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MST ocupa fazenda histórica improdutiva na Zona da Mata

Fortaleza de SantAnna, em Goiná, tem 4,2 mil hectares e pertence a família de fundadores de Juiz de Fora

Publicado: 31 Março, 2010 - 10h53

Escrito por: Rogério Hilário

    Cerca de 150 integrantes do Movimentodos Trabalhadores Sem-Terra (MST)ocuparam, na madrugada da última sexta-feira (26 de março), a  fazenda Fortaleza de SantAnna, em Goianá, naZona da Mata. A propriedade de 4,2 mil hectares pertence aos descendentes dafamília Tostes, uma das fundadoras do município de Juiz de Fora. A coordenaçãodo MST alega que um laudo do Instituto Nacional de Colonização e reformaagrária (Incra), emitido há dois meses, aponta que a fazenda é improdutiva.

    

     “Ocupamos para acelerar oprocesso de desapropriação. A propriedade não está cumprindo sua função social”,justificou um dos coordenadores do MST, Sílvio Neto. A Fortaleza de SantAnnafica a pouco mais de cinco quilômetros do Aeroporto Regional da Zona da Mata eé considerada um marco histórico do auge da elite cafeeira na região.

   

      A sede foi consumida por um incêndio,em março de 2001, mas a fazenda preserva benfeitorias, como o terreiro e ascasas de café, um gerador de eletricidade alemão, moradias de colonos e umaigreja. Em suas terras, ainda vivem mais de 20 famílias de descendentes deescravos. Sílvio Neto garantiu que a ocupação é maneira de pagar uma dívidasocial com os colonos remanescentes dos escravos. Ele ressaltou também que os invasoresterão prioridade numa eventual distribuição de terras.

     

      A fazenda Fortaleza de SantAnnaserá o terceiro assentamento do MST na Zona da Mata. Outros dois grupos estãoacampados em Santana de Cataguases e em Visconde do Rio Branco. Esta última jáfoi desapropriada pelo Incra. “Vamos resistir nessas terras e só sairemos com areforma agrária”, salientou Sílvio.