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Trabalhadores dos Correios continuam em greve geral e vão a Brasília no dia 21

Categoria, com apoio da CUT, movimentos sindical, sociais, populares e lideranças políticas, realiza ato simbólico e assembleia em frente à Agência Central em BH. Dissídio coletivo vai ser julgado pelo TST

Publicado: 17 Setembro, 2020 - 17h55 | Última modificação: 18 Setembro, 2020 - 16h56

Escrito por: Rogério Hilário, com informações do Sintect/MG

Rogério Hilário
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Trabalhadoras e trabalhadores, coordenados pelo Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de Minas Gerais (Sintect/MG), aprovaram, no início da tarde desta quinta-feira, 17 de setembro, a continuidade da greve geral por tempo interminado, que completou 30 dias. A categoria luta contra a retirada de direitos, proposta pela direção da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT), com o fim de mais de 70 cláusulas do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), e o projeto de privatização, que seria a consequência do corte de conquistas históricas de servidoras e servidores e facilitaria a venda da empresa. Durante a manifestação todas e todos se comprometeram em participar, na organização e presencialmente, no ato da próxima segunda-feira, 21 de setembro, em Brasília, quando o Tribunal Superior do Trabalho (TST) vai julgar o Dissídio Coletivo da categoria. Em adesão, a greve é a maior da história.

Antes da assembleia, foi realizado um ato unificado em frente à Agência Central dos Correios, na Avenida Afonso Pena. A manifestação e todo o movimento de trabalhadoras e trabalhadores dos Correios têm o apoio da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT/MG), outras centrais, Sindágua, Sindieletro-MG, Sindsep-MG, Condsep, Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro-MG), Sindicato dos Metalúrgicos de BH e Contagem, Federação Estadual dos Metalúrgicos (FEM-CUT/MG), toda a base CUTista no Estado, Frente Brasil Popular, Marcha Mundial das Mulheres, Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SJPMG), deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT), deputado federal Rogério Correia (PT), lideranças políticas e representantes dos movimentos sociais e populares.

A manifestação fez parte do Ato Nacional em Defesa da Vida, dos Direitos e Empregos, em que mobilizações que aconteceram em todo país nesta quinta-feira. Trabalhadoras e trabalhadores dos Correios denunciaram os impactos da privatização da empresa pública mais antiga do Brasil, como querem o governo Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, o banqueiro Paulo Guedes.

Durante a manifestação, o presidente do Sintect/MG, Robson Silva, passou as informações sobre a mobilização nacional e as manobras da Empresa para frear a greve dos trabalhadores, reforçando que este é o momento de ampliar e manter firme a luta. No próximo domingo, dia 20 de setembro, delegações de trabalhadores de Minas Gerais irão à Brasília para o grande ato nacional, que será realizado no dia 21 de setembro, dia do julgamento do nosso Dissídio Coletivo. De acordo com a fala de Robson Silva, não haverá limitações de ônibus: todos os trabalhadores que quiserem participar do ato em Brasília terão vaga garantida – é só procurar o Sindicato (diretor ou delegado sindical) para repassar os nomes completos e documentação.

O presidente do Sintect/MG, que coordenou ato e assembleia, denunciou que a intransigência da empresa e do “governo de morte” de Jair Bolsonaro têm como objetivo a política de terra arrasada. “A direção quer retirar cláusulas que não têm qualquer impacto econômico, como o assédio sexual, o assédio moral, o racismo e a homofobia dentro da empresa. Querem impor uma política de terror. Nossa greve se fortalece a cada dia. Se sucumbirmos hoje, outras categorias vão estar sob um turbilhão de ataques, que só vão parar quando estivermos com a terra arrasada. Vamos para Brasília com toda a força. Não vamos economizar esforços. Todos estaremos lá, para dar o recado para o patrão. Tudo que fizemos nesta greve valeu pena para cada trabalhador. Apenas com a classe trabalhadora unida vamos barrar estes ataques. Precisamos estar unidos, principalmente pelo que vem por aí: a reforma administrativa.”

“Estamos em um lugar (em frente à Agência Central) em que um ato simbólico ganha uma dimensão maior, pois foi aqui que desencadeamos uma greve história no final da década de 1970, com uma greve que levou a conquistas históricas da categoria. Daqui saiu a luta pelas Diretas Já e pela criação da Central Única dos Trabalhadores, junto com outras categorias. A partir disso, outras sindicatos foram criados. E hoje, temos mais uma manifestação que simboliza a união da classe trabalhadora, com companheiros de centrais e sindicatos reafirmando o apoio à greve geral dos Correios. Isto nos fortalece ainda mais para ocupar Brasília no dia 21”, disse Robson Silva.

