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13º CECUT-MG reforça unidade, resistência e construção de estratégias

Abertura demonstra a importância das parcerias com os movimentos sociais, estudantis e populares e da CUTs Regionais

Publicado: 30 Novembro, 2019 - 01h53 | Última modificação: 04 Dezembro, 2019 - 11h11

Escrito por: Rogério Hilário

Taís Ferreira
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Unidade, resistência, enfrentamento, disputa da narrativa, construir um projeto de nação e estratégias para fortalecer o movimento sindical e derrotar o fascismo no Brasil e o projeto neoliberal e privatista em Minas Gerais.  Estas foram algumas propostas defendidas na noite desta sexta-feira (29) por dirigentes CUTistas, representantes do movimentos sindical, sociais e estudantis na abertura do 13º Congresso Estadual da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais  (13º CECUT-MG – Lula Livre! Lula Inocente! Sindicatos Fortes = Direitos, Soberania e Democracia, que está sendo realizado no Centro de Convensões do Sesc Ouro Preto.

A deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT), que se despede do cargo de presidenta da CUT/MG após dois mandatos, coordenou a abertura e enfatizou a importância da unidade, das parcerias com os movimentos sociais, estudantis e populares no Estado, a participação decisiva dos sindicatos, entidades CUTistas e das CUTs Regionais nas lutas dos quatro últimos anos. Para ela, a composição da mesa demonstrou a força e a representatividade do que a Central articulou e que não só terá continuidade como será ampliada em Minas Gerais com a nova Direção Estadual.

“Participamos de muitas atividades nestes anos todos e esta mesa é muito grande para demonstrar o quão fortes somos. Ela é o reconhecimento disso e tem um enorme significado político na construção da representatividade da CUT. Mostra que não estamos sozinhos neste momento, que é o pior desde a democratização do país. Momento em que as pessoas estão desempregadas, passando fome, perdendo a perspectiva de futuro, e cresce o número de suicídios. Durante este período, construímos frentes. Daqui saíram sempre muitas lutas. Em defesa da democracia, em defesa da Petrobras, contra o golpe. Nós não saímos das ruas. Em 2013, estivemos nas ruas e sofremos ataques. Fizemos ações, mobilizações e manifestações contra dois crimes ambientais, da Samarco e da Vale, em Mariana e Brumadinho, um deles com 19 mortos e o outro com quase 300. Não temos como apresentar balanços. Não tivemos tempo. Fomos convocados o tempo todo. Ficamos os últimos quatro anos nas ruas”, destacou

“Lula esteve conosco no Congresso de 2015. Quando ele foi preso, em abril de 2018, nós trancamos as ruas. Beatriz, assumimos o compromisso em abril de 2018 para estarmos na vigília. E estávamos lá quando ele saiu da prisão política. Quem faz a política em uma vigília sabe o que isso significa. E estamos aqui para construir estratégias e táticas contra o fascismo que tomou conta deste país. Para lutar contra o não-estado que existe hoje em Minas Gerais. Zema não fará isso. Se deixarmos não sobrará nada no Estado daqui há quatro anos. Estamos aqui, aprendemos e aperfeiçoamos nossa capacidade de lutar. As forças conservadoras estão preocupadas com o nosso Congresso. Foi uma grande honra ter sido a primeira mulher a presidir a Central. E, na Assembleia Legislativa, eu sinto o quanto é difícil para esta sociedade machista e patriarcal conviver com uma mulher bem-sucedida. Eu andei sozinha, com companheiras e companheiros. E derrotamos o neoliberalismo em Minas Gerais”, recordou Beatriz Cerqueira.

“Depois disso, as ruas continuaram chamando a gente. Agora, depois de uma eleição fraudada, feita no whatsup, que não foi honesta, enfrentamos um presidente ilegítimo. Todos nós que estamos aqui representamos sindicatos com uma história. E que podem ser destruídos por este governo fascista. Que  a gente volte para as bases e saibamos contar o que construímos aqui para parar esta destruição”, disse a presidenta da CUT/MG e deputada estadual.

