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Servidoras e servidores públicos e apoiadores vão às ruas de BH contra a PEC 32

Com apoio da CUT/MG, manifestantes denunciam que a Reforma Administrativa abre as portas para desmonte do Estado brasileiro, venda do patrimônio público, corrupção, apadrinhamento e a corrupção

Publicado: 19 Agosto, 2021 - 11h46 | Última modificação: 19 Agosto, 2021 - 14h07

Escrito por: Rogério Hilário

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Trabalhadoras e trabalhadores de empresas públicas e serviços públicos, organizados e convocados pelos seus sindicatos, se uniram para protestar contra a PEC 32, da Reforma Administrativa, no final tarde e início da noite desta quarta-feira, 18 de agosto, Dia Nacional de Luta da Classe Trabalhadora. A proposta, que está no Congresso Nacional, desmonta o Estado brasileiro e a prestação de serviços para o povo brasileiro. Os manifestantes realizaram ato e passeada pelas ruas do Centro de Belo Horizonte.

A data também foi marcada por paralisações de categorias ameaças pela proposta do governo genocida de Jair Bolsonaro, que tem em Minas Gerais Romeu Zema como aliado. Categorias de estatais como os Correios, Petrobras, Cemig, CeasaMinas, Copasa, Dataprev, Prodemge, CBTU, entre outras contaram, na manifestação, com apoio da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT/MG), outras centrais, movimentos sindical, sociais, populares e de lideranças políticas, como a deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT).

Os manifestantes dialogaram com a população da capital  mineira e denunciaram os deputados federais que votaram a favor da privatização dos Correios e são favoráveis à venda de outras empresas estatais. E reafirmaram a resistência contra o desmonte do Estado e a disposição de continuar nas ruas contra a PEC 32 e quaisquer pautas que ataquem a classe trabalhadora, a soberania e o patrimônio do povo brasileiro. E também garantiram que vão fazer a disputa na base de cada dos parlamentares, para que não se reelejam em 2022.  Cartazes com as fotos de todos os deputados federais que votaram a favor da privatização dos Correios foram exibidos durante o ato.

No protesto, também houve protesto contra a carestia e o desemprego e foram defendidos, o impeachment de Jair Bolsonaro e a queda do todo seu governo, o auxílio emergencial de R$ 600, vacina e emprego para todas e todos. A concentração começou na Praça Afonso Arinos, no Centro da capital mineira, por volta das 17 horas. A carreata, iniciada às 18 horas, seguiu até a Praça Sete.

“Estão aí as fotos de todos os deputados federais favoráveis à privatização dos Correios. E também à Reforma Administrativa. Nós estamos de olho em todos eles e vamos pressioná-los em seus currais eleitorais. E não podemos esquecer que em Minas Gerais tem um aliado de Jair Bolsonaro cujo projeto é baseado, principalmente, na privatização de empresas e dos serviços públicos: o governador Romeu Zema. Ele quer vender Cemig, Copasa, Prodemge, Dataprev, entre outras empresas.  Com apoio do senador Carlos Viana e de Jair Bolsonaro, o governador Romeu Zema pretende privatizar o Metrô em Minas Gerais. Ou seja, entregar aos empresários a malha metroviária, sem que eles precisem investir ou construir nada. E o que vemos, atualmente, é um absurdo. Quando a tarifa era de R$ 1,80, transportava-se 220 mil passageiros por dia. Hoje, pagando R$ 4,50, chega-se a no máximo  50 mil. O que se propõe é um desmonte aberto do Estado brasileiro e o ataque à população mais pobre”,  afirmou o presidente da CUT/MG, Jairo Nogueira Filho.

“Em meio a tantos absurdos com a privataria, vi na TV Record Minas que estudam a privatização do Parque Municipal. Querem colocar catraca em um espaço de lazer público, que atende, principalmente, a população mais pobre, para cobrar a entrada”, completou Jairo Nogueira Filho.