“O governo Bolsonaro nunca imaginou que esta greve fosse tão forte, tivesse tamanha adesão e durasse tanto tempo. Por isso, temos que nos unir e fortalecer ainda mais o movimento, pois os ataques serão ainda mais pesados. O governo não tem argumento, muito menos fundamentos que justifiquem a privatização dos Correios. Por isso este momento é perigoso. Vai tentar de todas as formas, usar todas as mentiras para conseguir a privatização. São muitas as mentiras. Dizem que podem demitir os grevistas, o que é falso. Vão colocar todo o tipo de mentira para a população. Com esta greve, colocamos a população em dúvida: quem está falando a verdade? E isto é necessário para derrotar este governo, que de patriota não tem nada. É entreguista. Enquanto países em todo o mundo têm empresas públicas de Correios, o governo do Brasil quer privatizar. O setor eletricitário foi privatizado na Califórnia, Estados Unidos. Os preços subiram e isto causou revolta. O governo teve que intervir. O petróleo no mundo inteiro é estatal, porque, a privatização, tira a soberania de um povo. E estatais de outros países querem comprar a Petrobras. Ou eles tomam juízo, ou este país vira do avesso”, afirmou Jairo Nogueira Filho, presidente da CUT/MG.

Para a presidenta do SJPMG, Alessandra Mello, a união dos movimentos sindical, sociais, populares e lideranças políticas é fundamental para furar o bloqueio da mídia tradicional que persiste em ignorar a greve geral dos Correios ou, quando cita, desqualifica o movimento. “Temos aqui reportagens de dois jornais, mas, para trabalhadoras e trabalhadores dos Correios, tem sido difícil furar o bloqueio da mídia. Nós jornalistas enfrentamos problemas na rádio Inconfidência, com o governo de Romeu Zema.  Os patrões não gostam de dar espaço em seus veículos de comunicação sobre greves. Mas todas as categorias estão sob ataque. Trabalhadoras e trabalhadores dos Correios, principalmente. A população precisa ser informada que a privatização da empresa vai ser horrorosa. As correspondências não chegarão aos rincões de Minas Gerais. Força para todos vocês e parabéns pela luta”, disse a presidenta do SJPMG.

Jussara Griffo, da Direção Colegiada do Sindicato dos Trabalhadores Ativos, Aposentados e Pensionistas do Serviço Público Federal de Minas Gerais (Sindsep-MG), enfatizou que os ataques aos trabalhadores dos Correios se estenderão a todas as categorias do setor. “Vivemos um momento difícil, de ataques às empresas, servidores e serviços públicos. Ainda mais quando se negocia acordos coletivos. As dificuldades acontecem na Ceasa, na Ebserh. Um processo em que todas as empresas públicas são atacadas. A greve dos Correios é de todos os trabalhadores. Defender os Correios é defender o Brasil. Nós, da Condsep, estaremos no dia 21 em Brasília. Estamos todos juntos nesta luta, por garantia de direitos e contra as privatizações.”

A união de trabalhadoras e trabalhadores das empresas e serviços públicos se torna ainda mais essencial em Minas Gerais, por causa do projeto de privatizações, constantemente defendido e articulado, pelo governador Romeu Zema. É o que assinala o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias e Purificação e Distribuição de Águas e Serviços de Esgoto (Sindágua-MG) e secretário de Meio Ambiente da CUT/MG, Eduardo Pereira de Oliveira. “Estou no lugar onde sempre deveria estar. Quando Beatriz (Cerqueira) era presidenta da CUT/MG falei com ela que tudo não passa de luta de classes. O governador Romeu Zema quer acabar com Gasmig, Copasa, Cemig. Esta é a principal proposta dele: retirar a nossa garantia de emprego. Esta greve é dos trabalhadores da Copasa, da Cemig da Gasmig e de todos que sabem que as empresas públicas são fundamentais. Ainda mais diante de uma pandemia. Todos precisam de água, energia elétrica, saúde, dos serviços dos Correios. Retirar 79 cláusulas de um acordo é uma vergonha.”