Para Jairo Nogueira Filho, secretário-geral CUT/MG e coordenador do 13º CECUT-MG, o Congresso será fundamental para construir propostas para mudar a realidade do povo brasileiro. “Aprendi muito com a Beatriz nos dois mandatos e desde a greve da educação, em 2011. Obrigado por tudo que fez. E quero cumprimentar a companheira Regina Costa, presidenta da CUT Paraná. Quem esteve em Curitiba sentiu uma sensação estranha. A gente ficava a poucos metros de Lula, mas não podia tocá-lo. Alguns está pareciam desanimados. Mas a lucidez que Lula demostrava em suas entrevistas, apesar de preso, nos reanimou. Fizemos amizade com um dono de restaurante. Eles nos contou que, a princípio os carcereiros ficavam revoltados e queriam matar o Lula. Dias depois, eles já tinham dúvidas se o Lula era culpado. Depois, ficavam convencidos da sua inocência. Eram obrigados a trocar os carcereiros. O Lula nos ensinou o poder de conversar com as pessoas. Colocar pra elas que esta realidade não é a que conhecemos. Temos que fazer isso e vamos fazer. Vamos sair deste Congresso prontos para conversar com o nosso povo. Temos a responsabilidade de eleger uma direção para mudar a realidade do nosso povo. Lula  Livre, Lula Inocente e quem luta educa.”

Milton Resende, o Miltinho, da Direção da CUT Nacional destacou a resistência dos companheiros e das companheiras que durante 580 dias ficaram em vigília em Curitiba. “Faço uma saudação especial a um grande camarada, o companheiro Lula. E a todos e todas da luta em Curitiba, com chuva, sol e a violência da polícia. Resistimos, com o apoio da companheira Regina Costa. Resistimos 580 dias. Estaremos na luta pela inocência de Lula. Mas quero destacar o momento em que vivemos no país. Um momento de exceção, onde todo dia uma Marielle é assassinada, uma criança é morta por bala perdida, negros são mortos, companheiros e companheiras LGBTs sofrem violência e são assassinados. É preciso ter unidade política, pois só ela vai derrotar este momento. Unidade dos partidos de esquerda, dos movimentos sociais, do movimento sindical. Durante este Congresso, vamos organizar a resistência, nossa estratégia para derrotar o fascismo. Juntos somos fortes, juntos somos CUT.”

“Cumprimento Beatriz, nossa presidenta até amanhã, e Regina, para falar do que ela abdicou nos 580 dias de vigília, naquele espaço de resistência. Quem foi lá voltou vitaminado. Voltou para reconquistar aquilo que merecemos. CUT voltou à sua origem em um novo contexto, com o Congresso em Praia Grande. Todos aqueles e aquelas que passaram pela ditadura, sabem o que estamos passando. O momento atual é muito pior. Com a unidade para não cometermos que nós cometemos nos anos 1990, quando deixamos crescer o neoliberalismo. As manifestações aqui em Minas Gerais demonstram a unidade. Colocar nas ruas 250 mil pessoas não é fácil. A unidade e a luta vão derrotar este projeto de extrema direita. A manifestação cultural é fundamental para isto. Os fascistas detestam a alegria que mostramos e não vamos parar de ir pra cima deles. Um detalhe: hoje é o Dia Internacional de Apoio à Palestina Livre. Momento de dizer lula Livre, Lula Inocente e Palestina livre”, afirmou José Celestino Lourenço, o Tino, secretário de Cultura da CUT.

Parta o deputado estadual Roberto Cupolillo, o Betão (PT), professor de geografia que fez parte da diretoria do Sinpro-JF, diante da conjuntura difícil que vive a classe trabalhadora, com ataques a todo o instante, o Congresso é importante para apresentar aos sindicatos estratégias. “Sofremos ataques de todos os lados com Bolsonaro e, aqui, com Zema, com o Regime de Recuperação Fiscal e projeto de privatizações. Precisamos armar politicamente os sindicatos para enfrentar Bolsonaro e Zema. Lula Livre, Lula Inocente e vamos à luta, companheirada.”

Paula Oliveira, representando o deputado federal Patrus Ananias (PT), avaliou que um dos eixos que levou ao governo a extrema direita foi a criminalização da política. “Neste momento de resistência é nestes espaços que temos que buscar o fortalecimento da política e dos sindicatos. A CUT tem um papel fundamental nesta luta. Em nome do deputado Patrus Ananias, trago os votos de um grande Congresso. Precisamos levar isso à discussão com a população, pois a disputa da narrativa é muito importante.”

“Não podia deixar de vir aqui. A parceria que eu e Beatriz fizemos, com o Coletivo de Mulheres Presidentas, Coletivo de Presidentes da CUT. Organizamos, em 29 de abril de 2015, manifestação e levamos bombas do Beto Richa (então governador). A CUT Minas nos deu todo o apoio. O Congresso é de muitos desafios para a classe trabalhadora e do povo. Em Curitiba, passamos quase um ano e meio lá, recebendo caravanas de todo o país, principalmente de Minas Gerais. O Lula ainda não está totalmente livre. A luta pela sua inocência continua. Vocês viram o que aconteceu no TRF4. A CUT é fundamental para combater o fascismo. Junto com os movimentos sociais. Lula Livre, Lula Inocente e viva a nossa Central Única dos Trabalhadoras e das Trabalhadoras”, disse a presidenta da CUT Paraná, Regina Costa.

