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CUT/MG, movimentos sindical e sociais vão às ruas em Minas defesa da Petrobras, da democracia, de direitos e reforma política

Mais de 10 mil saem em marchas na BR-381 e pelas ruas da Região Central de Belo Horizonte

Publicado: 13 Março, 2015 - 13h20

Escrito por: Rogério Hilário

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Mais de 10 mil manifestantes participaram nesta sexta-feira (13) de dois atos em Belo Horizonte e Região Metropolitana em defesa da Petrobras, da democracia, de direitos e da reforma política. Pela manhã, a mobilização aconteceu em Betim, com concentração, marcha na BR-381, no sentido São Paulo, até a Refinaria Gabriel Passos (Regap), e ato na portaria principal. À tarde, a marcha foi pelas ruas do Centro da capital mineira, com manifestações na Praça Afonso Arinos e na Praça Sete.

Organizada pela Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT/MG), CTB, MST, MAB, Sindicato dos Petroleiros, Federação Única dos Petroleiros (FUP) e movimentos sociais, a mobilização começou às 5 horas, com a concentração em um posto de combustíveis na BR-381. De lá, os manifestantes saíram em marcha até a portaria da Regap, fechando uma das pistas da rodovia, no sentido São Paulo, por cerca de 45 minutos. Durante a passeata, eles receberam o apoio de motoristas e motoboys que atenderam ao pedido de buzinaço. Na Petrobras, eles pararam ônibus e convocaram trabalhadores e trabalhadoras da empresa a participar da atividade. O ato se encerrou por volta das 9h30, quando os manifestantes cantaram o Hino Nacional.

Nas mobilizações da tarde, que começaram às 16 horas, com concentração na Praça Afonso Arinos. A marcha foi iniciada após a chegada dos militantes do MAB e do MST, que estavam na Assembleia Legislativa. A manifestação fechou uma das pistas da avenida Afonso Pena, e o ato, na Praça Sete, interrompeu o trânsito em todas as pistas da via. A atividade terminou por volta das 19 horas.

Além de dirigentes da CUT Nacional, CUT/MG, CUTs Regionais Vale do Aço e Sul, CTB, MST, MAB e sindicatos CUTistas, como o Sind-UTE/MG, Sindágua, Sind-Saúde/MG, Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte e Região, Sindicato dos Metalúrgicos de BH e Contagem, Sindsep, Sindifes, Sindieletro-MG, Sindimetro, Sinttel, Sindicatos dos Comerciários de Ipatinga, compareceram ao ato militantes e dirigentes do Sindicato dos Arquitetos, da Fetraf-MG, da Feraemg,  da CNTE, dos movimentos sociais, estudantis e políticos.

Participaram também o deputado federal Padre João (PT), a deputada federal Jô Moraes (PCdoB), o deputado estadual Rogério Correia (PT), os vereadores Arnaldo Godoy (PT) e Gilson Reis (PCdoB) e a senadora amazonense Vanessa Grazziotin (PCdoB).  Outra participação importante foi dos movimentos da juventude, como o Levante Popular e da União da Juventude Socialista, que fizeram agitação cultural, com bateria, música e palavras de ordem. As manifestações em defesa da Petrobras, de direitos, da democracia e da reforma política também aconteceram em Juiz de Fora, Divinópolis, Uberlândia e Montes Claros.

O movimento marcado para acontecer em 23 capitais pede que a Petrobras continue pública, investindo e gerando empregos, além de uma reforma no sistema político e o fim do financiamento privado de campanhas. CUT, CTB, sindicatos, federações, movimentos sociais e estudantis também protestaram contra as MPs 664 e 665, que retiram direitos de trabalhadores e trabalhadoras, e em defesa da democracia e contra a tentativa de impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

Para a presidenta da CUT/MG, Beatriz Cerqueira, a união dos movimentos sindicais e sociais é fundamental neste momento em que a democracia, o patrimônio do povo brasileiro e os direitos da classe trabalhadora sofrem sérias ameaças. “Temos hoje, no Congresso, projetos como o que possibilita a terceirização sem limites, que não pode passar. E, deputados que elegemos para nos representar, não podem aprovar medidas que retiram direitos e responsablizam os trabalhadores pelo ajuste fiscal.  O  momento é de empoderar o povoQuem deve pagar são bancos, como o HSBC, que têm lucros absurdos.”