“Estar aqui é a minha obrigação. Ainda mais depois que esta categoria deu todo o apoio à nossa negociação em fevereiro. Estaremos com vocês em Brasília. O TSE está julgando se podem demitir servidores em greve. STF, TSE e Congresso estão do lado de Jair Bolsonaro. O importante é estarmos nas ruas, dialogar com o povo para fortalecer ainda mais este movimento. São 30 dias de greve e a mídia não fala nada. O site da CUT fala, as mídias sociais de esquerda também. Sabemos que os ataques são premeditados. O governo Bolsonaro tem medo de que a gente se uma. Independentemente da pauta corporativa, temos que nos unir, fazer um movimento conjunto. E os petroleiros  estarão sempre juntos com vocês”, afirmou Alexandre Finamori França Baptista, coordenador-geral do Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro/MG).

“Estamos juntos para dizer que este é o nosso processo de organização e luta. Estamos juntos. A solidariedade e a força dos movimentos populares e organizações políticas vêm resistindo desde o golpe. E, com a unidade, vamos vencer”, disse Bernadete Monteiro, da Frente Brasil Popular Minas e da Marcha Mundial das Mulheres.

Stefanio Marques Teles reafirmou o apoio do Sindicato dos Metalúrgicos de BH e Região ao movimento de trabalhadoras e trabalhadores dos Correios. “A luta da categoria é muito importante para fazer a população enxergar o desrespeito que vocês estão sofrendo com este governo. O que trabalhadoras e trabalhadores dos Correios estão sofrendo é uma afronta. Vocês têm o apoio de todos os metalúrgicos do Brasil. Estamos juntos para que vocês, nesta luta, consigam seus objetivos.”

Para Marcelo D’Agostini, da Luta pelo Socialismo (LPS), a greve dos Correios demonstra que é possível a classe trabalhadora derrotar os ataques do capitalismo. “É muito bom que a CUT, centrais sindicais, sindicatos filiados estejam juntos para organizar a luta da classe trabalhadora. Querem nos dividir, mas a forma como organizaram, a greve é imbatível. Mas precisamos construir uma frente de esquerda dos trabalhadores deste país para avançarmos. Esta greve já entrou para a história. Está superando obstáculos. Se preciso for, tem que continuar, independentemente de qualquer decisão do TSE. Os Correios são a nossa bandeira, da soberania de nosso povo. Esta luta tem tudo para construir um acordo justo. Fora Bolsonaro e todos eles. Toda solidariedade e força à greve dos Correios.”

“Nós, no Congresso Nacional, estamos numa pauta permanente contra a privatização. Realizamos um ato remoto para pedir a abertura de negociação da empresa, mas o presidente da Câmara (Rodrigo Maia), pegou Covid-19. Faremos uma reunião amanhã (nesta sexta-feira) para acompanhar a greve e vamos procurar os ministros do TST. Não é possível que o governo se mantenha intransigente em cortar direitos de trabalhadoras e trabalhadores. Isso é coisa de demônio. Alguns deputados estarão com vocês na próxima segunda-feira. No dia 24, estaremos num ato, pelo Núcleo de Trabalho e Administração Pública, e vocês serão os primeiros a falar. É um ato contra a privataria, que ameaça os Correios, a Petrobras, a Eletrobras, o Banco do Brasil. Falam em vender tudo para pagar juros, quando é preciso recuperar o crescimento. Se a gente não reagir, vão acabar com tudo. E falam em reforma administrativa, que é o desmanche do Estado”, afirmou o deputado federal Rogério Correia (PT).

“É mais do que um prazer estar onde sempre devemos estar, sendo do bloco Democracia e Luta da nossa bancada. Não estamos sozinhos, pois contamos com a força coletiva. Nós fazemos, com ações na Assembleia Legislativa, denúncias sobre o que o governo está fazendo com vocês, durante a pandemia. É uma disputa de posicionamentos. Parabenizo o acerto do Sintect em fazer a luta. Não se pode recuar. O recuo significa retirada de direitos e empregos.  E vocês vão fazer o enfrentamento contra este governo de morte em Brasília. E mostrar que a privatização não nos atende. As pessoas precisam entender que elas serão prejudicadas. Menos Estado significa povo menos assistido. Sem Estado não haverá que esteja em defesa dos interesses do povo. E, em Minas Gerais, se vê uma ‘liquidação das lojas Zema’. Temos que fortalecer a luta estratégica contra este governo de morte. Por isso estas pautas representam a vida da classe trabalhadora e do povo brasileiro”, disse a deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT).

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