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Todos contra a destruição do Brasil: milhares vão às ruas em BH

Centrais, movimentos sociais, populares e estudantil se uniram no Dia Nacional de Paralisações e Manifestações em Defesa do Meio Ambiente, Direitos, Educação, Emprego e contra a Reforma da Previdência

Publicado: 18 Setembro, 2019 - 15h07 | Última modificação: 20 Setembro, 2019 - 17h45

Escrito por: Rogério Hilário

Rogério Hilário
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Para barrar a destruição do Brasil, trabalhadoras, trabalhadores, organizados pela Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT/MG), demais centrais, militantes e dirigentes dos movimentos social, populares e estudantil tomaram as ruas do Centro de Belo Horizonte, na manhã desta sexta-feira (20), para manifestações e ato conjunto do Dia Nacional de Paralisações e Manifestações em Defesa do Meio Ambiente, Direitos, Educação, Emprego e contra a Reforma da Previdência. Os manifestantes contaram com o apoio da deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT), que participou de todo o protesto. A data foi escolhida por ser também o dia da Greve Global pelo Clima, uma referência à destruição da Amazônia e o combate às mudanças climáticas.

A concentração começou às 9 horas, com servidores públicos municipais, coordenados pelo Sindibel, e representantes de diversas categorias dos setores público e privado, em frente à Prefeitura de Belo Horizonte. Na Praça Afonso Arinos se reuniram educadoras e educadores do Estado, que paralisaram as atividades e protestaram contra a política de fusão e extinção de turmas, com consequente redução de vagas, na educação, em todos os níveis e sucateamento da educação de jovens e adultos (EJA), contra o desrespeito à Constituição do Estado pelo governador Romeu Zema, ao não pagar o piso nacional, contra o Regime de Recuperação Fiscal, que inclui privatizações de empresas públicas como Cemig e Copasa, o que trará consequências nefastas para trabalhadoras e trabalhadores e a toda a população mineira. Em outro ponto da praça, servidoras e servidores da educação municipal realizaram assembleia.

Por volta das 10h30, os manifestantes saíram em marcha dos três locais de concentração e se uniram na esquina das avenidas Afonso Pena e Álvares Cabral. De lá, enquanto dialogavam com a população sobre destruição do país que vem sendo desencadeada pelo governo de Jair Bolsonaro, em parceria com governos estaduais como o de Romeu Zema, em Minas Gerais, eles se deslocaram para a Rua dos Guajajaras, e fizeram um protesto em frente ao Edifício Mirafiori, onde o senador Carlos Viana (PSD) instalou seu escritório na capital mineira. Os manifestantes pressionaram o parlamentar para que ele não vote a favor da reforma da Previdência. O senador já revelou que vai votar pela aprovação da reforma. Um grupo de manifestantes também se dirigiu para o escritório do senador Antonio Anastasia (PSDB).

Durante o ato e a marcha, os manifestantes dialogaram com a população sobre a pauta negativa do governo Bolsonaro, cujas medidas aprofundam ainda mais a crise no país, que tem 30 milhões de desempregados e subocupados, não trazem perspectivas de criação de empregos e de crescimento econômico. Jair Bolsonaro quer impor mais sacrifícios ao povo brasileiro com a reforma da Previdência, que, no Senado, tramita com uma PEC paralela, que inclui servidores públicos municipais e estaduais e busca incluir também o sistema de capitalização. O protesto também foi contra o fim das políticas públicas, cortes na educação e na saúde (principalmente no SUS), as privatizações de empresas públicas e o sucateamento da proteção ao meio-ambiente, que coloca em risco a Amazônia e todos os recursos naturais brasileiros.

“Estamos nas ruas neste dia para fazer um debate com os brasileiros sobre os ataques que estamos sofrendo. Querem destruir tudo. Algumas categorias, como os trabalhadores dos Correios, estão em negociação e, pela resposta que receberam, entraram em greve. O que o governo federal oferece é o retrocesso, a retirada de direitos, de benefícios e reajuste zero. A reforma da Previdência, agora no Senado, traz mais pacotes de maldades, como a inclusão de servidoras e servidores públicos e o retorno da proposta do sistema de capitalização, que não passou na Câmara dos Deputados. E volta também a discussão da agricultura e do meio-ambiente. Num momento de estiagem e queimadas generalizadas, surge a possibilidade de racionamento do abastecimento de água na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Não temos reservatórios e somos dependentes do entorno. O crime de Brumadinho agravou ainda mais a situação”, afirmou Jairo Nogueira Filho, secretário-geral da CUT/MG.

“A luta é árdua e longa e um dia como este reflete isso. Precisamos lutar sempre, pressionar o governo do Estado. E também apresentar um contraponto ao governo federal que está aí. Sob a gestão Zema, a Cemig fechou uma base que atendia a todo o Vetor Norte, a periferia. E deslocou todos os trabalhadores para uma base no Anel Rodoviário. Um processo que sinaliza a privatização. A população do Vetor Norte será prejudicada e sofrerá ainda mais no período de chuva, quando o número de ocorrências na rede elétrica aumenta. Precisamos nos unir e debater em todos os lugares, no local de trabalho, nas igrejas, nos bairros. Preparam o povo para o que está por vir, pois a população não vai aguentar Zema e, muito menos, Bolsonaro”, concluiu Jairo Nogueira Filho.

“Estamos em mais um dia de luta por um Brasil soberano e pelos direitos da classe trabalhadora. Este dia é emblemático para debatermos o acesso à água. Há poucos dias, o prefeito de Contagem, Alex de Freitas, apresentou um projeto que expandia a área urbana da cidade, que vai atingir Várzea das Flores. Segundo estudo da Copasa, se o plano for aprovado, Várzea das Flores resiste por apenas 23 anos. As privatizações, em especial à da Cemig, vão afetar o acesso à água, fundamental para todas as populações”, alertou Jefferson Silva, coordenador-geral do Sindieletro-MG.

“Saúdo a todas e todos e presto uma homenagem ao patrono da educação, Paulo Freire.  Como ele definiu, a educação deve se pautar na vida concreta das crianças e dos adolescentes. Não pode ser, como muitos defendem, baseadas em processos fora da realidade de alunas e alunos. Não adianta apresentar a uva e o caqui, se o estudante não tem isso à mesa. Devemos buscar elementos que fazem parte da vida concreta deles. Nós defendemos a educação e, ao mesmo tempo, temos que lutar contra este processo de desvalorização da nossa profissão. Têm que nos respeitar. Nosso recado foi dado no plenário da Assembleia: não se pode educar sem entender a complexidade do aluno. Nós lutamos permanentemente em defesa da educação”, disse a deputada estadual Beatriz Cerqueira.

“E o governador não pode falar de salário, se nem ao menos conhece a Constituição do Estado, pois não paga o piso salarial nacional a educadoras e educadores. Não podemos aceitar salas superlotadas, a política de impor projetos que não são discutidos. Temos que combater toda a pauta negativa de Bolsonaro e do governador Zema. Fazer a luta para barrar a destruição da escola pública e dos serviços públicos. Querem estado mínimo ou nenhum estado e que tudo seja decidido pelo poder econômico. Continuaremos nas ruas em defesa da educação e da classe trabalhadora. E vida Paulo Freire”, afirmou a deputada estadual.

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