Segundo Beatriz Cerqueira, “não se combate a corrupção sem reforma política”. “Fazer uma reforma política, com o financiamento público de campanha, com a participação da classe trabalhadora e reformar a política nacional é fundamental diante da conjuntura nacional. Temos que banir de vez o financiamento privado do sistema político brasileiro. Sem a reforma política apenas ”, afirmou.

A presidenta da CUT/MG enfatizou que  o ato uniu os movimentos que defendem a democracia e qualquer retrocesso na política brasileira. “Quem não está aqui fez opção por uma pauta pelega, por omissão, por um desrespeito aos trabalhadores e trabalhadoras que dizem representar. Aqui estão as centrais que defendem a democracia, luta pelos interesses do povo e da classe trabalhadora. As outras se omitiram.  Nós temos um lado, que é o lado da classe trabalhadora e não temos medo de vir para as ruas. Unimos o campo, a cidade, os estudantes para lutar contra as forças que buscam o retrocesso, que pregam o golpismo.  O que está em jogo é a defesa da democracia.  Não se pode tirar a legitimidade conseguida nas urnas. Este dia de luta é uma reação aos que querem a volta de um regime de direita neste país. O nosso recado está dado para a população mineira e para a direita. Nós fizemos uma grande marcha por Belo Horizonte e é assim que fazemos a defesa de nossas pautas.”

Beatriz Cerqueira parabenizou a todos pelos grandes atos do dia e fez uma homenagem à juventude. “Os movimentos da juventude contribuíram muito com as lutas e com as mobilizações que resultaram nas vitórias sobre o neoliberalismo em Minas Gerais e no Brasil. Vamos continuar juntos nas ruas em defesa da reforma política. Belo Horizonte nunca se virou à esquerda, nunca à direita. Parabéns, vocês me emocionaram com estas mobilizações. A luta continua. Viva a classe trabalhadora, viva a juventude, viva o povo brasileiro. E vamos avançar na unidade”, concluiu.

“Estamos aqui com os irmãos na energia e no gás, os petroleiros. É importante para nós a proteção à Petrobras. Temos que evitar o desmanche com que vêm ameaçando a maior empresa brasileira, o maior patrimônio do povo brasileiro. Não vamos deixar que este desmanche aconteça. Mostramos que este ato é em defesa da Petrobras e do Brasil”, disse Jairo Nogueira Filho, secretário-geral da CUT/MG e coordenador-geral do Sindieletro-MG.

“Esta marcha em defesa da Petrobras, direitos e reforma política é essencial num momento em que há ameaça de golpe, representada pela tentativa de impeachment. Não queremos que o golpismo tome conta deste país”, afirmou o secretário de Comunicação da CUT/MG, Neemias Rodrigues. “Vamos às ruas para garantir que a Petrobras continue sendo do povo brasileiro, que não seja privatizada, como querem. Estamos nas ruas em todo o país para garantir nossos direitos”, disse Shakespeare Martins de Jesus, da Direção Nacional da CUT. “Vale a pena esta luta pela democracia, pela Petrobras. Nós queremos que os corruptos e corruptores sejam punidos e o rombo aos cofres da Petrobras seja ressarcido", justificou Leopoldino Martins, coordenador-geral da FUP.

“O MST parou  BRs do país por uma reforma agrária de fato. Mas estamos aqui para defender a Petrobras e dizer que se hoje os diretores do capital estão na cadeia e têm que permanecer na cadeia, é porque lutamos por isso. Não podemos aceitar que a Petrobras seja entregue a meia dúzia de ladrões. Se nós gritávamos ‘se a coisa engrossa, a terra é nossa’, hoje vamos gritar ‘se a coisa engrossa, a Petrobras é  nossa’”, afirmou Ênio Bohnenberger, coordenador do MST.

“Esta marcha e esta ato é apenas o começo de uma longa caminhada. E o que está em jogo é a tentativa de transferência da Petrobras para o capital estrangeiro, de privatização. O jogo político está por trás do discurso sobre corrupção. O atual sistema político é o que decide depois os interesses em Brasília. Por isso defendemos a reforma política. Vamos também combater o golpismo e, para isto, retornaremos às ruas, em uma jornada de mobilizações, de lutas, no Brasil, para se construir um projeto democrático e popular. Estaremos novamente aqui na Praça Sete no dia 31 de março, em outro grande ato em defesa da democracia, para que avancem as pautas populares”, disse Joceli Andrioli, do MAB.