afirmou Pablo Dias, da coordenação de Minas Gerais do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

“Somos de um instituto que já publicou vários livros e artigos sobre o golpe. Percebemos que ficaria mais claro para as pessoas se lançássemos uma obra com verbetes para que todos entendessem os fatos. Nosso objetivo era deixar para a posteridade um livro para que as pessoas possam saber o que aconteceu neste país, no período, além do que soube por intermédio da grande imprensa. Os dois volumes podem ser adquiridos pelo site da DECLATRA, e nos lançamentos que faremos pelo Brasil. Os dois livros vêm sendo também adotados nos cursos sobre o golpe que estão sendo realizados nas universidades. Queremos registrar toda essa história para que as pessoas, ao longo do tempo, possam ter a noção exata de quem foi quem neste processo que resulta, entre outros aspectos, na crise institucional pela qual passa o Brasil e também essa onda de ataques aos direitos sociais”, revelou Mirian Gonçalves, coordenadora do volume 1  e organizadora do volume 2.

 “Escrevi sobre delação premiada no volume 1. A enciclopédia é importante para mostrar como se instalou o estado de exceção e autoritarismo e também o terrível avanço do estado penal. E, neste contexto, a delação premiada é uma moderna forma de tortura, que vem sendo utilizada como uma arma política. E outra arma tem sido a escuta. Esses temas são tratados de forma equivocada e manipulados pela grande mídia. O mesmo falo dos vazamentos seletivos para destruir determinados políticos, tidos como ‘inimigos’ no atual momento”, afirmou o professor Leonardo Isaac Yaroshewsky, advogado e doutor em Ciências

“Os livros têm sido bem aceitos porque há uma curiosidade muito grande sobre as obras e tudo que aconteceu no processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, e suas consequências, provocaram também indignação. Foi um processo tormentoso. O registro em livro, diante do grande número de informações e de fakes, notícias falsas, é importante. Documenta em um livro informações que ficam para sempre, para que as próximas gerações sejam esclarecidas sobre esse momento, e que muitas pessoas se convençam de que houve um golpe. Os livros podem ser estudados, questionados, mas são documentos históricos. No segundo volume, por exemplo, fizemos uma análise do papel da mídia no golpe. Apresentaremos outros temas nos próximos livros e vamos chegar a seis volumes”, disse Humberto Marcial Fonseca, advogado e diretor do DECLATRA em Minas Gerais.

“O lançamento dos livros em Belo Horizonte faz parte do processo de debate nacional sobre a real motivação do golpe que culminou com a retirada do poder da presidenta legitimamente eleita por um grupo nada isento, se utilizando de uma lei casuísta que foi aplicada exclusivamente no seu caso. Precisamos estar atentos e denunciando sempre os desmandos porque o processo do golpe continua em curso e a reforma trabalhista foi um passo seguinte e outros golpes derivados do originário continuam a afligir movimentos populares, trabalhadores e trabalhadoras, colocando em risco a democracia, a liberdade e o Estado Democrático de Direito”, afirmou o diretor do DECLATRA.

Humberto Marcial anunciou que, no dia 11 de maio,, o instituto vai realizar na Faculdade Arnaldo Janssen, em Belo Horizonte, um seminário em que se fará reflexões sobre o mundo do trabalho a partir da reforma trabalhista. “ Vamos discutir temas como o movimento sindical, o Judiciário, as relações de trabalho, e teremos entre os debatores Rudá Guedes Ricci e Maíra Neiva. É essencial, quando se ataca trabalhadores e as representações sindicais, a união com os movimentos populares, buscando alternativas. O MTST e o MST são exemplos de sucesso, pois fazem as lutas e aparecem mais na mídia. É preciso ganhar a disputa de narrativa, pois a história vai ser contada por quem venceu a disputa de opinião”,  acrescentou o diretor da DECLATRA.

 

 

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