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Conferência Estadual  intensifica debates para fortalecer a formação da CUTista

Atividade que antecede a 4ª Conafor, na Escola Sindical 7 de Outubro, reúne mais de 200 dirigentes e militantes

Publicado: 20 Maio, 2019 - 17h12 | Última modificação: 20 Maio, 2019 - 17h21

Escrito por: Rogério Hilário

Rogério Hilário
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Com mais de 200 pessoas, representantes de todas as categorias de sua base, a Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT/MG) realizou, no sábado, dia 18 de maio, na Escola Sindical 7 de Outubro, a Conferência Estadual de Formação, preparatória para a  4ª Conferência Nacional de Formação (Conafor), que acontecerá de 27 a 31 de maio no Sesc Venda Nova, também em Belo Horizonte. Na atividade do final de semana, foram eleitos os delegados e aprovadas propostas para serem debatidas na Conafor. Jairo Nogueira Filho, secretário-geral da CUT/MG, adiantou que, no dia 27, após a abertura da Conferência Nacional, todos e todas se unirão aos movimentos sindical, sociais, populares, estudantis e lideranças políticas em uma grande manifestação, com todas as pautas e num Ato Lula Livre, às 18 horas, na Praça 7, no Centro da capital mineira. Para Jairo Nogueira, o dia 26 e a nova mobilização da educação contra os cortes nas verbas, no dia 30, vão prenunciar uma grande Greve Geral, no dia 15 de junho.

Na abertura da Conferência Estadual, representantes da Direção Executiva da CUT/MG, da Federação Estadual dos Metalúrgicos (FEM-MG/CUT), da Federação dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Ramo Financeiro (Fetafi-MG/CUT) e da Escola Sindical ressaltaram a importância da atividade, fundamental para potencializar e contribuir para os debates da Conafor, que servirá para redimensionar a Política Nacional de Formação da CUT diante dos desafios atuais do mundo do trabalho e da sociedade brasileira. Também enfatizaram a necessidade de manter a união nas lutas contra a reforma da Previdência, o corte nas verbas da educação pública, a defesa da democracia, da soberania e do patrimônio nacionais e contra as privatizações.

Inicialmente, Gilmar de Souza, diretor de Formação da CUT/MG, fez uma análise que extrapolou sua secretaria. “Tivemos avanços quando defendemos os royalties do pré-sal para a educação e a Dilma sancionou o projeto que determinava a transferência. Cortaram com emendas que possibilitaram a exploração por empresas estrangeiras e o a PEC 95, que reduz os investimentos, incluindo a educação. Agora vem o ataque ao desenvolvimento do pensamento. Vivemos a necropolítica, a política do extermínio, em que se decide quem deve viver e quem deve morrer. É a morte intelectual e o extermínio físico das classes menos favorecidas. Isso é o que vem sendo trabalhado nas mentes das pessoas. Dizem que o pessoal da cracolândia se parece com zumbis. Querem desumanizar as pessoas e, dessa forma, é justificável que elas sejam mortas. Desconsiderando que as pessoas estão lá pela ausência de políticas públicas do Estado. A necropolítica trabalha para que o agressor, o matador, não sinta culpa”, disse.

Para o dirigente da CUT/MG e do Sindieletro-MG, intensificar e expandir a formação é fundamental para que o debate vá além dos movimentos sindical e sociais e se insira em todos os setores da sociedade. “O dia 15 de maio foi excelente, mas muitos dos pais daqueles jovens que foram às ruas são favoráveis à reforma da Previdência. Por isso a formação é a forma de ligar os pontos e mostrar a todos e todas que a seguridade social é uma política pública. Querem, com a reformas, que os jovens percam seus sonhos.”

Jairo Nogueira Filho, secretário-geral da CUT/MG, destacou que a mobilização que resultou no ato do dia 15, que levou mais de 250 mil pessoas às ruas de Belo Horizonte, precisa ser mantida e que, a formação, contribuirá para fortalecer ainda mais as lutas. “A formação nos faz definir o quê, quando e como fazer. Em cinco dias de debates sobre a conjuntura, teremos condições de construir propostas sobre como é possível mudar nossa realidade. Mudamos aqui, em Minas Gerais, e temos como mudar no Brasil. Foi precioso levar mais de 250 mil pessoas às ruas, no dia 15. Foi tão impressionante que, ao chegarmos à Praça Raul Soares, milhares ainda estavam na Praça da Estação. O que aconteceu nos dá força para fazer uma grande greve e parar o país no dia 14 de junho. Uma greve que faça a sociedade entender que o projeto em curso não atende o povo como um todo.”

Para Eliana Brasil, presidenta do Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte e Região, que representou a presidenta da Fetrafi-MG/CUT, Magaly Fagundes, redimensionar a formação é indispensável para dialogar com a base e a sociedade para se entender aonde querem chegar as reformas e a necessidade das lutas contra a PEC do Congelamento, as reformas trabalhista e da Previdência”. “Fizemos um dia inteiro de formação no Sindicato. Formamos multiplicadores, formadores de formadores e como formar outras pessoas. E mostrar a elas a importância dos bancos públicos na vida de cada pessoa. E como bancos, como a Caixa, são essenciais para o saneamento, projetos como o ‘Minha Casa, Minha Vida”. Tentam tirar o FGTS, nosso dinheiro, da Caixa.”

Marco Antônio de Jesus, presidente da FEM-MG/CUT, que falou em nome do coordenador Escola Sindical 7 de Outubro, Adilson Pereira, elogiou a mobilização de educadoras e educadores e estudantes, no dia 15 de maio. Para ele, os atos que levaram mais de 3 milhões às ruas do Brasil, fortalecem a Greve Geral. “Estamos mobilizados e fortalecidos para a Greve Geral depois do que aconteceu no dia 15, protestos imensos em todo o país, para derrubar a reforma da Previdência. Não pode ser diferente. A responsabilidade de impedir a reforma é de todos nós. E a formação é essencial, principalmente, neste momento. A Escola Sindical tem sido muito frequentada. Precisamos potencializar, ainda mais, a formação.”