“A PEC 32 sintetiza o que o governo federal e seus aliados querem fazer: privatizar tudo e retirar ainda mais direitos de servidoras e servidores públicos. E abre caminho para a corrupção aberta. Em vez de concursos públicos, serão milhares e milhares de contratações de apadrinhados. Privatizar não é o caminho para melhorar a vida da população. Os Correios, atualmente, estão em todos os municípios do país. Sem ele, vocês não receberam as mensagens, terão que pagar por todos os serviços, as localidades onde não há agências bancárias serão prejudicadas. Além disso, os Correios, atualmente, levam vacinas e medicamentos a todo o país. Isso vai acabar. O governo genocida de Jair Bolsonaro está na contramão da história. Hoje, apenas oito países, e mesmo assim com territórios infinitamente menores que o do Brasil, têm os serviços postais privatizados”, denunciou Robson Silva, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas dos Correios de Minas Gerais (Sintect/MG).

“É a destruição do serviço público. Do seu direito à educação, à saúde. Destruição da soberania. Se aprovada a PEC, inverterá a obrigação pela prestação do serviço público que hoje é do Estado. E abrirá o caminho para a privatização de tudo. Estamos falando do fim do SUS, da escola pública, da universidade pública. E disso também se pauta o governo de Minas Gerais, com Romeu Zema, que que tenta fazer o mesmo no Estado. Não investiu em saúde, no SUS, nas vacinas. E temos mais de 50 mil mortos por Covid-19 em Minas. Vamos derrubar esta PEC. Fora Bolsonaro. Fora Zema”, disse a deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT).

“A PEC 32 é o fim da escola pública, da saúde, do posto, da atenção primária e dos seus direitos. Não tem votação, dia sim e dia não, que não ataque a classe trabalhadora no Congresso e nas Assembleias Legislativas. Com os Correios privatizados, os livros não vão chegar, os medicamentos não vão chegar, onde não tiver banco, vai continuar não tendo. Ou qualquer serviço. Tudo está sendo feito para dar lucros às empresas. Por isso precisamos continuar nas ruas para barrar essa PEC. E dizer aos deputados que, se ela for aprovada, eles vão perder seus mandatos, pois em todos os lugares esta disputa vai ser feita”, disse Denise de Paula Romano, coordenadora geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG).

“Hoje fomos às ruas neste Dia Nacional de Luta contra o desmonte do serviço público e em defesa dos bancos públicos, que são essenciais para o desenvolvimento do país. Os bancos públicos são ferramentas de indução de políticas econômicas que, infelizmente, o governo Bolsonaro não utiliza. Pelo contrário, quer promover o desmonte destas instituições para depois, privatizá-las”, ressaltou o presidente do Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte e Região, Ramon Peres.

“Estamos na luta contra a PEC da Rachadinha, que vai favorecer, principalmente, os aliados de Jair Bolsonaro, com o fim dos concursos públicos. E reiteramos: quem votar a favor não vai voltar em 2022. O saneamento é uma luta pela vida e vai ser totalmente prejudicado com esta proposta, que é a porta aberta para perdemos para o empresariado o serviço público. É o que o governador Romeu Zema quer fazer no Estado, com a proposta de venda da Copasa. E o que a CPI da Cemig está escancarando. Vamos tirar este governo do nosso país”, declarou Eduardo Pereira de Oliveira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos de Minas Gerais (Sindágua/MG).

 “Se a CeasaMinas for privatizada, o que pode acontecer no leilão programado para outubro pelo governo federal, o objetivo vai ser o lucro. A segurança alimentar vai ser prejudicada, pois os preços dos alimentos vão subir ainda mais. Tudo vai ficar mais caro. Nossa luta contra a carestia, a inflação e pela segurança alimentar do povo”, afirmou Sania Barcelos, diretora do  Sindicato dos Trabalhadores Ativos, Aposentados e Pensionistas do Serviço Público Federal do Estado de Minas Gerais (Sindsep/MG).

 “Privatização destrói, mutila e mata. Vejam o que aconteceu com a Vale, em Mariana e Brumadinho para que tenham a noção do que vai acontecer se for aprovada a PEC 32”, disse Soniamara Maranho, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

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