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Prisão de Lula é mais uma etapa do golpe

Em audiência, Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa denuncia golpe que teria objetivo imediato de afastar ex-presidente da disputa eleitoral

Publicado: 16 Abril, 2018 - 20h11

Escrito por: Rogério Hilário, com informações da ALMG

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A prisão de Lula é "o desfecho do golpe que derrubou a presidenta Dilma Roussef" e se insere em um contexto de disputa das riquezas nacionais por grandes corporações e por grandes potências estrangeiras. Lula é um preso político e o objetivo imediato de sua prisão é afastar da disputa eleitoral o presidente mais popular do Brasil, líder em todas as pesquisas. É uma prisão injusta porque ele é acusado sem provas por um suposto crime, enquanto outros políticos contra quem pesam denúncias comprovadas, como gravações de áudio e vídeo, continuam soltos.

Essa foi a tônica das falas na audiência da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), na segunda-feira (16). Solicitada pelos deputados Cristiano Silveira, presidente da comissão, e Rogério Correia, ambos do PT, a reunião foi realizada na véspera do dia que marca a passagem de dois anos do impeachment da ex-presidenta Dilma e cinco anos da data em que Lula recebeu, na ALMG, o título de cidadão mineiro, em 15 de abril de 2013.

O presidente da comissão destacou que o impeachment caracterizou “o início do golpe que colocou a democracia brasileira em risco, ao tirar do governo uma presidenta, sem crime de responsabilidade e impôs um governo cujo principal objetivo é promover o desmantelamento do Estado e o pacote de reformas que retiram direitos dos trabalhadores".

Para Cristiano, de nada adiantaria ter feito o impeachment de Dilma se deixassem o ex-presidente Lula, à frente em todas as pesquisas eleitorais, livre para voltar ao poder. Ele denunciou “a cumplicidade da mídia”, e disse que “é uma prisão injusta, sem crime, sem provas, com um rito processual que não garantiu todas as possibilidades de recursos".

Apoios

Cristiano citou uma lista de políticos e lideranças estrangeiras que defendem a liberdade de Lula: o presidente boliviano Evo Morales, a ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner, o prêmio Nobel da Paz Adolfo Perez Esquivel, o partido Podemos, espanhol, 12 congressistas do Partido Democrata dos Estados Unidos, entre outros.

O deputado Rogério Correia frisou que “o presidente mais popular da história do Brasil, com 72 anos de idade, é um preso político”. “Lula foi o principal líder popular na derrubada da ditadura militar; como presidente, tirou 40 milhões de brasileiros da miséria e agora é preso sob a desculpa de ter recebido um triplex. O triplex foi ocupado hoje pelo MTST e a Justiça mandou desocupar. Ora, mas o Lula não é o dono? Ou o dono é quem mandou desocupar? Essa contradição, o Moro não consegue responder”, afirmou.

Interesses econômicos por trás da prisão

Na opinião de Rogério, por trás da prisão de Lula estariam interesses econômicos, que mobilizam o mercado internacional. “O pré-sal brasileiro é a segunda maior reserva de petróleo do mundo, depois da Venezuela. Há uma sanha do capital monopolista por essa grande reserva.

Segundo ele, três eixos orientam o impeachment de Dilma e a prisão de Lula: a quebra da soberania nacional, com isenção de impostos das empresas petrolíferas estrangeiras por 50 anos; o desmonte do Estado, com o desmantelamento da educação, saúde e assistência social; e a perda de direitos dos trabalhadores.

Joceli Andrioli, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), afirmou que “a prisão de Lula é a prisão do destino do povo brasileiro”. Segundo ele, o País passou a participar do grande jogo internacional com a aliança dos Brics, grupo que reúne Brasil, Índia, China, Rússia e África do Sul.

“Isso incomodou o imperialismo americano; o capitalismo está em crise, o dólar perde força e o próximo passo será a instituição de nova moeda ancorada nas riquezas estratégicas naturais, sendo a primeira o petróleo. O Brasil adquiriu a tecnologia de descobrir petróleo em águas profundas. Esse é o motivo principal do golpe. O destino da nação brasileira está em jogo”, afirmou.

Beatriz Cerqueira, presidenta da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT/MG) e coordenadora geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE/MG), antes de falar sobre o tema Lula Livre, disse que a vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada há mais de um mês no Rio de Janeiro,  “estará sempre em todas as nossas pautas”. “Quero esclarecer o motivo de uma Central Sindical estar nesta luta. Construíram a narrativa de que lutavam contra a corrupção e, com isso, não se percebeu que queriam mesmo era afastar e atacar o povo. O que ficou claro, e é muito grave, é que, se aconteceu com Lula, condenação e prisão de provas, pode acontecer com todos nós. Qualquer um pode ser preso sem ter a oportunidade de provar sua inocência”, analisou Beatriz Cerqueira.

