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Marielle Franco, Presente!

Quatro tiros de covardia não apagam uma história de luta! Mulher, negra e da favela.

Publicado: 20 Março, 2018 - 12h10

Escrito por: Elaine Cristina Ribeiro - Secretária de Combate ao Racismo da CUT/MG

A Secretaria de Combate ao Racismo da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT/MG) repudia a execução cruel de  Marielle Franco, mulher, negra, mãe, feminista, socióloga, "cria da favela", como ela mesmo gostava de falar. Nascida no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio de Janeiro, em 27 de julho de 1979 e foi executada com quatro tiros dentro de um carro na rua Joaquim Palhares, no bairro do Estácio, na Região Central do Rio, por volta das 21h30 de quarta-feira (14).
 
A quem serve a morte de Marielle Franco? Serve aos apoiam o “sistema” e se servem dele. Seu crime: ela acompanhava a intervenção militar no Rio de Janeiro como forma de coibir excessos da PM e das Forças Armadas que patrulhavam a favela de Acari, na Zona Norte. Sua morte favorece a quem sabe da impunidade ao matar mais uma mulher, a quem sabe da indiferença ao extermínio de uma negra e, mais ainda, a quem classifica quem mora na favela como “bandidos”.
 
 Marielle Francisco da Silva, a Marielle Franco, era referência na luta pelos direitos humanos. A mais recente conquista na área foi o mandato de vereadora na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, eleita pelo PSOL. Formou-se pela PUC-Rio, e fez um mestrado em Administração Pública pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com o tema: “UPP: a redução da favela a três letras”.
 
"Sou fruto do pré-vestibular comunitário", disse Marielle Franco, para lembrar quando anos atrás se engajou num cursinho no Complexo da Maré, uma das maiores favelas do mundo, para ter alguma chance nos vestibulares mais concorridos do Rio de Janeiro”. Passou o microfone para outra mulher negra da roda e pediu apoio e compartilhamentos de seus seguidores no Facebook, que seguiam a transmissão ao vivo do evento Roda de conversa Mulheres Negras Movendo Estruturas.
 
Pouco tempo depois, seu rosto e suas palavras e sua trajetória de ativista negra inundariam as redes em choque pelo horror: a vereadora do PSOL, 38 anos, a quinta mais votada no Rio em 2016, havia sido assassinada a tiros na região Central do Rio de Janeiro sob intervenção federal militar. Estes e muitos depoimentos estão hoje nas redes sociais.
 
Um dia antes de morrer, Marielle publicou nas redes sociais, mal sabia que seria próxima vítima deste extermínio da juventude negra pela polícia do RJ, com “licença para matar”.
 
"Mais um homicídio de um jovem que pode estar entrando para a conta da PM. Matheus Melo estava saindo da igreja. Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?", disse, referindo-se a morte de Matheus Melo, evangélico, técnico em segurança.
 
Dados da CPI do Senado sobre o Assassinato de Jovens em 2016 concluíram que há um genocídio de jovens negros no país: a cada 23 minutos um jovem negro é assassinado no país. Muitas das mortes acontecem pelas mãos de policiais nos famigerados “autos de resistência”, onde a polícia atira e depois justifica o assassinato dizendo que o jovem negro “resistiu à prisão”.
 
Nós não nos intimidaremos.  Vamos resistir sempre contra o fascismo, o machismo, o conservadorismo, o racismo. Lutar contra a desigualdade, o negocídio de negros, pobres, mulheres, feministas, ativistas, lésbicas, trans. Estaremos sempre juntos pela restauração da democracia, o estado de direito no país e pelos direitos e conquistas do povo brasileiro.
 
Não irão nos calar! Agora todas e todos gritamos por justiça! Exigimos apuração rigorosa e responsabilização por mais este crime hediondo!
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