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"Fora Bolsonaro, Fora Zema": Grito das Excluídas e dos Excluídos ocupa as ruas de BH

CUT/MG, entidades de sua base e parceiros levaram à manifestação também as pautas “Vacina para todos”, “Não à MP 1.045”, “Contra a PEC 32” e “Contra as Privatizações”, “Por emprego, renda e contra a carestia"

Publicado: 07 Setembro, 2021 - 16h41 | Última modificação: 08 Setembro, 2021 - 19h14

Escrito por: Rogério Hilário

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O Grito das Excluídas e dos Excluídos ocupou, em sua 27ª edição, as ruas do Centro de Belo Horizonte nesta terça-feira, 7 de setembro, Dia da Independênia do Brasil. Neste ano, o lema é “Vida em primeiro lugar, na luta por participação popular, saúde, comida, moradia, trabalho e renda já!”. A manifestação uniu setores democráticos e populares – Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT/MG), demais centrais, movimentos sindical, sociais, populares, estudantis e lideranças políticas - na denúncia dos efeitos nefastos do governo de Jair Bolsonaro para o povo brasileiro.

A CUT/MG, suas entidades de base e parceiros levaram para as ruas do país também as pautas " “Vacina para todos”, “Não à MP 1.045”, “Contra a PEC 32” e “Contra as Privatizações”. E a luta contra o projeto ultraneoliberal do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que reproduz no Estado as políticas genocida, de ataque as direitos e conquistas dos trabalhadores, de desmonte do serviço público e do Estado, de venda do patrimônio e da soberania do povo brasileiro. O lema principal foi “Vida em primeiro lugar”.

A concentração aconteceu na Praça Afonso Arinos, na Região Central de Belo Horizonte, com o som do Bloco Som Vermelho, por volta das 10 horas. A marcha teve início às 11 horas, quando todas e todos se deslocaram, dialogando com a população sobre as pautas do Grito, seguindo pela Avenida Afonso Pena, passando pela Praça 7 de Setembro. Ato e marcha foram encerrados na Praça da Estação.

“Nossa luta é, principalmente, pela vida, pela democracia, contra o desmonte do serviço público e da retirada dos direitos da classe trabalhadora. Estaremos sempre juntos, nesta luta coletiva. Viva a classe trabalhadora”, disse a diretora do Sindicato dos Servidores e Empregados Públicos de Belo Horizonte (Sindibel), Andréa Hermógenes Martins, na concentração da Praça Afonso Arinos.

“Estamos juntos, com todas e todos.  Fora Bolsonaro. A luta é coletiva. Não aguentamos mais o preço do arroz, do botijão de gás. A CUT vem fazendo denúncias contra este governo da fome, do desemprego, da morte. O Brasil é um dos líderes mundiais na produção de grãos. Mas os brasileiros pagam R$ 30 por um pacote de arroz. Um botijão de gás custa R$ 100, quando somos um dos maiores produtores de petróleo. Tudo isso é culpa da política econômica de Bolsonaro. Que se reflete em Minas Gerais, com Romeu Zema. O povo mineiro tem que saber o que é o governo Zema. Ele se passa por gestor, mas a CPI da Cemig mostra que ele aparelhou a empresa em favor do seu partido, o Novo. Contratou a IBM por R$ 1 bilhão sem licitação. É um escárnio com a população do Estado. Fora Bolsonaro. Fora Zema”, disse Jairo Nogueira Filho, presidente da CUT/MG.

“Nós nunca saímos das ruas. Sempre fizemos as denúncias. Um genocida. E temos em Minas Gerais um governo que é gêmeo do federal. Que reproduz a política da morte no Estado. Estamos na luta por pão, vacina, saúde, emprego, educação, tudo que estes governos querem destruir no Estado e no país. Fora Bolsonaro. Fora Zema, que representa um governo que desrespeita o investimento de 25% na educação e de 12% na saúde. E que transformou a Cemig em um balcão de negócios”, afirmou Denise Romano, coordenadora-geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE/MG).

“O governo da fome, da morte e do desemprego tem um comparsa em Minas Gerais, que adotou a geolpolítica da fome para favorecer o seu partido, o Novo, e garantir lucro aos empresários. Isso foi evidenciado na CPI da Cemig. O governo Zema não representa a tradição do povo mineiro. Para nós é vacina do braço, comida no prato e a luta pelo povo mineiro”, disse Emerson Andrada Leite, coordenador-geral do Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores na Indústria de Energia Elétrica (Sindieletro/MG).

