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Ato em Belo Horizonte marca Dia Nacional de Zumbi e Dandara e da Consciência Negra

CUT/MG, base CUTista, outras centrais e movimentos sociais tomam a Praça Sete e denunciam racismo estrutural como política institucional no governo de jair Bolsonaro

Publicado: 20 Novembro, 2020 - 18h21 | Última modificação: 20 Novembro, 2020 - 18h34

Escrito por: Rogério Hilário

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Em um momento em que o racismo estrutural, implantado há séculos e a cada dia mais entranhado na sociedade brasileira, se transformou em política institucional, assim como o extermínio negro, sob o governo fascista, racista, homofóbico e genocida de Jair Bolsonaro, sair às ruas, denunciar e conscientizar a população se tornou vital para negras e negras deste país. Por isso, a Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT/MG), a base CUTista, outras centrais, movimentos sociais e políticos realizaram, na manhã desta sexta-feira (11), ato simbólico do Dia Nacional de Zumbi  e de Dandara e da Consciência Negra na Praça Sete,  Região Central de Belo Horizonte.

A manifestação, além dos inúmeros ataques racistas que aconteceram nos últimos dias, foi marcada pelo repúdio a mais um ato que comprova a política genocida em vigor contra a população negra: o assassinato, às vésperas da data, de João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, espancado por seguranças do supermercado Carrefour, em Porto Alegre (RS). Fato que veio corroborar ainda mais a luta contra a o preconceito, a discriminação e a violência contra negros e negras. O ato foi coordenado por Jairo Nogueira Filho, presidente da CUT/MG, e José Carlos de Souza, do Movimento Negro Unificado (MNU).

O protesto na Praça Sete foi apoiado por pessoas que passavam pela praça. No ato  aconteceram duas intervenções de pessoas que passavam pela Praça Sete, que não quiseram se identificar. “Martin Luther King disse: nós viemos de navios diferentes, agora estamos no mesmo barco. O sofrimento dos negros é de todos nós. Um negro sendo espancado até a morte num supermercado mostra como está o racismo neste país. Compartilho a necessidade de luta com vocês. Quando um negro é elogiado, fazem questão de colocar negro como adjetivo, como se fosse: apesar de ser negro, ele venceu”, disse um deles.

“Chamamos o povo negro à reflexão pois estamos em meio a um genocídio. Os governos não se importam com a população negra, que está exposta ao tráfico, à discriminação, à violência policial, excluída dos serviços públicos, sofrendo com o racismo estrutural e institucional. É hora de reagir, resistir e lutar com nossas bandeiras contra o racismo. Reagir e lutar pela igualdade, contra todo o tipo de preconceito. Estamos aqui na praça para conclamar a todas e todos à luta por direitos e igualdade neste Dia Nacional da Consciência Negra. Para resgatar a importância de negras e negros na construção deste país. Para dizer que vidas negras importam. Viva Zumbi, vida Dandara”, disse José Carlos de Souza, do Movimento Negro Unificado (MNU), ao abrir o ato.

 “A voz do povo negro está ecoando por toda a cidade, pelo mundo, reivindicando direitos iguais. Parabenizo a iniciativa da CUT no dia de luta do povo negro fazer o debate pela conscientização sobre a desigualdade que tem no mundo. Onde até o negro que tem dinheiro é discriminado. A luta tem que ser levada à consciência de classe. Somos discriminados no dia a dia em todos os lugares. Estamos aqui para fazer um chamamento à população de que é preciso se conscientizar e estar do nosso lado contra o racismo estrutural, que se ampliou no governo genocida de Jair Bolsonaro. Os negros estão nos piores empregos, nas perifeiras. Na Cemig, desde 1997, com os contratos de terceirização, a maioria dos trabalhadores contratados pelas empreiteiras são negros. E morre um trabalhador terceirizado a cada 45 dias. Sofremos todo o tipo de preconceito e discriminação. Seguiremos lutando. Seguiremos o exemplo de Zumbi dos Palmares. Vida Dandara”, disse Robson Silva, presidente do Sintect/MG.