Alexandra Almeida, secretária de Formação da FEM-MG/CUT, considera a tarefa dos formadores urgente. “Temos que continuar juntos, numa corrente muito grande, pois o que está escrito para a classe trabalhista é extermínio mesmo. A FEM trabalha muito pela formação política. A Conferência acontece num momento estratégico. A última aconteceu em 2006, numa conjuntura importante. Que ela seja muito construtiva para nos levar a uma representatividade maior da classe trabalhadora.”

Denise Romano, coordenadora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE/MG), ao iniciar sua fala, denunciou mais um crime da mineradora Vale. “Estamos na iminência do rompimento da barragem de Barão de Cocais. Sete mil pessoas vão ser evacuadas, obrigadas a deixar suas casas. Será mais um rio destruído. A Vale está destruindo Minas Gerais, com a sanha e a agressividade do capital pelo lucro”, afirmou. Em seguida, a dirigente falou do dia 15 de maio. “Nós, do Sind-UTE, conseguimos que os atos se multiplicassem em todas as regiões e nos unimos às universidades estaduais, às federais, aos Cefets, aos IFs em defesa das universidades públicas e pelo enfrentamento contra um projeto que destrói a educação pública.”

A coordenadora-geral do Sind-UTE/MG recomendou a ampliação da discussão das pautas para intensificar a Greve Geral do dia 14 de junho. “Furamos algumas bolhas com o que antecedeu o dia 15 de maio, mas precisamos conversar com mais pessoas. Informação é poder e formação também é.” Denise Romano agradeceu à base CUTista pelo apoio, fundamental para a vitória da Chapa 1 na eleição do Sindicato. “Fomos eleitos com mais de 80% dos votos. Agradeço ao Jairo (Nogueira Filho) pela solidariedade da CUT. Estamos juntos e a CUT está conosco em todas as lutas. Somos fortes, somos CUT.”

Análise de conjuntura

Após apresentação do professor Guilherme, da Subsede de Uberlândia do Sind-UTE/MG,  que declamou poema do poeta paraibano Chico Pedrosa, representantes de sindicatos e entidades relataram as etapas locais da Conafor. Em seguida, João Pedro Stédile, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), e Frederico Melo, técnico do Dieese, atualmente, assessor do mandato da deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT) - também presidenta da CUT/MG e da coordenação do Sind-UTE/MG – participaram da análise de conjuntura. Beatriz Cerqueira não pôde comparecer à Conferência por estar em atividade em Barão de Cocais, cidade ameaça por mais um crime ambiental da Vale.

João Pedro Stédile ressaltou que deve se buscar o diálogo, contra pautas contra a reforma da Previdência, com as maiores categorias que, até o momento, estão mais à margem, como os comerciários, os trabalhadores rurais e as empregadas domésticas. Para ele, na atual conjuntura, “há uma crise na economia e de valores. O capitalismo prega o individualismo e o consumismo, que são desagregadores. Mas só tem, no momento, como alternativa, se apropriar dos recursos naturais, que dão lucros fabulosos, e não são frutos do trabalho humano, e a retirada de direitos dos trabalhadores. A reforma da Previdência é para dar mais lucro, assim como a privatização das estatais, das escolas públicas. O Estado burguês, com o democratismo, acabou. O capital precisa do Estado de exceção, de extrema direita, que não teria qualquer pudor em adotar medidas impopulares.”

“Ganharam a eleição no Brasil, sem movimento de massa, mas não têm o que oferecer. A forma que encontraram foi a manipulação eleitoral, as artimanhas da tecnologia. Veio a crise, derrubaram a Dilma, sem motivo. Colocaram Temer para obter lucro, prenderam Lula, para não perder a eleição e colocaram Moro como ministro da Justiça e prometeram: o próximo presidente será você. Ganharam a eleição para Bolsonaro aplicar o plano do capital. Ele não tem planos ou projeto. E isso gerou um governo cheio de contradições, não tem unidade, não tem base social organizada, não tem setores da classe trabalhadora organizado ao redor. E o plano do capital não resolve os problemas do povo. E recuperamos, com as últimas manifestações, nossa capacidade de unidade, reconstruímos a unidade das forças populares em temas fundamentais, como a defesa da educação pública, da soberania nacional, pela libertação de Lula e a luta contra a reforma da Previdência”, analisou João Pedro Stédile.

Frederico Melo foi veemente: “Os desafios são muitos. O projeto econômico vem provocando uma uberização das relações de trabalho, com a proposta de flexibilização absoluta”. “Um dos instrumentos do capital, para lucrar, é a retirada de direitos da classe trabalhadora. Além disso, conseguiu avançar na quebra da resistência do movimento sindical com a reforma trabalhista. Apesar dela, nada aconteceu, não houve o resultado prometido, como aumento das ofertas de emprego.  E os ataques continuam em curso. E, apesar do que muitos pensam, a reversão da reforma ‘antitrabalhista’, fundamentada em mudanças profundas, pode não ser tão fácil. O capitalismo aposta num projeto ultraliberal, que é privatizar tudo, fazer uma reforma da Previdência e, a longo prazo, a reforma tributária. E, contraditoriamente, com representantes ultraliberais num governo que é defensor de um sistema ultrassanguinário  e autoritário”, disse o técnico. Para Frederico Melo,  o maior desafio, diante de tantos ataques, é impulsionar a organização da classe trabalhadora.

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