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Educadoras e educadores mineiros protestam contra reformas de Zema e Bolsonaro

Profissionais da educação de todo o Estado fazem manifestação em atividade paralela à cerimônia de entrega da Medalha da Inconfidência

Publicado: 16 Abril, 2019 - 10h37 | Última modificação: 24 Abril, 2019 - 12h03

Escrito por: Sind-UTE/MG

Sind-UTE/MG
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Como já é tradição, todos os anos no dia 21 de abril, educadoras e educadores protestaram em Ouro Preto no último domingo (21), em atividade que acontece em paralelo à solenidade da entrega da Medalha da Inconfidência Mineira. Este ano, mesmo diante das dificuldades e da determinação do Comando da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) a mando do governo  Romeu Zema, de impedir que os manifestantes fizessem o ato público na Praça da Rodoviária, profissionais da educação de todas as regiões do Estado não desistiram de fazer a luta.

Depois de mais de três horas de negociação e diante da negativa por parte da PM, a coordenadora-geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE/MG)  e deputada estadual, Beatriz Cerqueira, se reuniu com a categoria e mudou a estratégia. Se até a Praça da Rodoviária estava fechada o jeito seria caminhar ao longo da BR-356 e buscar outro local.

“Estamos aqui para protestar contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 06) da Reforma da Previdência de Bolsonaro e contra as pautas de Zema que retiram direitos da educação. A adesão do Estado à renegociação da dívida vai impactar a vida e a carreira dos servidores.  Temos cerca de 10 mil postos de trabalhos retirados e mais de 80 mil alunos sem o direito à escola de tempo integral. A educação sempre marcou presença no Dia da Inconfidência Mineira em Ouro Preto. Para nós esse é um dia de protesto”, reforçou Beatriz Cerqueira. 

Os manifestantes, então, caminharam por um longo percurso até o local onde estava o caminhão de som da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais  (CUT/MG), bem distante da entrada de Ouro Preto. Profissionais da educação de diversas regiões do Estado: Central, Vale do Jequitinhonha, Norte, Centro-Oeste, Zona da Mata, Noroeste, Vale do Aço, entre outras, marcaram presença.

Com bandeiras, faixas, palavras de ordem, mandaram alguns recados ao governador e disseram que não haverá arrego enquanto Zema continuar atacando os direitos da categoria. “São mais de 100 dias de enrolação e de retirada de direitos da educação”, disseram, enquanto caminhavam sob sol forte ao longo da rodovia.

As bandeiras que o governador impediu que descessem as ladeiras de Ouro Preto, de acordo com Beatriz Cerqueira, serão levadas ao Plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Lá também a deputada garantiu que fará um desagravo a essa postura totalitária e antidemocrática.

Ao falar da proposta de Reforma da Previdência de Jair Bolsonaro,  a coordenadora-geral do Sind-UTE/MG lembrou que a intenção de aumentar a alíquota de contribuição para arcar com o falacioso déficit previdenciário é uma estratégia. Eles querem, na verdade, segundo Beatriz é atacar os direitos de servidoras e servidores e da classe trabalhadora. “Todos e todas irão perder com essa reforma”, alertou.

Quanto à Reforma Administrativa de Zema, se aprovada, vai aumentar a contribuição previdenciária de servidoras e servidores para 14% e isso atingirá todo o funcionalismo. “É por isso que abrimos mão do almoço com a família neste domingo de Páscoa; de um dia de lazer para vir dar o nosso recado e manter a nossa coerência. A gente vem aqui todos os anos, em todos os governos. Já teve tempo em que ficamos na BR, em outras épocas não fomos até à Praça Tiradentes e agora não pudemos sequer ficar na Praça da Rodoviária. O Novo que não é tão novo assim, não tem a capacidade de conviver com vozes diferentes. Isso não é democracia. Tentam nos tirar nossos direitos, mas não vão conseguir”, afirmou Beatriz Cerqueira.

“NÃO FUGIREMOS À LUTA!”

Durante todo o tempo da manifestação, trabalhadoras e trabalhadoras em educação cobraram do governo Zema a abertura de negociação como o Sindicato e denunciaram os seus desmandos. “Não vamos nos curvar ao governo Bolsonaro, que quer retirar o nosso direito de aposentar, e também não vamos nos curvar ao governo Zema, que ataca a educação. O ato de lutar é sagrado, e faz ressurgir a esperança de um mundo melhor”, disse Fábio Garrido, diretor estadual do Sind-UTE/MG. Ele cobrou ainda esclarecimentos sobre a morte da vereadora Marielle Franco (Psol-RJ) e destacou que essa é uma luta coletiva pelo direito à vida.

Pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Marilda de Abreu Araújo, cumprimentou educadoras e educadores vindos de todas as regiões do Estado e denunciou os desmandos de Romeu Zema. “É preciso união para impedirmos a retirada de direitos e fortalecer a nossa luta. Contem sempre com a CNTE!”

Bruna Monalisa, da Frente Brasil Popular, reforçou a garra do movimento e destacou a importância da coletividade.  “Estamos aqui num domingo de Páscoa abrindo mão de estarmos com as nossas famílias para fortalecer a luta do povo.”

Denise Romano, diretora estadual do Sind-UTE/MG, disse que a Reforma da Previdência vai atacar direitos de todos e cobrou mais respeito à educação. “Só a luta garante conquistas e não vamos dar tréguas enquanto nos atacarem”, ressaltou.