No Dia Internacional das Mulheres, mineiras ocuparam as ruas da capital para dizer um basta à violência, lutar por mais representatividade política e direitos trabalhistas
Logo no início da manhã de domingo (8/3), os arredores da Praça Raul Soares, no Centro de Belo Horizonte, começaram a ser ocupados por mulheres e por todas as pessoas que apoiam a luta pelo fim da violência de gênero. O Dia Internacional da Mulher reuniu movimentos sociais, sindicatos, parlamentares e apoiadores para denunciar a escalada de agressões e feminicídios no país e exigir políticas públicas de proteção às mulheres.
Um ato diverso, com crianças, idosos e jovens, lotou as ruas em cortejo pelo Centro da capital mineira, saindo da Praça Raul Soares até a Praça Sete. A CUT-MG chamou a mobilização junto a outras centrais e à Marcha Mundial das Mulheres de Minas Gerais.
Durante todo o trajeto, as falas denunciaram o crescimento da violência contra as mulheres e reforçaram pautas como o combate ao feminicídio, o fim da escala 6x1, a ampliação da participação das mulheres na política e a defesa da democracia e da soberania dos povos, além do coro de Fora Zema.
Entre as organizadoras do ato estavam Denise Romano, presidente do Sind-UTE/MG, e Bernadete Monteiro, integrante da Executiva Nacional da Marcha das Mulheres, que puxaram a passeata e mobilizaram os presentes. Também participaram do ato a deputada estadual Bella Gonçalves e as vereadoras de Belo Horizonte Iza Lourença e Luiza Dulci, que reforçaram o protagonismo político das mulheres. O deputado federal Rogério Correia também esteve presente. Movimentos como o Levante Popular da Juventude de Minas Gerais (Levante Minas), Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e o bloco Sou Vermelho também levaram suas bandeiras.
O 8 de março está longe de ser um ato meramente simbólico. Em um mundo onde a violência de gênero ainda faz milhares de vítimas todos os anos e exclui as mulheres dos espaços de poder e do debate público, ocupar as ruas é uma forma de exigir políticas públicas, proteção às mulheres e justiça para as vítimas. Liberdade e igualdade para todas as mulheres do mundo!
Números da violência
As notícias diárias e os números mostram a dimensão do problema e a urgência de respostas do poder público e da sociedade civil organizada. Em 2025, o Brasil registrou 1.548 feminicídios — o maior número desde que o crime passou a ser tipificado em lei — o que representa cerca de quatro mulheres assassinadas por dia. Os dados são do Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025, elaborado pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina – Lesfem/UEL.
O relatório também indica que no ano passado o Brasil registrou 6.904 vítimas, somados os casos consumados e tentativas de feminicídio, o que representa um aumento de 34% em relação ao ano de 2024, quando houve 5.150 vítimas. Em 2024 foram nove vítimas de estupro por hora no país.
Em Minas Gerais, a situação também é alarmante. Foram registrados 163 feminicídios em 2024, e os órgãos de segurança contabilizaram 125.893 ocorrências de violência doméstica contra mulheres no estado, uma média de 345 registros por dia. As informações são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
No cenário nacional, estudos indicam ainda que mais de 13 mil mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil entre 2015 e 2025, mostrando que a violência de gênero permanece como um dos problemas sociais mais graves do país.
Mulheres no mundo
Dados de 2025 da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicam que cerca de 840 milhões de mulheres no mundo foram alvo de violência ao longo da vida. Em 12 meses, 316 milhões foram violentadas pelos próprios parceiros. Ainda de acordo com a organização, “o progresso na redução da violência por parceiro íntimo tem sido dolorosamente lento, com uma queda anual de apenas 0,2% nas últimas duas décadas”.
A situação é ainda mais delicada para as mulheres que vivem em contextos de guerra. Segundo artigo de Francirosy Campos Barbosa, intitulado ‘Feminismo, guerra e islamofobia: por que precisamos ouvir as mulheres muçulmanas’, “Em contextos de guerra, os corpos femininos e infantis tornam-se os mais vulneráveis à violência, à destruição e ao terror. Mulheres raramente têm um dia de paz e quando conflitos armados se intensificam, sua vulnerabilidade se multiplica”.
Dia das Mulheres BH 2026
Diante de tantos incidentes atuais que chocam o mundo, como o ataque a uma escola de meninas em Minab, no Irã, que deixou mais de 165 vítimas, Francirosy Barbosa afirma que a proteção a crianças e mulheres deveria ser uma prioridade. “Mulheres e crianças deveriam ocupar lugar prioritário nas agendas internacionais de proteção. No entanto, o que se observa são deslocamentos forçados, fome, destruição de casas, colapso de sistemas de saúde, inclusive de saúde materna, violência sexual e a perda de redes comunitárias fundamentais para a sobrevivência”.
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