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Trabalhadoras e trabalhadores se unem em defesa dos serviços públicos

Ato na Praça Sete homenageia servidoras e servidores públicos. Manifestantes protestam contra privatizações, desmonte do Estado, Reforma Administrativa e dialogam com a população

Publicado: 28 Outubro, 2020 - 17h45 | Última modificação: 29 Outubro, 2020 - 11h25

Escrito por: Rogério Hilário

Rogério Hilário
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A Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT/MG), entidades e sindicatos CUTistas, outras centrais e movimentos sociais se uniram, na manhã desta quarta-feira (28), na Praça Sete, Região Central de Belo Horizonte, no Ato do Dia Nacional em Defesa dos Serviços Públicos. Durante a manifestação, que além de alertar a população homenageou servidoras e servidores públicos em seu dia, foram distribuídos kits com álcool em gel e máscaras e panfletos alusivos à data e às pautas das categorias, que estão em luta unificada contra a retirada de direitos e conquistas, a privatização e a entrega do patrimônio do povo brasileiro e da soberania nacional, que são prioridades do projeto dos governos ultraneoliberais de Jair Bolsonaro e Romeu Zema, bem como contra a Reforma Administrativa. A reforma significa o desmonte do Estado e o fim da prestação de serviços públicos de qualidade. Os pedágios, para distribuição dos kits e dialogar com a população, foram realizados em outros locais da capital mineira.

Para o presidente da CUT/MG, Jairo Nogueira Filho, o ato e a mobilização, que foram realizados em todo o país, serviram para alertar a população da importância dos serviços públicos e homenagear as diversas categorias dos serviços públicos. “O Brasil serve de exemplo para todo mundo com a universalização do Sistema Único de Saúde (SUS) e dos serviços públicos. Constatamos que nos países em que foram privatizados está havendo dificuldades no combate da pandemia de Covid-19. Enquanto no Brasil, o atendimento é de graça. E o SUS será ainda mais essencial na distribuição a toda a população, quando houver a vacina, juntamente com os Correios, que está em todos os municípios do país. Por isso, o dia de hoje é muito importante. Não podemos permitir que o governo de Jair Bolsonaro destrua o serviço público que é fundamental para você e para toda a sociedade.”

“E, nesta semana, em plena pandemia, Bolsonaro apresentou um decreto que dá início â privatização do SUS, com a entrega das Unidades Básicas de Saúde dos postos de saúde à iniciativa privada, como o deputado federal Rogério Correia denunciou e luta para impedir. Zema e Bolsonaro querem acabar com as nossas conquistas. Estão pouco se importando com as pessoas. Querem entregar tudo. E é bom que todos saibam, os Correios não servem apenas para entregar correspondência. E a Petrobras, que nos deu autonomia de petróleo, com a atual gestão exporta o produto e nós temos a gasolina mais cara. A alta dos preços dos alimentos foi provocada porque este governo irresponsável, em vez de fazer estoques reguladores, deixou que o mercado regulasse os preços”, afirmou Jairo Nogueira Filho.

O presidente do Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte e Região, Ramon Peres, lembrou o quanto foi desastrosa para a população a privatização de bancos. “Um exemplo foi a venda do Bemge (Banco do Estado de Minas Gerais) para o Itaú, que não atende a população da mesma forma, pois prioriza somente o lucro. Estamos em campanha em defesa da Caixa, um bem do povo, patrimônio nacional assim como o Banco do Brasil. Mas, o governo mente, ataca os bancos públicos, falando que não prestam serviços eficientes. Vejam como a Caixa vem atendendo a população durante a pandemia. Os bancos públicos são cruciais para reduzir desigualdades e ao desenvolvimento. Não podemos permitir que rasguem nossa Constituição e destruam a proteção social dos brasileiros. A saúde, a educação, o saneamento, o acesso ao crédito e serviços essenciais não podem estar submetidos a uma lógica de mercado que visa apenas o lucro e exclui grande parte da população. Nossa luta é em defesa dos direitos dos trabalhadores, das empresas públicas, fundamentais para o desenvolvimento do Brasil, e de uma sociedade mais justa e menos desigual”, afirmou.

