• TVT
  • RBA
  • Rádio CUT
MENU

Acidente deixa três trabalhadores feridos com ácido sulfúrico na Regap

O quadro de saúde do operador Antenor Pessoa Cavalcante é estável. Este foi o segundo acidente deste ano na refinaria de Betim

Publicado: 07 Agosto, 2018 - 17h14 | Última modificação: 09 Agosto, 2018 - 11h25

Escrito por: Sindipetro/MG

Sindipetro/MG
notice

 

É estável o quadro do operador que sofreu um grave acidente na segunda-feira (6) na U-47 da Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim. Ele permanece internado no Centro de Tratamento Intensivo do Hospital Mater Dei, em Belo Horizonte, sem previsão de alta.

Antenor Pessoa Cavalcante foi atingido por ácido sulfúrico 98% quando houve o rompimento de uma conexão de um Indicador Local de Pressão (PI) próximo ao local onde ele realizava o teste de uma válvula. Ele foi atingido pela substância e teve as costas, o peito e parte do rosto e do braço e antebraço esquerdos afetados.

De acordo com a equipe médica, Antenor teve 20% do corpo queimado e segue entubado por risco de infecção, especialmente na região do pescoço que foi a área mais atingida. Ele sofreu uma lesão reversível no olho direito e não teve as vias aéreas comprometidas.

O coordenador do Sindipetro/MG, Anselmo Braga, esteve no hospital nesta terça-feira (7) e na segunda e prestou toda a solidariedade aos familiares da vítima. Também colocou à disposição da família o departamento jurídico do Sindicato.

Antenor Pessoa e outros dois trabalhadores da Petrobrás ficaram feridos em um acidente na tarde de segunda-feira (6) na Regap. Um operador e dois técnicos de manutenção acompanhavam o teste de uma válvula do sistema de ácido sulfúrico 98% da U-47 quando houve o rompimento de uma conexão de um Indicador Local de Pressão (PI) próximo ao local de serviço, emitindo um jato de ácido que os atingiu.

O operador sofreu queimaduras no rosto e teve o olho esquerdo atingido pelo ácido sulfúrico. Já os outros dois trabalhadores sofreram queimaduras leves. Um deles foi atendido e liberado ainda na refinaria. Outro foi encaminhado para o Mater Dei e, após atendimento, foi liberado com atestado médico até quarta-feira (8). O caso está sendo acompanhado pelo Sindipetro/MG.

Esse é o segundo acidente registrado com empregados da Regap esse ano. O primeiro aconteceu em março deste ano com um operador que sofreu uma escoriação no tornozelo ao descer de um dos ônibus da empresa que presta serviço de transporte para a Petrobrás em Betim.

O acidente foi provocado porque a tampa do assoalho quebrou quando o trabalhador desembarcava do veículo, o que fez com seu pé esquerdo afundasse em direção à caixa de marchas do ônibus.

Não foi necessário atendimento médico, mas foi expedida uma Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) para que o caso fosse apurado.

Outro acidente

Também na manhã desta segunda-feira (6), uma Kombi da empreiteira Manserv pegou fogo dentro da Regap. O incêndio ocorreu no motor do veículo e foi rapidamente controlado com uso de canhão de água e extintores. Ninguém ficou ferido.

Desmonte

A política de cortes de investimentos e privatização de ativos potencializaram os riscos de acidentes, principalmente em função da redução de efetivos, da falta de manutenção das unidades e da consequente precarização das condições de trabalho.

No ano passado, foram registrados seis acidentes nas unidades da Petrobrás em Minas. Em um deles, registrado na Termelétrica Aureliano Chaves, um um técnico de manutenção sofreu uma lesão no rosto durante atividade em esmeril da oficina da unidade.

Os demais acidentes ocorreram na Regap e envolveram vazamentos de amônia, petróleo em alta temperatura e diesel, em alguns casos até provocando incêndios, mas sem vítimas.

Em pesquisa feita pela FUP e sindicatos com os trabalhadores de refinarias, 94% dos 1.180 petroleiros que participaram da consulta informaram que não se sentem seguros nas unidades. Apenas 170 trabalhadores disseram ter tido algum tipo de treinamento sobre os procedimentos de Segurança e Saúde no Trabalho com Inflamáveis e Combustíveis, como prevê a NR-20.

O cenário de insegurança é o mesmo nas plataformas, terminais e campos de produção terrestre, onde vários ativos estão sendo privatizados. O resultado desse desmonte é o aumento das ocorrências de emergência, acidentes frequentes e 14 trabalhadores mortos nestes dois anos da gestão temerária dos golpistas.

carregando