 “Em nome dos atingidos por barragens e por crimes de mineradoras, faço um agradecimento à CUT Minas pelo tudo que fez. Nossa luta em Minas Gerais não caminharia sem a aliança com a CUT. Os moradores de Mariana e de Brumadinho dizem que a lama da Samarco e da Vale traz o ‘som da morte’. E nós anunciamos o ‘som da vida’, de uma forma profunda. O ‘som da morte’ está nos palácios, nas câmaras, que tratam de coisas sensíveis mas não fazem o principal. Implantaram silenciosamente o AI5 na prática. Há um processo na Amazônia, um inquérito forjado para prender pessoas, uma intervenção direta muito clara. Uma plenária de atingidos foi invadida por policiais, que ameaçaram as pessoas. Fazem testes a conta-gotas para ver como vamos reagir. Não podemos vacilar diante da força neofacista que avança no Brasil.  Precisamos da unidade no campo popular, na construção de uma pauta de luta que pressione o Estado brasileiro e o capital. De coragem e capacidade de voltar ao centro da unidade política e atrair setores além da esquerda. Conquistar o povo brasileiro. Tem que ter o protagonismo das mulheres e  dos negros e das negras. O MAB não existiria se não fossem as mulheres. Muito obrigado, força na luta e vamos superar o que está aí”, afirmou Tiago Alves da Silva, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

“Ficamos felizes com o convite. O protagonismo das mulheres CUTistas  ajudou na construção da Marcha Mundial de Mulheres, em 2000, com a campanha ‘dois mil motivos de se marchar contra a violência e a pobreza’”, lembrou Isabel Gonçalves, da Marcha Mundial de Mulheres. “As entidades que estão aqui nos inspiram nas nossas lutas  em defesa da educação. Venho reafirmar que todos os desafios que foram colocados não são as CUT. São nossos. Reafirmar nossa parceria, nossa coletividade, nosso desejo de fazer. Somos todos atingidos. Se o Zema quer a fusão de turmas, mexe com a classe trabalhadora. Com as privatizações, atinge o povo mineiro. Vamos fortalecer as nossas entidades com um arco de alianças para construir um projeto de nação, seguir construindo lutas cotidianamente”, propôs Paula Silva, da União Nacional dos Estudantes (UNE).

“Durante a militância no Movimento Negro vi a importância da parceria com a Central. E também vejo o quanto persiste o racismo no campo do trabalho. Nós negros e mulheres continuamos em segundo e quarto lugares no mundo do trabalho. E foi triste demais o que o presidente empossado da Fundação Palmares fez. Ele atacou frontalmente o movimento negro. Por isso, para nós, é fundamental estar na abertura deste Congresso”, disse José Carlos de Souza, do Movimento Negro Unificado.

José Antônio de Lacerda, o Jota, da CTB, afirmou que o mais importante “é não abaixarmos a cabeça”. “Uma geração importante, que lutou pelo fim da ditadura, na abertura, nas diretas já, no processo de Lula e agora contra o fascismo, nunca baixou a bandeira e não vai baixar. Sofremos uma derrota política e ideológica e encontramos coisas que não encontrávamos. Amigos e gente da família votaram contra a gente. Na Frente Brasil Popular lutamos contra Temer e Bolsonaro. Fizeram de tudo, mas não conseguiram matar nossos sonhos. Seguimos vivos. Já fui presidente da CUT e tenho um grande carinho por todos. Um abraço fraterno para todos. Vamos construir uma ampla frente em defesa da democracia.”

Marcelo D’Agostini, representante da LPS, também agradeceu o convite para compor a mesa de abertura do 13º CECUT-MG. “Quero manifestar sentimento pessoal de muita alegria de muita satisfação de estar aqui. Muitos que participamos da fundação da CUT, instrumento de esperança e expressão das categorias. Vivemos um dos momentos mais dramáticos e mais complexos, de redefinição do capitalismo e de ampliação dos lucros, de retirada de conquistas da classe trabalhadora. Faremos frente a isso se estivermos preparados, organizados. O Congresso deve criar uma estratégia para recuperar o que temos perdido. Saiamos preparados para o novo período, sem conciliação de classe, imbuídos da luta pela nossa independência, que inspirou a construção da CUT. A emancipação da classe trabalhadora será obra dos próprios trabalhadores.”