“Antes de dizer não à  prisão de Lula, falo  Lula Inocente, pois foi uma condenação eivada de vícios e falta de provas. Estamos muito próximos da barbárie. E a CUT entra neste processo porque, também, foi um golpe contra a classe trabalhadora e estamos numa luta pela democracia e contra qualquer ruptura democrática. As pessoas precisam entender que este processo terá repercussões nas próximas décadas. Temos quase 13 milhões de desempregados. Quando andamos pela cidade vemos pessoas dormindo em barracas, que deixaram de comer três vezes por dia, não têm uma vida digna. Estão migrando para o mercado informal, sem carteira assinada, sem Previdência. Somos penalizados com a terceirização irrestrita e a reforma trabalhista”, afirmou a presidenta da CUT/MG.

“Não há futuro se esse estado prevalecer, com revisão da seguridade, com o risco de privatização do patrimônio do povo – venda da Caixa, do Banco do Brasil, privatização da Casa da Moeda. Ataca-se moralmente uma instituição, como aconteceu com a Petrobras, para privatizá-la. A prisão de Lula é porque ele deixou claro que revogaria dos projetos golpistas, com um referendo popular, e proporia a regularização da mídia. A elite nos encara como propriedade, tradição que vem do período da escravidão. Não tem programa, não se importa com direitos sociais. Lula significa o momento em que as pessoas ascenderam em direitos.  Por isso o golpe precisa destruir a liderança. Se não reagirmos, virão outras formas de extermínio, como no caso Mariella. Como a Dilma disse, no golpe vale tudo”, disse Beatriz Cerqueira.

Internautas participam

Uma internauta disse ter ficado emocionada com a carta enviada por Beatriz Cerqueira ao presidente Lula e perguntou a Rogério Correia como fazer para apoiar a luta. Ele apontou diversas formas, como participar de manifestações e  acampamentos pró-Lula, conversar com familiares e conhecidos, usar bottons e adesivos, entre outros.

Bernadete Monteiro, líder da Marcha Mundial das Mulheres, também lamentou o silêncio um mês após a morte da vereadora. Ela lembrou que, nesta terça-feira (17), o golpe completa dois anos e que uma Jornada de Mobilização vai acontecer até o dia 25 de abril. “Reconhecemos alguns elementos que estão sendo colocados. Nosso povo terá que ficar atento a isso. Os juízes demonstraram que são falíveis e não são neutros. Não estão do lado do povo. Quem está sendo punido todos os dias é o povo. A prisão do Lula é mais uma etapa do golpe para massacrar ainda mais o povo. Lutar por Lula Livre é lutar pela libertação do nosso povo.”

“Não temos saída: é ocupar as ruas. E construir uma grande greve nacional. A proposta deles é piorar ainda mais o país, querem o pré-sal, privatizar o SUS, a água, o setor elétrico. Por isso, estou aqui para defender o Lula. O tríplex foi só uma desculpa para tirar a maior liderança popular da história das eleições”, declarou Leopoldino Martins, diretor do Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais (Sindpetro-MG).

“Vivemos um momento que é o resultado da falta da democratização da comunicação. Cinco famílias, que dominam a mídia nacional, estão de acordo para retirar a democracia do país. O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação  (FNDC) apresentou uma plataforma n primeiro governo Lula, quando foi realizada a 1ª Conferência pela Regulamentação da Comunicação. Hoje estamos com a campanha ‘Calar Jamais’. Não podemos permitir que nos calem. Somos contra a repressão da censura nas escolas, nas redes sociais, contra o desmanche da comunicação  pública. Como disse Beatriz Cerqueira, Lula é inocente. Lula Livre”, disse Paulo Henrique Santos Fonseca, do FNDC.

Calendário

O deputado Rogério Correia informou que nesta terça (17) será realizado um ato pela liberdade de Lula, às 17 horas, na Praça Raul Soares, na Capital.

O feriado de Tiradentes, dia 21, será o Dia Nacional Lula Livre, em Ouro Preto (Central), e, logo após a entrega da Medalha da Inconfidência, manifestantes vão entregar a medalha Lula Livre. E no dia 23, em Curitiba (PR), o PT nacional vai confirmar a candidatura de Lula à Presidência.

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