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CUT/MG constitui o Coletivo dos Trabalhadores e Trabalhadoras com Deficiência

Encontro no Sindsep-MG, convocado pela Secretaria de Políticas Sociais, propõe levar debate sobre o segmento para os sindicatos

Publicado: 05 Julho, 2013 - 18h15

Escrito por: Rogério Hilário

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Lourdes Aparecida de Jesus Vasconcelos e Frederico Melo durante o Encontro de Trabalhadores e Trabalhadoras com DeficiLourdes Aparecida de Jesus Vasconcelos e Frederico Melo durante o Encontro de Trabalhadores e Trabalhadoras com DeficiO Coletivo dos Trabalhadores e Trabalhadoras com Deficiência, ligado à Secretaria de Políticas Sociais da CUT/MG, foi constituído nesta sexta-feira (5) durante o I Encontro dos Trabalhadores e Trabalhadoras com Deficiência realizado no auditório do Sindsep-MG, no Centro de Belo Horizonte. Também foram eleitos quatro delegados para o Encontro Nacional, nos dias 26 e 27 de julho em São Paulo. Outra deliberação do Encontro desta sexta-feira é que a CUT/MG vai orientar os sindicatos CUTistas na organização dos trabalhadores e trabalhadoras deste segmento, para que o Coletivo seja atuante e sejam construídas propostas para a inclusão social das pessoas com deficiência.

Coordenado pela secretária de Políticas Sociais da CUT/MG, Lourdes Aparecida de Jesus Vasconcelos, o Encontro de Trabalhadores e Trabalhadoras com Deficiência contou com a participação do técnico da Subsede da Central do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócioeconômicos (Dieese) na Central, Frederico Melo. “O papel da CUT é levar o debate sobre a organização dos trabalhadores e das trabalhadoras com deficiência, que precisam ser incluídas por intermédio do mundo do trabalho”, disse Lourdes Aparecida.

A iniciativa da Secretaria de Políticas Sociais da CUT/MG foi elogiada. “Nunca houve algo assim. É  primeira vez que somos chamados para um debate sobre deficiência. A CUT está de parabéns por incluir nas suas lutas as pautas dos trabalhadores e trabalhadoras com deficiência”, afirmou Antônia de Jesus Lopes, da Federação Estadual dos Metalúrgicos (FEM-CUT).

Inclusão social

Em sua palestra, Frederico Melo disse que as pessoas com deficiência conquistaram, nos anos 1990, a lei de cotas e o Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPC-Loas), que permite o acesso de idosos e pessoas com deficiência às condições mínimas de uma vida digna. Mas, acrescentou o técnico do Dieese, a sociedade ainda está despreparada para receber a pessoa com deficiência. “As dificuldades para a inserção desse público são grandes, sejam de acessibilidade, transporte, escola, apesar das novas tecnologias.”

Representantes de Sindicatos CUTistas participaram do Encontro e vRepresentantes de Sindicatos CUTistas participaram do Encontro e vAlém disso, continuou Frederico Melo, as empresas resistem a preencher as vagas estabelecidas por lei para as pessoas com deficiência ou, simplesmente, criam mecanismos para burlar a legislação. “Os empresários alegam que falta formação e qualificação para não cumprir a cota legal e tentam reverter a Lei de Cotas na Justiça. Não acredito nisso, apesar de muitas pessoas com necessidades especiais terem dificuldades para frequentar escolas. As empresas é que não querem investir e se adaptar para receber as pessoas com deficiência. Estudo feito em 2008, pelo Ministério do Trabalho e Emprego, mostra que apenas 33% das vagas são ocupadas e as pequenas empresas são as que mais empregam. É necessário um trabalho interno, com chefias e colegas, saber lidar com as pessoas com deficiência. Há empresas que contratam, mas o trabalhador  nem vai ao local de trabalho.”

Outra questão apontada pelo técnico do Dieese, e que as empresas não atendem, é a perspectiva de carreira. “A pessoa com deficiência precisam de condições para ter uma carreira, dentro do conceito de inclusão positiva.”

Segundo Zulmar Dias Figueiredo, do Sind-UTE/MG, algo ainda pior acontece nas operadoras de telemarketing. “Operadoras contratam pessoas com deficiência com jornada de trabalho de apenas uma hora por dia e paga proporcionalmente. Trabalhadores e trabalhadoras recebem apenas de R$ 80 a R$ 100 por mês. Ou seja, cumprem a cota, mas precarizam ainda mais as condições de trabalho.”