ADERE e CUT Minas debatem trabalho escravo no Estado com representante da ONU
Reunião teve participação de Obokata Tomoya, relator especial da ONU sobre Formas Contemporâneas de Escravidão, e de trabalhadores resgatados de trabalho escravo em Minas
Publicado: 26 Agosto, 2025 - 16h15 | Última modificação: 27 Agosto, 2025 - 11h55
Escrito por: Fernando Dutra

A Articulação dos Empregados Rurais do Estado de Minas Gerais (ADERE/MG) e a CUT Minas promoveram, na segunda-feira (25/8), uma reunião para discutir o trabalho escravo em Minas Gerais. Há anos, o Estado é o líder no ranking nacional de trabalho escravo, conforme 'lista suja' divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, em abril de 2025. Segundo o relatório, dos 745 nomes divulgados, 159 são mineiros.
Para debater a situação alarmante do trabalho escravo em Minas Gerais, a ADERE/MG, em parceria com a CUT Minas, recebeu o Relator Especial da ONU sobre Formas Contemporâneas de Escravidão, Obokata Tomoya, que ouviu relatos sobre a realidade de trabalhadores e trabalhadoras em condição de vulnerabilidade. O encontro contou com a participação de uma delegação de trabalhadores e trabalhadoras vítimas e resgatados(as) de trabalho escravo no Estado, que puderam apresentar suas histórias de vida e sofrimento nos locais de trabalho. Fora de suas comunidades e cidades de origem, muitas vezes são tratados como escravizados contemporâneos, especialmente nas fazendas de café e de usina de cana.
Esses trabalhadores também são integrantes de comunidades quilombolas abandonadas pelo governo Zema, e por falta de políticas públicas para desenvolvimento econômico e geração de emprego em suas comunidades, continuam sendo vulneráveis socialmente em seus territórios. Após a realização do encontro, Obokata Tomoya reforçou a importância de dar voz aos trabalhadores.
"Foi muito importante poder visitar Minas Gerais e descobrir o que acontece com os trabalhadores precarizados e vulnerabilizados. Estive com a comunidade quilombola, também com outras representações trabalhistas, e foi importante saber o que eles passam além do legado de escravidão, exploração e a discriminação constante que continuam a enfrentar. Gostaria de ecoar suas vozes junto ao governo brasileiro e à comunidade internacional após a minha visita" — Obokata Tomoya.
O presidente da CUT Minas, Jairo Nascimento, destacou o apoio da ONU na luta contra o trabalho escravo. "Minas Gerais é um dos Estados em que mais se apresenta o trabalho escravo no Brasil. Buscamos o apoio da ONU para combatermos isso. Que nós, trabalhadores e trabalhadoras, tenhamos uma vida digna", disse.
Jorge Ferreira dos Santos Filho, coordenador da ADERE/MG e integrante da direção da CUT Minas, apontou uma esperança com os desdobramentos da reunião.
"Essa reunião, com o relator da ONU, foi para ele entender um pouco sobre o trabalho escravo no território mineiro, tendo em vista que Minas Gerais é um grande foco de trabalho escravo no Brasil. Lideramos por mais de dez anos esse ranking, essa vergonha no território mineiro. Para nós, acendeu uma luz de esperança no fim do túnel quanto a esse crime tão violento na relação de trabalho" — Jorge Ferreira dos Santos Filho