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Presidente da CUT debate Organização Sindical, resistência e luta

Tema do 13º CECUT-MG leva a reflexões sobre o modelo que a classe trabalhadora quer em contraponto ao projeto de Jair Bolsonaro e Paulo Guedes

Publicado: 30 Novembro, 2019 - 18h59 | Última modificação: 30 Novembro, 2019 - 19h06

Escrito por: Rogério Hilário

Taís Ferreira
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O tema Organização Sindical, resistência e luta, tendo como pauta Sindicatos fortes= Direitos, Soberania e Democracia leva a reflexões sobre o modelo que a classe trabalhadora quer para o mundo do trabalho em contraponto ao que o projeto nefasto de Jair Bolsonaro e Paulo Guedes tentam impor, com desmonte do Estado, da legislação trabalhista, retirada de direitos, privatizações e destruição da organização sindical. É o que demonstrou o presidente da CUT Nacional, Sérgio Nobre, durante debate realizado neste sábado (30), segundo dia do 13º Congresso Estadual da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CECUT-MG), realizado no Centro de Convenções do Sesc Ouro Preto.

“Este CECUT o tema é organização sindical. O governo Bolsonaro tem um projeto oposto do nosso. Temos que aprofundar cada vez mais a discussão, diante da nova divisão da produção industrial no mundo. Temos dois tipos de países: de um lado, produtores de tecnologia; de outro, aqueles que não produzem tecnologia, onde o salário é miserável, não tem organização sindical. O Bolsonaro fez a opção pelo segundo grupo. E isso traz enormes consequências. Nenhum país estabeleceu serviço público de qualidade sem ter base industrial forte. Um país não fica em pé assim. Segundo estudo da Cepal, a origem da pobreza do Brasil passou por isso. O projeto do Bolsonaro é a volta deste cenário. A reforma trabalhista aconteceu em 119 países,  para desorganizar o movimento sindical, retirar direitos e entregar as estatais. Querem destruir o Estado. Nunca houve desenvolvimento econômico no Brasil sem a participação do Estado. Com Getúlio Vargas e com os militares foi assim. No governo Lula a economia foi impulsionada por estatais e o BNDES.”

“O liberalismo é uma doença, não conseguiu melhorar nada e ainda demoniza tudo que é público. Em nossos debates, criamos uma campanha em defesa do serviço público e das estatais. Se isso for desmontado, a saúde, a população mais pobre é que mais vai sofrer. A campanha é todos nós. O país não cresce se destruir o Estado. É um projeto nefasto, que desmonta a legislação trabalhista e favorece a privatização. O governo Bolsonaro criou quatro grupos de trabalho. Um deles estuda estrutura sindical e mais projetos para a reforma trabalhista. Outro como baratear ainda mais a mão-de-obra. O terceiro, estuda revisão de normas trabalhistas, como acabar com as NRs, que o governo considera impedimento para o crescimento das empresas. Há estudo de segurança jurídica com o propósito de impedir ações trabalhistas. E também projeto de liberdade sindical, que é, mesmo, é para destruir a representação sindical. Os grupos têm até a primeira semana de dezembro para apresentar as propostas.”

“O objetivo do governo é retirar o artigo 8º, da organização sindical livre. Um modelo igual ao do Chile, em qualquer um pode criar sindicato, por local de trabalho e mesmo nestas condições poderia existir vários sindicatos. A pulverização seria tanta que levaríamos 20 anos para nos organizar. Por isso, as centrais se juntaram para construir um modelo alternativo. Uma MP como a 905 inclui muitas maldades. Tira o sindicato da negociação da PLR, por exemplo. Os bancários conseguiram reverter o trabalho aos domingos. Mas a crueldade do governo não tem limites. A crueldade total é a taxação do seguro desemprego. Veja bem, o programa da carteira verde amarela vai custar R$ 10 bilhões e a taxação do seguro desemprego vai render R$ 12 bilhões. Vai custear a implantação da carteira. A PEC é impossível de ser alterada de tão ruim. A nossa preocupação é o projeto será horrível e difícil de fazer emenda. Por isso as centrais construíram um projeto alternativo. E a Comissão de Constituição e Justiça vai analisa-lo na terça-feira. Ele propõe uma transição de 10 anos, pois não temos cultura de outro modelo, de repensar nosso poder organizativo. Conseguimos coletar 300 assinaturas de parlamentares. E nosso argumento foi de que, num governo arbitrário, a vez do Congresso vai chegar. ”

 “A defesa das estatais e do serviço público faz parte do combate às formas de precarização que estão criando. Acabaram com as pesquisas. Estão trazendo até satélite da China. Fizemos o debate com os jovens. Foi muito importante, porque que o espera é a indústria 4.0, ser empreendedor. Precisamos representar este povo, representar essa nova classe trabalhadora. Tem o pipoqueiro, o microempreendedor, home-office nós somos os representantes ideais para eles.  É preciso, lembro, compartilhar estrutura, unificar data-base, não podemos mais ser corporativos. Importante nesta conjuntura, de desmonte do Estado, é entendermos que não podemos nos limitar na atuação nos locais de trabalho, mas discutir com o povo. Quando falamos dos direitos, as pessoas são receptivas”, avaliou Sérgio Nobre.