Escrito por: Brasil de Fato MG

Zema deixa Minas com promessas vazias, hospitais fechados e propaganda enganosa

Gestão do pré-candidato à presidência foi marcada por desmonte da rede Fhemig, arrocho salarial e obras inacabadas na Saúde

Marina Ramos/Câmara dos Deputados

A gestão de Romeu Zema (Novo) à frente do governo de Minas Gerais chega ao fim com um rastro de contradições que a propaganda oficial tenta camuflar. Enquanto outdoors espalhados pelo estado alardeiam uma “saúde que avança”, a realidade vivida pela população e pelos servidores da área revela um projeto político de desmonte, privatização e desrespeito aos direitos básicos.

Recentemente, uma investigação do Brasil de Fato MG revelou que o governo Zema vem utilizando recursos públicos para promover o que parlamentares e movimentos sociais classificam como propaganda enganosa. Outdoors em diversas cidades atribuem ao estado a entrega de Unidades Básicas de Saúde (UBSs) que, na verdade, são obras realizadas e executadas com recursos municipais e/ou federais.

“Zema tem o péssimo hábito de fazer festa com o chapéu dos outros”, aponta denúncia feita por um vereador de Nova Lima, evidenciando que a tentativa de criar uma percepção de eficiência na saúde esbarra na falta de entregas concretas do governo estadual.

Hospitais regionais: promessas de 2018 ainda no papel

O balanço oficial do governo tenta vender a ideia de conclusão dos hospitais regionais, mas os números não mentem. Das seis grandes unidades prometidas ainda na campanha de 2018 em Sete Lagoas, Conselheiro Lafaiete, Teófilo Otoni, Governador Valadares, Divinópolis e Juiz de Fora, apenas duas foram entregues até março de 2026.

A demora de quase oito anos para concluir obras que já estavam paralisadas reflete a baixa prioridade dada à saúde pública no interior. Enquanto isso, a população segue dependente de deslocamentos exaustivos para a capital, sobrecarregando o sistema de Belo Horizonte que o próprio governo agora tenta encolher.

O fechamento do HMAL e o avanço da privatização

Um dos pontos mais sensíveis do governo Zema foi o plano de fechamento de unidades estratégicas da rede Fhemig. O Hospital Maria Amélia Lins (HMAL), referência em ortopedia, e o Hospital Alberto Cavalcanti (HMAC), especializado em oncologia, estão na mira do governo.

Sob a justificativa de “modernização” e transferência para um novo complexo hospitalar (HoPE), o projeto de Zema mascara uma política de privatização via Organizações Sociais (OSs). O Brasil de Fato MG acompanhou diversas manifestações de servidores e usuários que denunciam o risco de perda de leitos e a precarização do atendimento especializado. Especialistas dizem que o lema parece ser claro: fechar o que é público para abrir caminho ao lucro privado.

Arrocho salarial e desvalorização profissional

Não há saúde sem trabalhadores, e em Minas, eles acumulam perdas históricas. Durante os sete anos de gestão Zema, os servidores da saúde enfrentaram um arrocho salarial, com perdas inflacionárias que chegam a 27%.

Enquanto o governador articulou e aprovou um aumento de quase 300% para o próprio salário e para seu primeiro escalão em 2023, os profissionais que estiveram na linha de frente da pandemia receberam pequenos reajustes, que não cobrem a inflação do período. Analistas apontam que a política de “Estado mínimo” de Zema aplica-se apenas aos serviços prestados à população e aos salários de quem os executa, nunca aos privilégios da cúpula do governo.

Um Estado quebrado para o povo, rico para o capital

O cenário da saúde em Minas Gerais, na avaliação de especialistas ouvidos pelo Brasil de Fato MG, é o resultado de uma escolha política deliberada. Romeu Zema deixa o governo com superávits orçamentários celebrados pelos grandes empresários, mas à custa de hospitais fechados e servidores desvalorizados. O “jeito novo” de governar revelou-se, afinal, um projeto de sucateamento do público para favorecer o interesse privado.

Para os analistas em saúde pública, a lógica de austeridade fiscal e a busca por privatizações, como as defendidas pelo governo Zema, têm um impacto direto e negativo na universalidade e qualidade do Sistema Único de Saúde (SUS). Estudos apontam que a restrição de recursos e a terceirização de serviços podem levar à precarização do atendimento, à rotatividade de profissionais e ao enfraquecimento da atenção primária, gerando consequências graves para a população, especialmente para os mais vulneráveis.

Cientistas políticos, por sua vez, criticam a incoerência entre o discurso de eficiência e a realidade da gestão, onde a prioridade fiscal se sobrepõe às necessidades sociais, resultando em um desequilíbrio que penaliza o cidadão comum.

Outro lado

Procurado pelo Brasil de Fato MG para comentar as denúncias e esclarecer os dados apresentados, o governo de Minas Gerais não se manifestou até o fechamento desta reportagem. O espaço permanece aberto para eventuais posicionamentos.

Editado por: Ana Carolina Vasconcelos