O coordenador-geral da Escola Sindical 7 de Outubro, Adilson Pereira dos Santos, enfatizou a importância de fortalecer a formação na atual conjuntura. “É o quarto Congresso de que participo. Que é a extensão do projeto que sempre foi a CUT Minas, sempre se posicionou e se posiciona. Além do golpe contra a Dilma, vimos uma juventude votando e menosprezando o que enfrentamos na ditadura. E hoje, com um governo fascista, eles veem, com um governo fascistas, o que é um golpe. Dentro das nossas famílias, agora todo mundo caiu na real. Dólar a R$ 4,23, situação caótica. Era bom com Lula e agora estão comendo ovo. O governo tira direitos do trabalhador todo o dia e fragiliza o movimento sindical. A Escola 7 de Outubro está aí para mostrar isso e formar dirigente. Ela mantém seu compromisso de formação, aliada à CUT Minas. E em nome de Rosane Bertotti, secretária de Formação da CUT, que tenhamos um ótimo Congresso.”

Jonathan Bernardo, o Jojô do Levante Popular da Juventude, iniciou sua fala com um incentivo. “Cansados. Não. Na luta do povo, ninguém descansa. Os cenários para juventude não são bons, num contexto em que um rolo compressor nos deixa a dúvida: que perspectiva é essa de futuro? A juventude tem o direito de trabalhar. Não podemos desanimar e, sim, aprofundar a nossa capacidade de organização. Precisamos estar juntos com os professores, com o Movimento dos Atingidos por Barragens, com os eletricitários. Em resumo, como todas e todos os lutadores. Com as mulheres. Com o povo negro, num país que é majoritariamente negro. Com LGBTs. Temos um compromisso com a CUT. Nossa luta política é necessária, como, também, é prioritário ampliar nosso espaço de organização. Longa vida à CUT.”

CUTs Regionais

Beatriz Cerqueira também destacou o papel estratégico das CUTs Regionais nas mobilizações e na articulação em um Estado com as dimensões de Minas Gerais. Para Luís Sérgio dos Santos, o Luisão, reeleito presidente da CUT Regional Triângulo Mineiro, essa sintonia terá continuidade. “É com muito carinho que estamos aqui. Neste momento em que classe trabalhadora sofre seguidos ataques, com reforma trabalhista, reforma da Previdência, mirreformas, a MP 905. As Regionais estiveram nas lutas de 2016, contra o Impeachment e contribuíram muito com as caravanas. Vamos precisar de todos. Como disse Beatriz, Minas é muito grande. É preciso estarmos unidos. Não podemos abaixar a cabeça.”

“Beatriz acompanhou toda a nossa trajetória, foi muito importante para gente. A companheira Lourdes (secretária de Organização e Política Sindical) nos acompanhou em todas as lutas na Zona da Mata. A CUT Regional e os sindicatos são muito unidos. Bancários, Sind-UTE, Correios, cada sindicato colaborou para que conseguíssemos rodar toda a região. O companheiro Reginaldo é que está dando continuidade ao trabalho. E estamos na luta com o governo golpista e miliciano. Mas somos fortes, somos CUT. Marielle vive, Lula Livre, Lula Inocente”, declarou Watoira Antonio, vice-presidente da CUT Regional Zona da Mata.

“É importante que não esqueçamos que em Minas temos um representante do Bolsonaro. É muito importante eu nós sintamos responsáveis quando atacam escolas, a educação, atacam todos nós. É de nossa responsabilidade estarmos atentos e preparados para luta, pois representamos a classe trabalhadora, que está ficando diversa, com muita informalidade. Temos que saber dialogar com todos. Ter coragem para fazer a discussão, pensar e repensar  o movimento sindical. E juntos, dar continuidade à parceria e ao companheirismo para fazer nossos movimentos”, disse Maria Aparecida Lima, eleita presidenta da CUT Regional Vale do Aço.

As lutas contra a perda de direitos e o desemprego são os maiores desafios da CUT Norte de Minas, segundo Geraldo da Costa Silva, o Gera, presidente da Regional. “Os trabalhadores são atingidos pela perda de direitos e o desemprego. É um grande enfrentamento. Em Montes Claros, cidade com 500 mil habitantes, há 100 mil desempregados. E ainda corremos o risco de ficar sem água, devido às plantações de eucalipto. Nós precisamos sair unidos e fortes, para reconquistar quem contribuiu para as eleições do fascista e do deste varejista de Minas Gerais.”

Mística

O 13º Congresso Estadual da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CECUT-MG) foi aberto na noite desta sexta-feira (29), no Centro de Convenções do Sesc Ouro Preto, com leitura e aprovação do Regimento Interno. Depois o Coletivo Mundicá, de Belo Horizonte, apresentou uma mística em que homenageou dois ilustres pernambucanos: o cantor e compositor Luiz Gonzaga e o ex-presidente Lula. Durante a apresentação, que encantou os congressistas, todas e todos cantaram “Asa Branca” e “Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”.