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Um mês do massacre da Vale em Brumadinho

Concentração às 17h30 desta segunda-feira (25), na Praça Sete, de onde sairá o cortejo rumo ao Memorial da Vale na Praça da Liberdade, onde acontecerá o Culto ecumênico

Publicado: 25 Fevereiro, 2019 - 11h07 | Última modificação: 26 Fevereiro, 2019 - 12h19

Escrito por: Rogério Hilário com informações da Frente Brasil Popular e Ana Maria de Oliveira

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No dia que se completa um mês da ocorrência do massacre feito pela Vale em Brumadinho, convocamos entidades, movimentos, partidos e toda sociedade civil a se organizar para transformar seu luto em luta, por justiça e por mudança.

Não podemos mais aceitar esse modelo imposto por rapineiros neo-liberais. Ele preda nossa riqueza, devasta nossos territórios, mata nossa gente, seja soterrada na lama, seja à míngua provocada pela destruição do meio ambiente onde vivem.
As ricas minas que dão nome ao nosso estado são exploradas à exaustão para alimentar o acúmulo de riqueza de algumas poucas centenas de ricos, e o pior, fora do país. E o modelo se estende por todo país onde haja riqueza mineral.

Mineradoras operando na lógica do menor custo com maior lucratividade, explorando minas até a exaustão, comprando facilidades aos licenciamentos e execução de seus empreendimentos, burlando multas e fiscalização através da corrupção de agentes do legislativo e judiciário, e conselheiros da sociedade civil, não se importam minimamente com as vidas que habitam no entorno destes empreendimentos.

As consequências são em cadeia. Ao se instalarem, alteram o ambiente local, removendo formações geológicas, ocupando territórios, secando e contaminando mananciais e bacias. E com promessas de desenvolvimento, oferecem trabalho em sua maioria precarizado, gerando uma minerodependência dos municípios, que diante das alterações ambientais e sociais, tem seus habitantes passando a praticar atividades econômicas ligadas direta ou indiretamente à atividade minerária local. Quando é esgotada a exploração do empreendimento, o que sobra é a devastação dos ambientes ligados ao território, desemprego, população adoecida com males relativos ao trabalho direto e por consequências ambientais (como doenças respiratórias, gástricas, por acidentes, depressão etc), aumento da violência urbana e doméstica, alcoolismo e consumo de drogas, escassez ou falta d’água que inviabilizam atividades como agricultura familiar, pesca e a própria sobrevivência digna. E a triste herança das barragens abandonadas, que mesmo durante a atividade do empreendimento, passam pelos processos necessários de manutenção ou desativação. Neste modelo, sabemos que estas bombas irão explodir, é só questão de tempo, dado o absurdo número de barragens nestas condições.

Se nada fizermos, continuaremos perdendo nossos conterrâneos enquanto a riqueza dos mineradores só aumentará.
Em memória dos que foram assassinados pela Vale em Brumadinho, no dia que se completar um mês de suas mortes, ocuparemos as ruas do centro de Bh e de vários pontos do Brasil para dizer NÃO a esse modelo predatório que nos soterra em lama tóxica!

Lembrando que a Cia Vale do Rio Doce foi fundada por Getúlio Vargas em 1942 tornando-se uma estatal estratégica ao papel geopolítico do Brasil no mundo, foi privatizada em 1987 por FHC num processo cheio de irregularidades, pelo valor indecente de $3,3 bi, quando somente as suas reservas minerais eram calculadas em mais de R$ 100 bilhões à época. Um verdadeiro crime lesa-pátria. Tomaram seu papel estratégico, alteram o nome que lhe dava identidade, e posteriormente, mataram o rio que lhe deu o nome de formação.

POR JUSTIÇA E SOBERANIA NA MINERAÇÃO!

CONTRA AS PRIVATIZAÇÕES!

PELA REESTATIZAÇÃO DA VALE!

POR MARIANA, BRUMADINHO E TODOS OS OUTROS!

NÃO ACEITAMOS MAIS MASSACRES!

#PrivatizaçãoMata #ValeAssassinaReincidente #MassacredaVale

FRENTE BRASIL POPULAR

Protesto reúne centenas de pessoas na Praça da Liberdade

Sob o lema SOMOS TODOS ATINGIDOS, centenas de pessoas se manifestaram no domingo (24), em frente ao Memorial da Vale, na Praça da Liberdade. A maioria das pessoas vestia roupas pretas, algumas pessoas carregavam cruzes e outras tinham o rosto pintado de vermelho-sangue. 

Este foi um protesto em que se mostrou muita indignação, revolta e força para lutar. Em vários momentos prevaleceu o silêncio, em outros se entoavam palavras de ordem. 

Quem passava pela região, a pé ou de carro, aproximava-se do grupo ou observava a  manifestação à distância, em sinal de respeito. 

Das 11 às 13 horas, sob um forte calor, houve várias iniciativas: ouviu-se a sirene,  representando o que deveria ter acontecido na barragem do Córrego do Feijão, para que as pessoas tivessem tempo de deixar o refeitório, o almoxarifado, a mina, ou suas residências.

Foi também declamada a Lira Itabirana, do poeta das Minas, Carlos Drummond de  Andrade. Houve alguns minutos de silêncio e parentes das vítimas, com seus nomes nas blusas, chamavam por elas em voz alta. Um trio musical executou a Cantata 147 de J.S. Bach.

 

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