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Gestão da Petrobras maquia avanço da Pandemia de Coronavírus na empresa

Na mesma linha do governo de Jair Bolsonaro, a gestão Castello Branco trata a pandemia como se fosse uma “gripezinha”, colocando em risco os trabalhadores para preservar o lucro dos acionistas

Publicado: 22 Maio, 2020 - 16h01 | Última modificação: 22 Maio, 2020 - 16h09

Escrito por: Sindipetro/MG

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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) e sindicatos filiados participaram na quarta-feira (20) de reunião com o grupo de Estrutura Organizacional de Resposta (EOR), responsável pela coordenação de prevenção e monitoramento da Covid-19 na Petrobras. Na ocasião, as entidades tornaram a cobrar informações detalhadas de trabalhadores contaminados, contactantes e óbitos, mas a empresa novamente se negou a fornecer os dados.

A reunião foi realizada na semana em que os números da Covid-19 no Brasil atingiram novos recordes. São 20 mil casos registrados em 24h e mil mortos no mesmo período.

Mesmo diante do cenário preocupante, a direção da Petrobras maquia a situação na tentativa de encobrir o avanço da doença na empresa. Na mesma linha do governo Bolsonaro, a gestão Castello Branco trata a pandemia como se fosse uma “gripezinha”, colocando em risco os trabalhadores para preservar o lucro dos acionistas.

A falta de transparência do SMS e a subnotificação já eram um problema grave denunciado pelos petroleiros, mas agora passaram ser política de gestão da Petrobras.

Prova disso, é a divergência entre os números apresentados pela empresa, 243 petroleiros infectados, e os divulgados pelo Ministério das Minas e Energia, 806 trabalhadores contaminados na estatal.

A gestão de SMS sequer reconheceu a covid-19 como doença do trabalho e a empresa continua sem emitir CATs. Além disso, age na ilegalidade ao manter as unidades sem representantes das CIPAs, enquanto as gerências desimplantam cipistas eleitos, em plena pandemia.

A negligência e a morosidade em atender reivindicações básicas – como testagem em massa, desinfecção de ambientes, fornecimento de máscaras, redução de efetivos – fez a pandemia se alastrar sem controle.

Assim como Bolsonaro, a direção da Petrobras subestimou o coronavírus e ignorou as reivindicações da categoria, enquanto trabalhadores são infectados em números cada vez maiores nas plataformas, refinarias, terminais e demais unidades da empresa.

“A falência do SMS da Petrobras é notória, a ponto dos trabalhadores que desembarcam das plataformas terem que recorrer a testes por conta própria, pagando do bolso, pois não confiam na gestão da empresa”, denunciou o coordenador da FUP, José Maria Rangel, na reunião da Comissão de SMS, no último dia 14.

Ações

Reuniões como as do EOR e das comissões previstas no Acordo Coletivo de Trabalho têm sido meramente informativas. Não há espaço para negociação. A empresa apenas comunica fatos consumados e decisões tomadas de forma unilateral.

Por isso, a FUP e os sindicatos estão recorrendo à Justiça, ao Ministério Público e aos órgãos fiscalizadores para garantir os direitos dos trabalhadores e acesso às informações que a Petrobrás tem negado.

No último dia 18, o coordenador da FUP, José Maria Rangel, ingressou com Ação Popular na Justiça do Rio de Janeiro, na qual pede a destituição de Roberto Castello Branco da Presidência da empresa por gestão temerária.

A FUP protocolou, no dia 30 de abril, no Ministério Público Federal, cobrando a abertura de investigação criminal para apurar responsabilidade penal e administrativa do presidente da Petrobrás e demais dirigentes da empresa, por negligenciarem ações de prevenção durante a pandemia, colocando em risco os trabalhadores.

A Federação solicitou também, no dia 4 de maior, à Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) informações detalhadas sobre os casos de trabalhadores infectados pelo novo coronavírus e suspeitos de contaminação que foram notificados pelas empresas de petróleo.