O deputado federal Rogério Correia (PT) se empolgou com a adesão e  a diversidade do 27º Grito das Excluídas e dos Excluídos, protesto que faz parte da história das manifestações de Belo Horizonte que serviu de contraponto à manifestação de apoiadores de Jair Bolsonaro na capital mineira. “A diversidade mostra como o povo se organiza, num momento em que o Brasil voltou para o mapa da fome. O governo de Jair Bolsonaro conseguiu o que não acontecia desde os governos de Lula e de Dilma. E alcançamos o recorde de desempregados. São 15 milhões de desempregados. Com Lula e Dilma tivemos pleno emprego. Lutamos contra pautas ultraconservadoras, antipopulares e antidemocráticas, enquanto o presidente da Câmara não coloca em pauta o impeachment. Não podemos sair das ruas. O que em de bom está aqui. E vamos barrar a reforma administrativa que é o fim da prestação do serviço público ao povo brasileiro.”

“Não se combate a escuridão com mais escuridão. Os ratos que saíram dos esgotos estão nas ruas nos provocar. Nossa mensagem é de esperança. Vamos plantar a esperança. Com o impeachment de Bolsonaro e a eleição de um governo progressista. O momento é de unidade”, analisou a vereadora Duda Salabert (PDT).

“Este é um ato de resistência do povo mineiro. E de luta pelo socialismo e de pessoas que não aceitam o desmonte deste país. Precisamos recrutar toda a esquerda para esta luta coletiva contra Jair Bolsonaro. Luta por direitos e conquistas. Ele quer privatizar os Correios, o que acabaria com correspondentes postais no país. Principalmente fechando agências nas cidades do interior. Um ataque a direitos garantidos na Constituição”, denunciou Robson Silva, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nos Correios (Sintect/MG).

“Jair Bolsonaro é responsável por quase 600 mil mortes. Por negligenciar as políticas de isolamentos sociais e as vacinas. Estamos nas ruas contra ele e os negacionistas. Em defesa da vida, do SUS, da saúde, do emprego, da renda.  E contra a PEC 32, que representa o desmonte do Estado e dos serviços públicos”, afirmou Yara Cristina Batista Diniz, secretária de Políticas Sociais e Direitos Humanos da CUT/MG.

“Quando tudo for privatizado, seremos privados de tudo. Estamos aqui para gritar contra a fome, contra a retirada direitos, contra o aumento dos preços do gás de cozinha, dos alimentos. Gritando por emprego, pela saúde, pela vida e contra um governo que mente e mata”, afirmou Alexandre Finamori, da Diretoria Colegiada do Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro/MG).

Momento de crises

O Grito das Excluídas e dos Excluídos é dos eventos mais tradicionais da história de luta do povo brasileiro. Este ano, o movimento se uniu à campanha nacional #ForaBolsonaro, contra o desemprego e contra a fome que assolam o país. “Estamos vivendo um momento de crises – social, ambiental, sanitária, humanitária, política e econômica – sobretudo causadas pela ação nefasta de um governo genocida, negacionista e promotor do caos que visa principalmente destruir, de qualquer forma, a democracia e a soberania do nosso país”, denunciam.

 “O Grito das Excluídas e dos Excluídos é um processo de construção coletiva, é muito mais que um ato. Por isso, nossa luta não se encerra no dia 7 de setembro”, afirma a coordenação do movimento. “Nossa luta é uma maratona, não é uma corrida de 100 metros. O Grito é uma manifestação popular carregada de simbolismo, espaço de animação e profecia, sempre aberto e plural de pessoas, grupos, entidades, igrejas e movimentos sociais comprometidos com as causas da população mais vulnerável”. 

O grande ato para tirar o genocida do poder é também contrário aos cortes na educação, contra a reforma administrativa e as privatizações, e em defesa da vacina contra a Covid-19, que matou mais de 581 mil pessoas no país.

O primeiro “Grito”, em 1995

“Estar nas ruas é um ato democrático e, na Semana da Pátria, é um tempo favorável para seguirmos firmes nessa defesa”, afirmam os organizadores do “O Grito dos Excluídos”, movimento que mobiliza os trabalhadores do campo e da cidade desde 1995, quando ocorreu o primeiro manifesto público no dia 7 de setembro

O primeiro Grito dos Excluídos, realizado em 7 de setembro de 1995, aconteceu em 170 localidades do país e teve como lema “A Vida em Primeiro Lugar”.

A proposta dos protestos surgiu em 1994 durante a 2ª Semana Social Brasileira, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) com o tema Brasil, alternativas e protagonistas, inspirada na Campanha da Fraternidade de 1995, com o lema: A fraternidade e os excluídos.

A partir de 1996, as manifestações foram assumidas pela CNBB, que aprovou o Grito em sua Assembleia Geral, como parte Projeto Rumo  ao  Novo  Milênio (PRNM).

Clique aqui para ver mais imagens da 27ª edição do Grito das Excluídas e dos Excluídos em Belo Horizonte