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Nota da CUT Minas em solidariedade a Beatriz Cerqueira e às mulheres no Parlamento

Não podemos permitir que ataques às mulheres se tornem rotina no Parlamento. Atos de misoginia, machismo, racismo, preconceito têm sido constantes no Legislativo e nas redes sociais

Publicado: 09 Agosto, 2022 - 14h44 | Última modificação: 10 Agosto, 2022 - 11h07

Escrito por: CUT/MG, com informações da Revista Fórum | Editado por: Rogério Hilário

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A Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT/MG) repudia mais um ato machista, misógino e covarde em uma conjuntura de recrudescimento do conservadorismo, do patriarcado e da violência como instrumento para tentar intimidar mulheres comprometidas com a classe trabalhadora, pautas progressistas e movimentos sociais em todos os setores. E, atualmente com mais frequência, no Parlamento. Lucas Jonathas Amancio Ribeiro, assessor parlamentar do vereador Reinaldo Magalhães (PP), da cidade de Mário Campos, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, publicou ameaças em suas redes sociais à deputada estadual e candidata à reeleição, Beatriz Cerqueira (PT).

Em postagem em que é possível ver uma arma em sua cintura, Ribeiro afirmou que “mulher não precisa da Lei Maria da Penha, mulher precisa é de um 38 carregado”. O assessor escreveu ainda: “O PT querendo voto aqui em Mário Campo, comunistas aqui não tem para comunistas” (sic), diz outro trecho da postagem. Na publicação, ainda há um cartaz de campanha com evento da deputada com data para acontecer nesta terça-feira, 9 de agosto, em Mário Campos. Em outro post, Ribeiro escreveu: “Vem esquerdopalha me oprimir, o chumbo vai corta solto”. (sic).

Já em storie no Instagram, que desaparece após 24 horas, o assessor compartilhou a frase “Mulher não precisa de Lei Maria da Penha, mulher precisa é de um 38 carregado”.

Em menos de quatro anos no cargo, foram registrados outros ataques à deputada estadual. A militância da deputada estadual Beatriz Cerqueira, eleita com 96.824 votos, incomoda seus agressores, por ser competente e incansável guerreira na defesa dos oprimidos e por ser mulher em um ambiente projetado para exclusão de gênero. Por seu histórico de lutas pela classe trabalhadora e pelas políticas sociais e sua competência, ela vem sendo atacada de forma sistemática e sendo alvo de agressões verbais e outras violências, que têm por objetivo deslegitimar a sua atuação parlamentar, que tem sido fundamental para educadoras, educadores, para as políticas sociais e a defesa de direitos e conquistas de servidoras e servidores públicos e da população mineira.

 Em 2020, ela foi desrespeitada pelo deputado estadual Coronel Sandro (PSL). Em 2021, a deputada estadual foi chamada de “Beatriz Porqueira” pelo prefeito de Coronel Fabriciano, Marcos Vinícius da Silva Bizarro (PSDB), quando ele se manifestou, em vídeo divulgado nas redes sociais, sobre o recesso das crianças no mês de julho, estipulado pela Secretaria de Educação para contenção das contaminações pelo Covid-19.

As tentativas de intimidação, desqualificação, atos machistas, misóginos e racistas se estenderam a outras mulheres no Parlamento mineiro. A deputada estadual Andréia de Jesus, então no PSOL e hoje no PT, foi torpe e covardemente atacada nas redes sociais com ameaças de morte. Os “cidadãos do bem” se sentiram protegidos pela impunidade para enviar uma mensagem em que ameaçam matar (isso mesmo) uma mulher negra, deputada estadual, defensora e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa: “Vamo (sic) lhe matar. Seu fim vai ser igual ao da Mariele (Marielle Franco). Pra tu ficar de exemplo”.

Andréia também foi atacada de forma vil pelos deputados fascistas, racistas e misóginos Coronel Sandro (PSL) e Bruno Engler (PRTB). A parlamentar pediu um minuto de silêncio pela jovem Kehtlen Romeu, mulher negra, gestante, morta com uma bala na cabeça em mais uma das operações policiais no Rio de Janeiro. Os dois deputados da extrema direita, apoiadores de Bolsonaro, disseram que "polícia só mata quem merece morrer", que a deputada, mulher negra, advogada popular, "precisava estudar"; que os "cidadãos do bem" concordam com a atividade policial; e que esses jovens seriam o futuro de uma pátria criminosa.

A vereadora Dandara Tonantzin (PT), de Uberlândia, mulher, negra, jovem sofreu ataques racistas nas redes sociais. Por discordar de um vereador, no plenário da Câmara Municipal, ela fez um debate pautado no respeito e na política. O parlamentar, de forma mal-intencionada, cortou trechos da fala de Dandara de forma contextualizada e levou às redes sociais. Seguidores, açulados pelo vereador, ofenderam e discriminaram a vereadora com comentários preconceituosos, racistas, misóginos e, seguramente, criminosos.

Na semana passada, a presidenta da Câmara Municipal de Guapé, Elizabeth Florêncio, do PT, foi ofendida, durante uma sessão no dia 1º de agosto, por Thiago Sávio Câmara, do PV. Ele interrompeu uma fala da vereadora com as ofensas: “Para com esse discursinho de preta, a senhora não gosta de branco, qual o seu problema contra o branco. Você é preta, mãe solteira, nunca te julguei por isso não”. A veadora por Belo Horizonte, Duda Salabert (PDT), sofreu ameaça de morte nas redes sociais.

Não podemos permitir que as tentativas de intimidação de representantes de trabalhadoras, trabalhadores e dos movimentos sociais continuem. Representantes da extrema direita se instalaram em governos e no Parlamento e manifestam, impunemente, suas ideias abjetas e retrógradas. E ainda incentivam apoiadores a usar as redes sociais para disseminar o preconceito. Estamos juntas e juntos contra o fascismo, o racismo, a misoginia. Na verdade, essas demonstrações de truculência, de ameaças com armas de fogo e outras formas de intimidação representam uma "cultura" regressiva de nosso tempo. Cultura esta agravada pelo advento daquilo que chamamos de bolsonarismo. E exigimos punição para estes criminosos. Não podemos permitir que isso continue. Estamos juntas e juntos contra o retrocesso. Não nos calarão.