Atingidos por Barragens bloqueiam via em Mariana
Os atingidos questionam a volta da operação da mineradora Samarco, uma vez que a população atingida ainda não teve a reparação e seguem sem direitos
Publicado: 05 Novembro, 2019 - 14h32 | Última modificação: 05 Novembro, 2019 - 14h41
Escrito por: Frente Brasil Popular e Brasil de Fato
No dia que completa quatro anos do crime da Samarco, Vale e BHP Billiton, cerca de 200 atingidos por barragens nas bacias do rio Doce, do rio Paraopeba e do rio Jequitinhonha bloqueiam a MG 129-saída para Barão de Cocais - em Mariana na manhã desta terça-feira (5).
Os atingidos questionam a volta da operação da mineradora Samarco, uma vez que a população atingida ainda não teve a reparação e seguem sem direitos. “O deles eles olham, mas em quatro anos não deram o que n[os merecemos”, afirmou um dos atingidos que participaram do protesto.
A Barragem do Fundão, da mineradora Samarco/Vale/BHPBilliton, se rompeu em Mariana no dia 5 de novembro de 2015. Mais de 39 milhões de metros cúbicos de lama se espalharam pela bacia do Rio Doce, deixando um rastro de destruição que chegaria até o litoral do Espírito Santo.
Quatro anos depois, o rio está morto, atingidos estão sem casa, e famílias choram a morte de 19 pessoas. A mineradora, por outro lado, fechou o terceiro trimestre de 2019 com um lucro de US$ 1,6 bilhão (R$ 6,5 bilhões) e aumentou em 20,2% a extração de minério de ferro na comparação com o trimestre anterior
O primeiro aditivo ao Termo de Compromisso Socioambiental (TCSA), obrigando que a Samarco pague renda mínima para pessoas afetadas pela lama no Rio Doce, foi assinado em dezembro de 2015. Em março do ano seguinte, mineradoras, governo federal e governos de Minas Gerais e do Espírito Santo firmaram um termo para reparação dos danos, calculados em R$ 20 bilhões. O Ministério Público Federal (MPF) e os movimentos populares afirmam que acordo era ruim para as vítimas.
Em maio de 2016, o MPF entrou com uma ação para a total reparação dos danos, no valor de R$ 155 bilhões. A quantia é oito vezes maior que o acordo feito pelos governos com as mineradoras.
A partir de então, descobriu-se que a Vale adulterou relatórios para confundir investigação, perseguiu manifestantes e ocultou estudos que mostram contaminação na poeira das casas de Mariana.
A criação da Fundação Renova, para gerir as ações de reparação dos danos, não ajudou em nada, segundo os atingidos. Na direção, estão funcionários das empresas responsáveis pelo rompimento, Vale e BHPBilliton.
Em novembro de 2016, 22 pessoas e quatro empresas foram denunciadas por crimes na tragédia de Mariana. Até hoje, ninguém foi condenado.