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Povo reafirma nas ruas luta contra racismo, fascismo, pela vida, SUS e democracia

Manifestações reuniram ativistas; representantes de grupos, partidos e movimentos sociais; torcidas antifascistas e contra racistas e militantes do movimento negro de Belo Horizonte

Publicado: 08 Junho, 2020 - 18h01 | Última modificação: 08 Junho, 2020 - 18h37

Escrito por: Rogério Hilário, com informações da CUT Nacional e Mídia Ninja

@luizrochabh / LPS / Mídia Ninja
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Em pelo menos 18 capitais brasileiras e no Distrito federal, milhares de pessoas foram às ruas protestar pacificamente, respeitando os protocolos sanitários, como o uso de máscaras em atividades ou eventos públicos, contra o governo da morte de Jair Bolsonaro (ex-PSL) e contra o racismo, o fascimo e pela democracia.

O descaso do governo Bolsonaro no combate à pandemia do novo coronavírus, que já matou mais de 36 mil brasileiros em todo o país, também estava entre as principais queixas dos manifestantes. Em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro, quem não pode ir as ruas ou optou por ficar em casa porque faz parte do grupo de risco, se somou aos manifestantes batento panelas em suas janelas e varandas. Essas duas apitais foram palco das maiores manifestações. Na capital paulista, milhares de manifestantes participaram de evento no Largo da Batata. No Rio de Janeiro, os protestos ocorreram nas ruas centrais da cidade e no bairro de Copacabana, na Zona Sul da cidade.

Expressivas manifestações também foram realizadas em Belo Horizonte, Porto Alegre, Belém, Manaus, Fortaleza, Goiânia e Salvador e outras capitais e cidades do país. A maioria dos eventos ocorreu com sucesso, em clima alegre, sem provocações.

Belo Horizonte

Em Belo Horizonte, o protesto contra o fascismo e o racismo se uniu à defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) e da democracia. Centenas de pessoas de reuniram, no domingo (7), na Praça da Bandeira, Região Sul de Belo Horizonte, e seguiram em passeata até a Praça Sete, Centro da capital mineira, onde se encontraram com outros manifestantes antifacistas e antirracistas. Eles se deitaram ao lado do Pirulito, numa homenagem a George Floyd, segurança negro morto por policiais nos Estados Unidos, e a João Pedro Matos Pinto, adolescente negro morto em casa, durante operação policial em São Gonçalo, Rio de Janeiro. Da Praça Sete, os manifestantes se deslocaram para a Praça da Liberdade, onde o protesto foi encerrado.

As manifestações reuniram ativistas; representantes de grupos, partidos e movimentos sociais; torcidas antifascista e militantes do movimento negro de Belo Horizonte.

No percurso, aconteceu um ato em frente ao extinto Departamento de Ordem Política e Social (Dops), um dos porões da Ditadura Militar, tristemente famoso por prisões arbitrárias e torturas. No protesto, houve gritos de “Ditadura nunca mais” e um minuto de silêncio.

Aos gritos de “Fascistas, racistas, não passarão”, “Recua, fascista, recua: é o Poder Popular que está na rua”, "Vidas Negras Importam" e "Fora Bolsonaro", os manifestantes ganharam apoio de pessoas que carro e buzinavam e de moradores, que acenavam dos prédios residenciais ao longo da Avenida Afonso Pena.

 Impeachment

Impondo uma derrota ao bolsonarismo, os atos pelo país foram comemorados por líderes políticos do PT. “As manifestações nas ruas hoje reforçaram que a maioria dos brasileiros estão defendendo a democracia e o impeachment de Bolsonaro”, afirmou o senador Humberto Costa (PT-PE). “Todos unidos contra o racismo e o fascismo em Brasília! #SomosDemocracia #AntiFascista #Antirracista”, ressaltou o líder da bancada do PT no Senado Federal, Rogério Carvalho (SE).

“O sentimento é claro: a luta contra o fascismo no Brasil contemporâneo está só começando. Aguardem”, alertou o deputado José Guimarães (PT-CE), líder da Minoria na Câmara dos Deputados.

O dia de manifestações começou em Brasília, pela manhã, com marcha pela Esplanada dos Ministérios, afirmando a presença do povo nas ruas. “Recua fascista, recua, é o poder popular que está na rua” e “Fora, Bolsonaro” deram o tom da mobilização na capital federal.

Assim como em outras capitais, a manifestação pacífica reuniu profissionais da saúde, torcidas organizadas, comunidade negra, comunidade LGBT, estudantes, mulheres, professores, artistas, movimentos sociais e partidos políticos.

Os protestos levaram às ruas a denúncia do racismo, lembrado pelo citação de nomes de negros assassinados no Brasil. “Vidas negras importam”, entoaram os manifestantes, invocando nomes de Marielle Franco, do menino João Pedro e do norte-americano George Floyd, assassinado há duas semanas em Minneapolis, asfixiado por um policial branco, o que gerou uma onda de indignação pelas principais cidades dos Estados Unidos.

Nas ruas brasileiras, os profissionais de saúde foram homenageados, enquanto o SUS contou com faixas em sua defesa, em todas as capitais. As manifestações foram solidárias às famílias dos mais dos mais de 33 mil mortos por Covid-19.

Após o término da manifestação em São Paulo, um pequeno grupo de provocadores tentou promover baderna, segundo a Polícia Militar de São Paulo. A exemplo do que ocorre nos Estados Unidos, ao anoitecer, pequenos grupos dispersos tentaram provocar tumultos e vandalismos.

Os provocadores foram contidos, derrotando as ameaças feitas por Bolsonaro, que estimulou o embate em declarações públicas durante a semana. Além de insuflar a ação dos provocadores, Bolsonaro também sugeriu que as PMs dos estados fizessem o que “sabem fazer”.

Nos Estados Unidos, as provocações foram creditadas a infiltrados, em muitos casos praticadas por ativistas supremacistas brancos, contrários às manifestações. No Brasil, na semana passada, elementos ligados a grupos nazistas e à organização de extrema-direita, Pravy Spektor, de origem ucraniana, foram responsáveis pelas provocações.