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Mídia alternativa é defendida para democratizar a informação

Contra fake news e censura, audiência ressalta importância de jornais populares como o Jornal Brasil de Fato

Publicado: 11 Setembro, 2019 - 17h15 | Última modificação: 12 Setembro, 2019 - 12h52

Escrito por: ALMG

Brasil de Fato MG
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 A importância da imprensa alternativa para a democratização da comunicação foi destacada na terça-feira (10) por convidados de audiência pública realizada na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

A deputada Beatriz Cerqueira (PT), que solicitou o debate, ressaltou que o acesso à informação é direito humano e fundamental e destacou que o momento era também de celebrar os seis anos de criação, em Minas, do Jornal Brasil de Fato (BdF), citado como exemplo de veículo popular.

A deputada lembrou que a edição número zero da versão mineira foi lançada em reunião de entidades na ALMG, tendo se tornado importante para o Estado, como já o era para o Brasil, conforme avaliou a parlamentar.

“Queríamos um espaço onde não era preciso se preocupar com a manipulação da informação. E nesses tempos de fake newsem que a mídia econômica tem o controle da comunicação, termos um jornal como esse é essencial”, disse Beatriz Cerqueira.

Expansão

Lançado em 25 de janeiro de 2003, em São Paulo, o BdF circulou por mais de dez anos com uma versão impressa nacional. Hoje é formado por um site de notícias e uma radioagência, além de possuir jornais regionais em nove estados desde 2013, incluindo Minas.

O objetivo da regionalização foi se aproximar mais dos leitores e das realidades locais. Circulando em edições impressas em diversos estados, o grupo também marca presença nas redes sociais. Circula, entre outros, por Facebook, Instagran,Twitter e Youtube.

Novas formas de comunicação são defendidas

A editora-geral do jornal, Joana Tavares Pinto da Cunha, destacou que a publicação é fruto de uma construção popular e coletiva, tendo sido criada com a convicção de que não basta combater os oligopólios da comunicação, mas que é necessário também construir novas formas de comunicação.

Exibindo manchetes já veiculadas em momentos importantes da história ao longo desses anos, ela destacou que Minas já teve 297 edições, distribuídas gratuitamente em 60 municípios e ainda via mandatos parlamentares e sindicatos. “Chegamos a lugares onde jornais comerciais não chegam”, frisou Joana.

A presidenta da comissão, deputada Leninha (PT), lembrou especialmene do esforço das equipes para manter o jornal, segundo ela com batalhas até de financiamento.

“É difícil falar em democracia quando existe uma concentração de veículos de comunicação a serviço de interesses próprios. Esse jornal é um dos melhores exemplos de resistência e da busca de uma outra narrativa, verdadeira, para que a população possa ela própria analisar o contexto e sua realidade”, defendeu a parlamentar.

Vice-presidenta da comissão, a deputada Andréia de Jesus (Psol) exaltou o BdF como meio de comunicação de massa que sobrevive a momentos como os atuais, em que fakes news são espalhados sem controle, disse ela.

“O jornal tem sido parceiro dos movimentos sociais e das ocupações urbanas, dando apoio em momentos decisórios, com registro de forma honesta dessas lutas sociais”, disse ela.

Alternativa à censura é ressaltada

Já a presidenta do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, Alessandra Cezar Mello, destacou a importância da mídia popular alternativa lembrando de sua própria trajetória profissional.

Atuando como repórter na mídia comercial quando o Brasil de Fato foi lançado em Minas, em 2013, ela relatou seu incômodo à época com o controle que o Estado exercia sobre a mídia, no governo de Aécio Neves.

Segundo Alessandra, naqueles anos havia censura à divulgação, por exemplo, até mesmo de uma disputa dentro do PSDB, partido do então governador. Disputa esta que a jornalista lembrou ser comum entre partidos políticos e até mesmo saudável, na sua avaliação.

“Tudo era controlado. Isso mostra a importância de uma mídia alternativa e popular”, reforçou a presidenta da entidade.

No cenário nacional, Alessandra avaliou que "a mídia hegemônica não tem ouvido vozes dissonantes" em momentos atuais de grande relevância, dando voz a nomes de seu interesse.

Como exemplo, citou a recente reforma trabalhista. Segundo ela, somente no dia seguinte ao de sua aprovação a mídia comercial começou a abordar os problemas que ela poderia trazer. “Isso gera descrédito, pois as pessoas atingidas não se sentem representadas”, criticou ela.

Desafios

A ex-deputada federal Jô Moraes também classificou os seis anos do BdF como sendo de “resistência sob a ótica dos que sofrem no País” e elogiou o grupo por ter ousado também no uso do rádio e das redes sociais.

“Com isso o jornal responde aos desafios atuais da comunicação nesse governo autoritário, que usa as redes para atacar de forma acelerada e com suas fake news os que pensam diferente dele”, frisou Jô Moraes sobre a gestão do presidente Jair Bolsonaro.

Jô Morais ainda frisou que o governo federal também estaria patrocinando o desmonte da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) e conclamou os movimentos sociais e entidades a se articularem para o que chamou de “uma batalha de resistência nas redes sociais” contra desmontes dessa natureza e contra a proliferação de notícias falsas ou tendenciosas.