“Hoje é dia do servidor e dia de luta. E da unidade dos trabalhadores em torno dos servidores públicos. Com a pandemia, com o governo Bolsonaro já são mais de 150 mil mortos, e o Brasil é o segundo em número de mortes, só superado pelo Trump, que vai perder a eleição e deixar Bolsonaro ainda mais sozinho. E precisamos ficar alerta, pois o Rodrigo Maia defende uma PEC Emergencial para tirar mais recursos da saúde, da educação e da assistência social com a Reforma Administrativa”, disse o deputado federal Rogério Correia (PT).

“Precisamos defender a escola pública, a importância de que as aulas presencialmente não retornem com a pandemia. As escolas não têm condições de proteger os alunos, as condições de trabalho são precárias. No momento em que tivermos segurança sanitária nós voltaremos às escolas”, afirmou a coordenadora geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE/MG), Denise Romano

“Uma saudação aos servidores, que estão na linha de frente, principalmente da pandemia. E vivem sob as ações dos governos Bolsonaro e Zema, que atacam as políticas públicas e a sociedade brasileira, com propostas de privatizar o que dá lucro. É claro. Não privatizariam o que dá prejuízo. Os Correios dão lucro para a sociedade. A Ceasa está sendo sucateada. Não podemos aceitar este projeto político. Fora, Bolsonaro; fora, Zema. Fica o serviço público, fica empresa pública. Somos a resistência. Estamos na Campanha Nacional em Defesa das Empresas Públicas”, disse Jussara Griffo, da Direção Colegiada do Sindicato dos Trabalhadores Ativos, Aposentados e Pensionistas do Serviço Público no Estado de Minas Gerais (Sindsep-MG).

“Estamos aqui para defender o que nós queremos, não o que Bolsonaro e Paulo Guedes querem, para deixarmos para as próximas gerações um Estado brasileiro que garanta o futuro. Se somos autossuficientes no petróleo, queremos gás e gasolina a preço justo. Mas, hoje temos o país exportando e vendendo mais caro. Hoje, 20% da população não tem acesso ao gás de cozinha.. Estão cozinhando com carvão ou lenha. Precisamos defender a nossa dignidade, lutar pelos serviços públicos, contra as PECs. Agora a luta tem que ser no dia 15 de novembro. Não podemos eleger que são contrários aos nossos interesses. O povo está passando fome. Vai acabar o auxílio emergencial e a crise vai se agravar ainda mais. Defender o serviço público, é defender o Brasil”, afirmou Alexandre Finamori, coordenador do Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais (Sindipetro-MG).

“Somos mais de 54% da população e estamos entre os mais vulneráveis, que mais dependem do SUS. Me lembro que Carlos Vianna, agora senador, falava que o SUS era só para os grotões, para a periferia, onde os médicos não iriam. E que o restante da cidade seria atendido pela medicina privada. Agora, vemos candidatos falando em parcerias público privadas (PPPs), depois da PEC do Fim do Mundo, que congelou recursos para saúde e educação, entre outros setores dos serviços públicos. E, com isto, vimos a instalação de uma caixa d’água de mil litros em uma escola custar R$ 40 mil. A legislação protege este tipo de relação com os recursos públicos. Este valor daria para construir um barraco. É desta forma que se trata a coisa pública. O dinheiro público está congelado, mas não para as PPPs e a terceirização. O único instrumento do Estado que nós, da periferia, temos sempre acesso é a polícia. Queremos serviços públicos de qualidade e servidores bem preparados para atender à população”, disse José Carlos de Souza, do Movimento Negro Unificado (MNU).

“Sem serviços públicos não tem aula, não tem atendimento nos postos de saúde. O Estado é uma construção dos brasileiros. Não podemos deixar que um projeto de pessoas que não têm compromisso com o povo brasileiro seja imposto no país. Projeto de quem é o resultado da pior política do Brasil, a do Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro, que está aí para entregar todas as nossas riquezas. E ainda tem no governo péssimos negociadores. Venderam três plataformas da Petrobras pelo valor de um dia de produção. São liberais de fachada, pois não fazem a reforma tributária. Com a política econômica deste desgoverno, vamos pagar impostos e serviços. Nem pensam em taxar grandes fortunas. Mas, além disso, o que me causou revolta foi uma nota que saiu na mídia, justamente na véspera deste dia, que o servidor público custa 13% do PIB. Uma campanha sórdida, pois este percentual só é alcançado com os salários dos juízes, dos generais e do alto escalão. A remuneração da base é baixa”, revoltou-se Helberth Avila de Souza, secretário de Imprensa da Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de Minas Gerais (Fetrafi-MG).

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