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Crime da Samarco, Vale e BHP Billiton: manifestações contra 5 anos de injustiças

Em diversas cidades de Minas Gerais e no Espírito Santo, atingidos saíram às ruas para pedir justiça após meia década sem reparação; projeções foram realizadas em capitais de outros estados

Publicado: 06 Novembro, 2020 - 12h44 | Última modificação: 06 Novembro, 2020 - 14h14

Escrito por: Brasil de Fato Minas Gerais e Comunicação do MAB

Reprodução MAB
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Atingidos na comunidade de Gesteira, em Barra Longa (MG), destruída pelo rejeito

Para marcar a data de  cinco  anos de injustiça na bacia do rio Doce, atingidos por barragens de Minas Gerais e do Espírito Santo organizaram protestos que denunciaram a falta de reparação para a população afetada pelo crime com o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana. 

Em Minas Gerais, atos por todo o estado marcaram os cinco anos do crime da Vale em Mariana. Exatamente no dia 5 de novembro de 2015, a barragem do Fundão se rompeu, e as marcas do crime ambiental deixam sequelas na população atingida até hoje. Para lembrar a data, os atingidos organizaram uma  jornada de lutas e entregaram um documento com denúncias de violações aos direitos humanos.

A carta aponta as reivindicações dos atingidos por uma reparação integral, os tópicos abordados pelo documento são: restituição do direito à moradia digna, preservação dos modos de vida e acesso à infraestrutura e bens coletivos em condições preexistentes às localidades destruídas; compensação econômica, ou por outros meios, quando impossível a restituição do direito lesado; reabilitação médica, psíquica, econômica e social dos sujeitos individuais e coletivos lesados; indenização justa pelas perdas e danos materiais e imateriais; não repetição de desastres e crimes de mesma natureza; satisfação a partir de medidas para preservação ou restauração da honra, cultura e memória das pessoas atingidas, incluindo pedido público de desculpas.

Os atos, protestos e manifestações foram na comunidade de Gesteira, em Barra Longa (MG), região destruída pelos rejeitos; uma entrega de mudas e jornais do Brasil de Fato nas estrada MG 262; em Ipatinga, em frente a sede da Vale; uma celebração ecumênica em lembrança ao crime ambiental causada pela Samarco e pela Vale em Valadares; na foz do Rio Doce, na praia de Regência (ES); em Periquito(MG), em frente à sede da Fundação Renova; ato em Bento Rodrigues, em memória da dor e dos resquícios do crime; e em Betim (MG) e em São Joaquim de Bicas (MG), onde atingidos organizados pelo MAB fizeram ato na estrada.

Em memória das vítimas

Logo cedo, dezenas de atingidos pelo crime da Vale em Brumadinho prestaram solidariedade com o fechamento de estradas nas cidades de Betim e São Joaquim de Bicas, na bacia do rio Paraopeba. Eles também cobram participação popular no acordo proposto pelo Estado para a mineradora sobre o crime que já vai completar dois anos em janeiro do ano que vem. 

Durante a manhã, também houve uma ação simbólica do Movimento dos Atingidos por Barragens no distrito de Bento Rodrigues, local que ficou debaixo de lama após o crime da Samarco, Vale e BHP Billiton.

Os manifestantes colocaram faixas em alguns pontos com mensagens sobre a necessidade da construção de moradias dignas, e lembraram pedidos para que a esfera judicial não fique alinhada às empresas, mas sim atenda os interesses das pessoas que perderam suas casas, os empregos, e sofrem com desabastecimento de água limpa, problemas de saúde e aumento da violência por conta do maior crime ambiental brasileiro.

Atingidos do bairro Gesteira, em Barra Longa, que viram a realidade da região mudar drasticamente após o crime, cobraram reparação dos danos causados nas vidas das famílias em uma caminhada. A maior parte da população da localidade, assim como em outros pontos da bacia do rio Doce, nem mesmo tiveram o reconhecimento da empresa.

No final da tarde, houve um ato no centro da cidade de Ipatinga e uma apresentação cultural no centro da cidade de Mariana, em Minas Gerais, em memória das vítimas.

Luta no Espírito Santo

No Espírito Santo, também houve luta. Centenas de manifestantes estiveram na praia, em Regência, para lembrar o crime e pedir por justiça. O litoral capixaba foi extremamente atingido e, até hoje, pescadores, agricultores e toda a população da região sofrem os impactos ambientais e sociais do rompimento da barragem. 

Outros estados também se engajaram na divulgação da data que marca meia década do crime, como foi o caso do Rio de Janeiro, onde houve panfletagem em diversos pontos da região central em uma ação conjunta da Frente Brasil Popular com a POCAE – Plataforma Operária e Camponesa de Água e Energia.

Projeções em todo o país

Ações de denúncia contra a Vale, Samarco, BHP Billiton e Fundação Renova estão sendo feitas por projeções pelo país. A projeção abaixo foi feita no bairro Consolação, em São Paulo. As projeções são uma parceria com o @projetemos.

@projetemos@projetemos