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Mais de 250 mil vão às ruas de BH em defesa da educação e da aposentadoria

Em Minas, mais de 40 cidades tiveram atos contra cortes e pelo direito de aposentar

Publicado: 31 Maio, 2019 - 10h41 | Última modificação: 03 Junho, 2019 - 14h57

Escrito por: Brasil de Fato e Rede Brasil Atual

Luiz Rocha/Mídia Ninja-BH
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Bolsonaro chamou os estudantes brasileiros de idiotas e teve resposta. Em Minas, na quinta-feira (30), ocorreram atos maiores e em mais cidades do que no dia 15 de maio. Foram pelo menos 44 cidades mineiras: Belo Horizonte, Almenara, Araçuaí, Barbacena, Diamantina, Divinópolis, Governador Valadares, Ituiutaba, Montes Claros, Muriaé, Nova Lima, Poços de Caldas, Pouso Alegre, São João Del Rey, Teófilo Otoni, Ubá, Uberlândia, Viçosa, Capelinha, São Lourenço, Uberaba, Betim, Cataguases, Varginha, Congonhas, Ibirité, Ipatinga, Lavras, Leopoldina, Mariana, Ouro Preto, Patos de Minas, Ponte Nova, Sete Lagoas, entre outras. Só campi universitários foram 25. 

Em Belo Horizonte, mais de 250 mil pessoas lotaram as ruas do Centro da cidade. A manifestação partiu da Praça Afonso Arinos em direção à Praça da Estação, seguindo pela Avenida Afonso Pena. Quando a primeira ponta chegou à Praça Sete, a outra ainda não havia saído do local de concentração, a mais de 2 km. Diferentemente do dia 15, quando a maioria dos atos começaram pela manhã, desta vez as manifestações foram marcadas para o fim da tarde, permitindo que várias pessoas saíssem do trabalho para participar. 

“A educação é global. A gente pensa que a educação é um coisa pontual e pequena, mas ela envolve e mexe no macro. A gente está aqui hoje para defender esse espaço que é nosso”, comentou Rafaela Carvalho, farmacêutica, residente em saúde do idoso no Hospital das Clínicas da UFMG. 

Além da defesa da educação pública e da pesquisa científica, alvos dos cortes promovidos pelo governo Bolsonaro (PSL), os manifestantes também gritavam contra a reforma da Previdência do banqueiro Paulo Guedes, que pretende extinguir o sistema atual, baseado na cooperação entre gerações mais jovens e os inativos.  Esse foi um dos motivos para o aposentado José Reis Martins sair de casa para manifestar. Porém, ele também considerou a defesa da educação um motivo importante. “Eu vim à manifestação porque o Brasil precisa de investir na educação para deixar de ser colônia internacional. A educação liberta o povo”, declarou. 

Maria de Cássia Pires, professora da rede pública estadual e municipal de Contagem, foi protestar no centro de BH. “Estou aqui hoje pelo direito à universidade sem cortes, porque nenhum país se desenvolve sem educação, sem a pesquisa que é desenvolvida nas universidades públicas”, defendeu. 

Protestos pelo Brasil

 Os atos em defesa da educação pública no país e contra a reforma da Previdência do governo Bolsonaro superaram as expectativas dos organizadores, segundo a União Nacional dos Estudantes (UNE). Em São Paulo foi estimada a participação de 300 mil pessoas. Muitas chegaram no começo da manifestação por volta de 17 horas no Largo da Batata, bairro de Pinheiros, zona oeste da capital. Outras foram se incorporando ao longo dos mais de 4 quilômetros percorridos até a dispersão, por volta de 21 horas, na Avenida Paulista.

Rio de Janeiro e Recife, pelo menos 100 mil pessoas cada uma. A mobilização no Distrito Federal atraiu cerca de 20 mil pessoas. Em Salvador foram 70 mil pessoas, 40 mil em Belém, outras 30 mil em São Luís. Pelas contas dos organizadores em torno de 1,8 milhão de pessoas foram às ruas de 190 cidades do Brasil – dos 26 estados e do Distrito Federal –, além de outras 10 do exterior.

“Brincaram com o formigueiro, deu nisso!”, afirmou nas redes sociais o cientista Miguel Nicolelis. Já na Avenida Paulista, a presidenta da UNE, Marianna Dias, registrou: “O dia 30 de maio entra pra história do nosso país. Quando estudantes, professores, trabalhadores, pais, o povo brasileiro voltou às ruas num grande tsunami. Para quem não acreditava, nós estamos aqui. Nós somos milhões. Nós somos rebeldes. Nós somos questionadores”.

Marianna admitiu a superação das expectativas em relação ao alcance das manifestações, e assimilou a energia e vibração que vinha do asfalto, tomado por jovens, “organizados” ou “autônomos”. O trocadilho impresso na faixa gigantesca que acompanhou a passeata, “O Brasil se UNE pela educação”, traduzia uma realidade. “Se eles querem proibir, inibir a nossa voz e a nossa manifestação, eles vão falhar. Porque o povo que saiu de casa, não volta mais pra casa, se a educação do nosso país não for respeitada. Nós queremos escola, nós queremos educação e nós vamos construir a maior greve geral (marcada para 14 de junho), ao lado dos trabalhadores, da história deste país. E eu desafio o governo Bolsonaro a dizer ao povo brasileiro porque que eles não gostam da educação”, bradou a presidenta da UNE.

"Universidade é o lugar da transformação, da liberdade, da democracia. Eles têm ódio disso. Por isso nós os derrotaremos gritando, fazendo balbúrdia, fazendo esse país se tornar um caos. Porque Bolsonaro não governa enquanto os cortes não forem revertidos. Essa é a promessa do povo que está indo pras ruas do Brasil. Bolsonaro, você não vai ter paz e nós não temos medo de você.”

Independentemente dos números da mobilização, uma nota divulgada pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, na tarde desta quinta, atestava que o governo está – além de desorientado – incomodado. O ministro sustenta que professores, servidores, estudantes e pais ou responsáveis “não são autorizados a divulgar e estimular protestos durante o horário escolar”. O ministro também espera que sejam feitas denúncias por meio do site da Ouvidoria do ministério. Pelo que se viu nas ruas de todo o Brasil, o ministro está falando para as paredes