Escrito por: Jean Silva/Brasil de Fato

Greve da educação de MG ganha as ruas e pressiona governo Zema por negociação

Com atos na capital, categoria mantém paralisação e cobra recomposição de 41,83%

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Estudantes e educadores realizaram manifestações em Belo Horizonte para denunciar a situação da greve da educação pública em Minas Gerais, na segunda-feira (16). Atos ocorreram na região do Barreiro e na Praça Sete, com participação de representantes de sindicatos e da União Colegial de Minas Gerais (UCMG).

As mobilizações reforçam a pressão sobre o governo Zema (Novo) e buscam ampliar o apoio da população às reivindicações da categoria.

Trabalhadores e trabalhadoras da educação de Minas Gerais decidiram manter a greve iniciada no último dia 4 de março. A deliberação ocorreu em assembleia realizada na quarta-feira (11), no pátio da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), reunindo profissionais de diversas regiões do estado.

O movimento reivindica a recomposição salarial de 41,83%, referente às perdas acumuladas entre 2019 e 2025 durante a gestão do governador Romeu Zema. Além da reposição, a categoria apresenta uma série de demandas que integram a Campanha Salarial Educacional de 2026.

“A responsabilidade por esta greve é do governador Romeu Zema e do vice-governador Matheus Simões, que tiveram 300% de reajuste nos seus vencimentos e tratam a educação da forma como tratam, com esse salário de fome, que é o pior salário do Brasil”, disse a coordenadora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), Denise Romano, nas redes sociais.

Segundo o Sind-UTE/MG, a entidade realizou uma reunião com representantes do governo estadual após o início da greve, mas não houve avanço nas negociações. A avaliação do sindicato reforça a necessidade de intensificar a mobilização.

Entre os principais pontos da pauta está a aplicação imediata do reajuste de 41,83% em todas as carreiras da educação básica, incluindo contratados e aposentados sem paridade, com efeitos retroativos a janeiro de 2026. A categoria também cobra o pagamento de verbas retidas, a concessão de promoções por escolaridade e o cumprimento do reajuste previsto na Portaria nº 82 do Ministério da Educação.

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De acordo com o Sind-UTE/MG, cerca de 80% da categoria está em vínculo precário, e Minas Gerais lidera negativamente o ranking de precarização docente no Brasil.

“Exigimos a nomeação imediata dos aprovados nos concursos públicos vigentes. Os reajustes devem alcançar todos os aposentados, com ou sem paridade. Quem construiu a educação merece respeito”, apontou o sindicato nas redes sociais.

Calendário de mobilização

O Comando Estadual de Greve aprovou um calendário de lutas que prevê novas ações nos próximos dias. Entre elas, uma audiência pública sobre a campanha salarial que ocorre nesta terça-feira (17) e uma nova assembleia da categoria marcada para a próxima quarta-feira (18).

Contra privatização e terceirização

Outro eixo central da mobilização é o combate às iniciativas de privatização da educação pública. O sindicato reivindica a suspensão do leilão de 95 escolas estaduais, previsto para o dia 25 de março, na bolsa de valores B3, em São Paulo.

Para a entidade, a medida representa o avanço da terceirização no ensino público e pode comprometer a qualidade da educação e as condições de trabalho dos profissionais.

O outro lado

Procurado pelo Brasil de Fato MG para prestar esclarecimentos sobre as negociações com os trabalhadores da educação, o governo do estado não retornou o contato até o fechamento da reportagem. O espaço segue aberto para manifestações.

Editado por: Ana Carolina Vasconcelos