“Discordo do conceito de que a pobreza vem do negro. O que vem do negro é a riqueza. As riquezas da África são exploradas pelo mundo inteiro. Bolsonaro colocou na Fundação Palmares um negro (Sérgio Camargo) que não se assume como negro. Que expulsou  da lista de negros importantes  Milton Nascimento, um dos artistas mais importantes deste país. Precisamos fazer um movimento muito forte contra isto. Tirar este capacho de Bolsonaro que está jogando o nome da Fundação Palmares na lama. O dia de hoje é muito mais do que de celebrar, para marcar a luta de negras e negros no seu dia a dia. Negros que, ao entrar em um shopping ou num supermercado, são perseguidos por seguranças. Um dia para nós é muito pouco. Precisamos de muitos. É este o país que a gente quer? Ser negro tem que ser tão sofrido? A minha vida importa, a sua vida importa, todas as vidas importam. Nosso debate tem que ser de classe, pois somos oprimidos como trabalhadores. Viva Zumbi, viva Dandara, viva Ganga Zumba”, disse Sebastião Maria, secretário de Administração e Finanças da CUT/MG.

 “Temos que acabar com o preconceito e com todas as formas de discriminação. Sou do Sinpro-MG e represento também a CTB e a Defensoria Pública. As mulheres negras são as principais vítimas de homicídios, enquanto as brancas são de lesões corporais. Mas não diferem a raça das vítimas, nos registros. Os números mostram que 75% das mulheres assassinadas no Brasil são negras. Na Defensoria Pública estamos à disposição das mulheres, que têm medo de ir às delegacias. Procurem a Defensoria, que está pronta para atender as mulheres negras,brancas e indígenas”, afirmou Simone Esterlina, diretora do Sinpro-MG e representante  da CTB.

“Temos  que deixar se ser um país colonizado. Eu trabalho  nos Correios, uma das empresas públicas mais importantes do país, que chega a todos os municípios. Mas o capitalismo quer privatizar e que você pague mais por este serviço. Que a população pobre, onde há negras e negros em maioria, pague. Por isso é necessário esta descolonização das mentes, em que ficam do lado de quem as oprime. Os negros são maioria na classe trabalhadora. Temos que construir um levante  contra a classe que nos oprime, oprime a classe trabalhadora. O racismo está em todos os setores. A estrutura judicial condena um cidadão pela cor e a gente continua inerte. Nos Estados Unidos, com a morte de George por policiais brancos e outras mortes, os protestos acontecem todos os dias. Temos que reagir. Os que são antirracistas precisam estar junto de nós. Vidas negras importam e vamos reagir contra a violência racial”, disse Luiz Rocha, do Sintect-MG e da LPS.

 “O golpe de 2016 foi contra o povo, trabalhadores e a população negra. Depois de 132 anos da abolição da escravatura, a população negra continua marginalizada. Mesmo depois de 300 anos de atrocidades, segue na rua da amargura. E hoje tanta violência se tornou pública, cotidiana, permanente. Temos que lutar para mudar esta realidade. Não é possível que pessoas ainda se identifiquem com os opressores, como aconteceu nesta eleição. Em 16 anos, a vida dos negros melhorou muito. Os recursos que era jogado na dívida, foram usados para debelar a pobreza. Hoje, vão para os banqueiros. O negro precisa se conscientizar disso. Que a privatização será nociva. Que estão morrendo porque são os mais afetados pela falta de saneamento. E serão também prejudicados com a entrega do setor energético, da saúde e da educação ao setor privado”, afirmou  Adilson Ramos, do Sindágua.

“O Amapá é aqui. Se não abrirmos o olho, vamos ficar em situação igual. Lá são 17 dias sem luz por conta da privatização”, acrescentou Jairo Nogueira Filho.