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Juca Abdalla, maior acionista privado da Cemig, tem banco só para sua fortuna

Abdalla possui participação relevante em companhias estratégicas para o Estado, com destaque para o setor energético. Seu foco recai sobre ações ordinárias, que garantem direito a voto

Publicado: 15 Janeiro, 2026 - 10h51 | Última modificação: 15 Janeiro, 2026 - 11h07

Escrito por: Sindieletro

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A presença crescente do mercado financeiro dentro da Cemig não é abstrata. Ela tem nomes, histórico e estratégia. E um dos principais representantes desse processo é Juca Abdalla, atualmente o maior acionista privado individual da empresa.

Compreender quem é esse investidor, de onde ele vem e como atua facilita o debate sobre a corporatização da Cemig e sobre a perda de controle social de uma empresa estratégica para Minas Gerais.

 

Bilionário no mercado financeiro

Juca Abdalla é controlador único do Banco Clássico, instituição voltada à gestão de grandes fortunas e investimentos. No caso, o banco praticamente administra apenas sua própria fortuna, avaliada em mais de $ 3 bilhões.

Ao longo dos anos, Abdalla passou a adquirir participações relevantes em companhias estratégicas para o Estado, com destaque para o setor energético. Seu foco recai sobre ações ordinárias, que garantem direito a voto e permitem interferência direta nos rumos das empresas.

 

Interferência privada e corporatização

Além da Cemig, Juca Abdalla mantém participação ou influência em empresas como Eletrobras e Petrobras. Trata-se, portanto, de uma estratégia consistente de inserção em empresas centrais para o desenvolvimento nacional, e não de investimentos pontuais.

Como o maior acionista privado individual na Cemig, Abdalla tem peso político relevante dentro da empresa, mesmo sem deter o controle formal. Esse cenário evidencia o que o Sindieletro denuncia há algum tempo: modelo de corporação defendido pelo governo de Romeu Zema é privatização em câmera lenta, pois, embora a empresa permaneça formalmente pública, o poder real de decisão passa a ser disputado por grandes investidores privados.

Nesse contexto, a influência do mercado financeiro não se dá apenas pelo volume de ações detidas, mas, sobretudo, pela atuação nos conselhos de administração, onde decisões estratégicas como planos de investimento, políticas de dividendos e prioridades de longo prazo são realizadas.

O caso de Juca Abdalla na Cemig é didático para explicarmos como interesses do mercado financeiro são diametralmente opostos aos interesses da população. Para os eletricitários e para os mineiros e mineiras, o foco é consolidar uma empresa sustentável, que atenda a população com eficácia, promovendo justiça social e contribuindo para o desenvolvimento do Estado.

Do outro lado, o mercado financeiro busca enriquecer os mesmo figurões que seguem há décadas no poder, perpetuando a concentração de renda e a desigualdade no país.

De um lado, está a defesa de uma Cemig orientada pelo interesse público, pelo desenvolvimento de Minas Gerais e pela valorização de seus trabalhadores. De outro, avança um modelo subordinado à lógica da rentabilidade.

Quem é Juca Abdalla? Um dos nomes mais influentes no processo de destruição do serviço público, principalmente no setor energético.